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LEONARDO
_ Precisamos de um chefe de segurança novo.
_ Então e o Rodrigues? - Perguntou Zane.
_ Matei-o.
_ Amanhã começo a procurar um substituto. - Disse-me, após ter estado um tempo calado.
Olhei para ele. Zane não concordava em pleno comigo. Ambos sabíamos o que fazer, mas ele tinha mais controlo emocional, o que me fazia parecer mais frio. Zane olhava para a pista de dança. Provavelmente procurava por aquela rapariga. Desviou o olhar, dando conta que reparei.
_Leo, o Domingos está amarrado e encapuçado no armazém. Quando tencionas fazer alguma coisa?
_Ele deu-te trabalho?
_Nenhum. Foi fácil atraí-lo. Ele não resiste a um r**o de saias, então pedi uma ajudinha a uma amiga minha.
_Ela sabe o que fez?
_Sim, mas não te preocupes. Paguei-lhe um bom dinheiro para permanecer calada. - Disse-o descontraído.
_Sei... - Não duvidei.
Não era a primeira vez que recorríamos a uma das "amigas" de Zane. Felizmente para mim, ele tem sempre muitas à volta dele. Zane procura incansavelmente pela sua alma gémea. Conhece-as, leva-as para a cama, ronda-as por uma semana, mas rapidamente se farta. Nunca é a tal.
_Hoje mesmo vou ter uma conversinha com o Domingos, ou ele passa aquelas armas escondidas, nos camiões dele ou os camiões passam a ser geridos por outro. - Acrescentei.
_Ok.
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ZANE
Mal me conseguia concentrar na conversa com o Leo, aquela rapariga pairava na minha mente e os meus olhos procuravam por ela. Ele reparou.
_Vou buscar uma bebida. Queres alguma coisa? - Perguntei.
_Traz um champanhe para a mesa.
Quando cheguei ao balcão central e, enquanto esperava pela comida, procurei por ela. Mas não a vi, nem à amiga. Provavelmente tinham ido embora. Lamentei-me por não ficar um pouco mais com ela ou pedir-lhe o número de telemóvel.
Agarrei na garrafa de champanhe e subi para a varanda novamente.
Estávamos descontraídos a beber, quando ouvi tiros. Virei a mesa para usá-la como escudo. Eu e o Leonardo estávamos lado a lado, de arma na mão, a tentar perceber o que se passava. Os seguranças posicionavam-se para defender o Leo. Pessoas foram atingidas e mortas. Era o caos! Gritaria, pessoas a correr em todas as direções.
_Vou descer para ficar melhor posicionado. - Gritei para Leo. Com a música a tocar e aquela confusão toda, estava difícil comunicarmos. Ele assentiu com a cabeça e posicionei-me atrás dos degraus.
De repente, vi-a a correr, com uma arma na mão, para o balcão, zona central da confusão. Não hesitei e corri para lá também. Agarrei-lhe o braço. Grande erro! Ela apontou-me a arma.
_ Zane! - Ela assustou-se, mas deve ter percebido que não era uma ameaça, porque evitou que levasse um tiro.
Após pedir-me permissão, tirou-me a arma que tinha presa às calças. Ela estava decidida em ajudar a amiga, por isso eu ajudei-a a consegui-lo. Ela correu e puxou a amiga para dentro do balcão, enquanto lhe dava cobertura. Decidi ajudá-la um pouco mais e saltei para lá, por cima do balcão. Por um momento, arrependi-me. A amiguinha dela apontou-me uma faca, mas Aurora acalmou-a, retirando-lhe a faca da mão.
_ c*****o. Mas as mulheres hoje estão possuídas? - Os pensamentos saíram-me pela boca.
Contei-lhes da porta secreta e ajudei-as a chegar lá. Fiquei feliz por o ter feito, pois pude contar com Aurora nos momentos seguintes, enquanto ajudava o Leo, a também chegar à porta.
Acabei de verificar se podíamos sair em segurança do bar. Quando me viro, vejo um homem a aproximar-se de Leo.
_ Leo, cuidado! - Grito, enquanto aponto a arma.
