Cap. 20 - Relembrar o Passado

1171 Words
----- CATARINA _ Eu sei Dona Catarina, mas Leonardo sempre acaba por me afastar. Eu não sei o que mais posso fazer. _ Que tal dares uma distância, Georgia?! Os homens tendem a querer aquilo que não podem ter. _ Já tentei. Não resulta. Ficou dias sem falar comigo, nem mesmo uma mensagem. Acabei por ser eu a procurá-lo... novamente. - Confessa-me cabisbaixa. Como mulher, sinto que devo dizer a Georgia para procurar o amor em outro lugar, porque não tenho dúvidas de que o meu filho apenas se está a aproveitar dela. E o termo "aproveitar" nem é bem o certo a se aplicar nesta situação. Para todos os efeitos ele sempre demonstrou e, até mesmo, disse várias vezes que não a queria como sua mulher. Georgia para ele é apenas um meio de se satisfazer. Um meio que se mostra sempre disponível para ele. Como mãe do líder da máfia, sei que o meu filho precisa de alguém, a seu lado, que o venere, que atenda as suas necessidades e que esteja disposta a sacrificar a sua liberdade pessoal por ele. Precisa de alguém que seja calculista, fria e inteligente, para que ninguém ponha em causa o seu papel de chefia. Alguém que permita a continuidade da linhagem... Georgia preenchia esses requisitos, assim como eu preenchi quando me casei com o meu falecido marido. *Memória* Eu andava na faculdade, quando numa tarde de Primavera, esbarrei nele a caminho de uma gelataria. Ía distraída, a ouvir música com o meu Walkman pendurado no meu vestido, e a dançar alegremente. Não reparei nele, ali mesmo à minha frente, e acabei por tropeçar nele. Bati com os meus joelhos no chão e esfolei-os. As feridas ardiam. Carinhosamente, ele baixou-se e, com o seu lenço, limpou-me o sangue dos joelhos. Eu agradeci e levantei-me com a sua ajuda. _ Está bem, menina? - Ele parecia ser uns seis anos mais velho que eu. _ S-sim! Obrigada. - Estava envergonhada com a minha falta de atenção. _ Onde ía tão divertida? _ Comer um gelado. Está imenso calor! - Respondi, agarrando nos livros e no meu estojo, que me tinham caído da mão. _ Posso oferecer o gelado? _ Sim! - Estava contente pela oferta. Ele era muito lindo e muito apresentável. Fomos comer o gelado e, apartir desse dia, nunca mais nos largamos. Eu estava quase a concluir a faculdade e já tinha escolhido uns quantos sítios onde gostaria de trabalhar, apesar de não ser fácil para uma mulher conseguir um cargo como chefia. Era uma das poucas mulheres no curso, por algum motivo. Chegava a casa, depois de uma tarde de testes quando vejo um carro preto, estacionado na minha rua. Assim que entro em casa, percebo que alguém falava com o meu pai na cozinha, mas não cheguei a ver quem era, porque a minha mãe rapidamente, notando a minha presença, fechou a porta da cozinha. Dei de ombros e fui para o meu quarto para estudar mais um pouco. _ Querida, posso? - Era o meu pai, a pedir permissão para entrar. _ Sim, pai. _ Não desces para jantar? Já viste as horas? _ Na verdade, não. Estudava um pouco... distraí-me. _ Filha, eu preciso de falar contigo. _ Precisamos. - A minha mãe junta-se a nós. _ Catarina, sabemos que tens andado a namoriscar com um rapaz. _ Pai, eu ía contar... - Digo embasbacada. Aquilo era mau. O meu pai apesar de ser bastante tolerante para a época, ainda era rigoroso em certos aspetos. O namoro era um deles. _ Calma, minha filha... O seu pai e eu não te queremos dar uma bronca. _ Filha, és tão boa menina! Mas temo que aquilo que queres para o teu futuro, te vá ser negado. O mundo ainda não está preparado para assumir uma mulher no poder. _ Pai, eu realmente não quero voltar a discutir sobre o curso. _ Não vamos! - Interrompe rapidamente o meu pai. - Pediram-me a sua mão em casamento. O rapaz com quem tens saído. _ E o seu pai aceitou. - Finaliza a minha mãe, toda animada. Eu também fiquei animada. Eu gostava dele e sempre era divertido o tempo que passava com ele. Concluir a faculdade já não era uma meta. Os meses seguintes foram ocupados com preparativos para o casamento. Toda a cerimónia foi deslumbrante. O meu rosto doía de tanto sorrir. Partimos em lua de mel, após a cerimónia. Regressamos apenas um mês depois e com a notícia de que um bebé viria. Foi só a partir daí que me dei conta do que realmente o meu marido fazia da vida e da importância da escolha que o meu pai fez para mim. Ingénua, vi naquilo tudo uma oportunidade de chefiar lado a lado com o meu marido. *Fim da Memória*  _ Dona Catarina! A senhora está a ouvir o que lhe estou a dizer? - Não ouvi uma única palavra, perdida nos meus pensamentos. _ Sim, querida. Claro que sim. - Menti. - E se eu prometer que te ajudo a conquistares o meu filho? _ Eu ficar-lhe-ia muito grata. A senhora sabe o quanto eu gosto do seu filho... Eu faria de tudo para que ele fosse feliz. _ Eu sei, querida, eu sei... és a mulher ideal para o meu Leonardo. - Acredito nisso! Georgia levanta-se, dá a volta à mesa da pastelaria onde lanchávamos, e abraça-me fortemente. Retribuo o gesto. _ Agora senta-te! Temos que pensar no que vamos fazer. - Digo-lhe, determinada a sair dali com um plano. ----- AURORA Arrumava as minhas poucas coisas na mala, enquanto contava algumas coisas para Clara. Havia muito que não podia contar, então falava com cuidado, pensando muito bem, antes de falar. _ Como eu gostava de lá ter estado para assistir a essa cena. - Ela falava relativamente à luta que eu tinha tido. _ Não é assim tão engraçado quando participamos nela. _ Oh, cala-te! A minha amiga é badass! A-DO-RO! - Diz a rir. Também eu caio na gargalhada. - Aurora, descobriste alguma coisa sobre o Zane? - Muda de assunto. "Agora, sim, estou num sarilho! Como lhe posso responder a isto?" _ Clara, eu ainda não pude descobrir grande coisa. Zane é amigo de Leonardo e trabalha para ele, mas não sei até que ponto está envolvido nos seus esquemas... mas, ele parece ser boa pessoa. Consegui conversar um pouco com ele. _ Vocês conversaram? _ Sim. Ah! E a propósito... - Aproximei-me dela e dei-lhe um beijo demorado na bochecha. - Zane pediu-me para te dar um beijo, apesar de ter quase a certeza que não era bem um destes a que ele se referia. - Pisquei-lhe o olho. Toda animada, Clara distraiu-se com o telemóvel e eu pude evitar mais perguntas, inclusive durante o jantar. Após lhe garantir que ela não iria deixar de me ver e que falaríamos todos os dias, mandei mensagem para Zane para que me viesse buscar e parti para a minha nova casa.
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