Se atirar tenho fortes probabilidades de magoar o Leo, então aguardo uma oportunidade. Aurora tem uma e nem pestaneja. Agora é ela quem está nos braços daquele homem. Mas apercebo-me que ela é uma guerreira, quando tira uma faca da sua bota e a crava no pescoço dele. Leo acaba o serviço e olha para mim, fazendo-me um sinal.
Aproximo-me de Aurora sem ela dar por isso, e bato-lhe com a arma na nuca. Ela cambaleia e eu coloco-a sobre os meus ombros antes que caia. Carrego-a para o carro, onde Leo tinha vindo. Deito-a nos bancos traseiros. Leo entra no carro e conduz em direção a um dos armazéns que possuía. "f**a-se!" Aurora tinha despertado o interesse do Leonardo. E eu não sabia o que ele planeava fazer com ela.
Antes de o seguir no meu carro, voltei para dentro do bar e procurei pela amiguinha da Aurora. Encontrei-a na casa de banho das mulheres, encolhida numa das cabines.
_ Aí estás, tu. - Ela tremia e tinha o rosto tapado com as mãos. Assim que ouviu a minha voz pulou e encolheu-se ainda mais. - Princesa, vamos. Eu tiro-te daqui. - Diminui o meu tom de bom e toquei-lhe gentilmente no pulso.
Ela espreitou por entre as mãos devagar e reconheceu-me.
_ Não me consigo mexer. Tenho muito medo! Onde está a Aurora?
Não tinha tempo para lhe explicar nada e os homens a qualquer momento podiam-nos apanhar. Eu não sabia quantos sobravam. Agarrei nela, coloquei-a sobre um ombro e levei-a para o meu carro. Sentei-a no banco do passageiro e arranquei. Ela estava em choque. Perguntei-lhe onde morava, mas ela não respondia e eu não tinha tempo para lidar com aquilo. Leonardo estava à minha espera.
Fiz um pequeno desvio e deixei-a na minha casa, fechada no meu quarto.
_ Eu volto assim que possível. Tenta acalmar-te! Mais ninguém está em casa. Liga a televisão, se ajudar. - Disse tudo do que me lembrava para a colocar mais o mais confortável possível e saí.
Quando cheguei ao armazém, vi Aurora inconsciente, amarrada a uma cadeira, no centro. Leonardo estava sentado num sofá a olhar para ela.
_Quem é esta mulher? - Perguntou-me, assim que ouviu os meus passos atrás dele.
_Só sei o nome. Aurora. - Disse-o enquanto me juntava a ele no sofá.
_Ela sabe lutar.
_E manusear armas. - Acrescentei.
_Temos de descobrir como chegou ao bar. Se alguém a conhece...
_Mas ela ajudou-nos. - Interrompi-o. - Não me parece que tenha más intenções. - Não lhe falei na amiga dela, que tinha fechada no meu quarto.
_E quais foram os motivos?
Aurora mexe-se na cabeça e levanta lentamente a cabeça. Dá para ver que está com dores. Acho que exagerei na pancada. E não o teria feito senão fosse essa a vontade do Leo. Resisto à vontade que tenho de ir ter com ela e perguntar-lhe se precisa de algo. Não posso interferir. Devo permanecer calado e quieto para o bem dela. Assim que levanta a cabeça completamente, vejo que tem sangue na blusa. Ela precisava de pontos. Tinha mesmo exagerado na pancada. "Merda!".
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LEONARDO
Enquanto dirijo para o armazém, vou olhando para o retrovisor para garantir que ela não acorda antes do tempo.
Assim que chego, preparo uma cadeira, no centro, e algumas cordas. Abro a porta do carro. Ela é linda! Agora que estou a poucos centímetros dela e que posso ver bem as suas feições, compreendo porque despertou o interesse do Zane. Pego nela ao colo e coloco-a na cadeira. Amarro-a e certifico-me que está bem presa. Sento-me no sofá, que estava em frente dela e observo-a. "Tenho de saber mais sobre ela". Ouço os passos do Zane atrás de mim.
_Só sei o nome. Aurora.- Diz-me.
Digo o nome dela mentalmente devagar, vasculhando a minha mente. "AU-RO-RA". Porém, o seu nome não me diz nada.
Aurora mexe-se na cadeira. Começa a acordar.
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