02 Scarlett

1396 Words
Caminho para fora do banheiro me sentindo um pouco mais leve e me acomodando novamente ao balcão do Barman. — Me veja outra bebida daquela, s*x on the Beach o nome dela. — Sorri gentilmente para ele que devolveu o sorriso. Pouco tempo depois, o Barman deslizou minha bebida pela bancada em minha direção. Novamente provo um gole da bebida e meus olhos giram. Que delícia. O rapaz apoiou seus braços na bancada. Ficou me olhando apreciar minha bebida com um sorriso achando muito engraçado me ver tão entusiasmada com um pouco de álcool. As pessoas não estavam mais tão interessadas em bebidas como quando cheguei. Tinham mais pessoas dançando e casais se pegando nos cantinhos escuros, alguns não estavam em cantinhos tão escurinhos assim. — Qual o seu nome? — Questionei. — Léo. O seu é... — Respondeu em um tom de voz que me pedia para completar sua fala. — Scarlett. — Respondi sorrindo. Léo é bem bonito, não que mude alguma coisa, mas ele é bem bonito. Pele muito bronzeada e um sorriso muito bem alinhado. Cabelo castanho claro, mas com um tom loiro nas pontas bem artificiais como se não fossem naturais mas também não pareciam pintadas propositalmente. — Você é surfista? — Questionei. — Sim, eu sou. — Ele me olhou com as sobrancelhas franzidas, como se estivesse surpreso. — Como você sabe? Eu tenho cara de surfista? — Tem um pouco. Mas é que meu irmão mais novo também surfa, aí não sei... Eu só vi semelhanças. — Dei de ombros. — Irmão mais novo. — Pensou alto. — Quantos anos ele tem? Desculpa pela pergunta, é porque você quem tem cara de ser a irmã mais nova. — Ele riu pelo nariz. — Na verdade eu tenho 22 anos. Meu irmão vai fazer 18 daqui a alguns meses. Léo me encara sorrindo. Por um tempinho me sinto desconfortável, mas depois de um tempinho não me permito me sentir desconfortável. — O que foi? Meu rosto está sujo? — Limpo meu rosto com as mãos e ao mesmo tempo procurando um espelhinho na bolsa. — Não! Não! — Gargalhou em seguida. — Eu só te achei bonita. — Ah... Obrigada! — Forcei um sorriso. — Na verdade, eu não... Eu estava procurando uma forma gentil de falar que eu não estava interessada romanticamente nele, mas não me vinha nada legal para falar. — Eu sou gay. Elogiei você inocentemente, é só uma gentileza, Scarlett. — Ele forçou um sorriso como se fosse óbvio, mas gargalhou em seguida. — Ah, merda! Desculpa, é que hoje em dia nem ao menos podemos ser simpática com os homens que já acham que estamos interessadas, entende? — Me recuso a acreditar que os homens flertam com as mulheres apenas chamando elas de "bonita", que sem graça. Nenhum discurso bem elaborado. — Léo fez uma careta. — Acredite, apenas chamar uma mulher de bonita e achar que estão fazendo muito, é o menos pior. Os homens hoje em dia estão evoluindo de uma maneira bem pior. — Pensei alto ao ligar a tela do celular para checar a hora e vê 27 ligações do Castiel. O nome de contato ainda estar como "Amor" me corrói por dentro, ainda não tive coragem de apagar o contato dele. — Como assim? Eu devo estar um pouco mais bêbada, pois contar sobre minha vida para estranhos não é algo que eu costumo fazer quando estou sóbria. — Alguns homens fazem de tudo para conquistar você por longos anos, te fazem serenata e fazem um discurso bem elaborado como você falou. Te pedem em casamento. Não dão importância para a diferença financeira dela para a dele. Não dão importância para os boatos de familiares fofoqueiros que dizem que ela é interesseira e só está com ele por interesse. Mas, como já está na personalidade do homem, te trai com a primeira gostosa que aparece na frente dele. Léo me encara como se estivesse procurando as palavras. — Porra... Isso foi muito específico. — Fora que tentamos insaciavelmente ser boa o bastante para ele... Ser a esposa perfeita... — As lágrimas brotam em meu rosto. Léo me olha assustado e sem esboçar nenhuma reação, como se ele nem mesmo tivesse uma reação para esboçar. — Scarlett! Mas que merda... Você bebeu demais. — Britney aparece ao meu lado segurando meu rosto em suas mãos e o analisando. — s*x on the Beach. Viciante! — Sorri irônica. — p***a! — Esbravejou. — Quanto devo? — Deve ter questionado para Léo. — 230 apenas. O restante é cortesia da casa. Sinto o olhar de Britiney queimar sobre mim. — Você bebeu tudo isso? — O seu tom autoritário tentava me repreender. Nem eu mesma notei que bebi tudo isso só enquanto conversava com Léo. — Usa meu cartão de crédito, está na minha bolsa. Boa noite, Léo. — Levantei e saí quase me rastejando, ignorando totalmente a bronca que Britiney me dava enquanto eu me afastava. Caminho até estar fora daquele lugar e vou em direção ao carro. Marley está encostado e quando me vê abre a porta de trás para mim. — Valeu. — Digo já entrando e me acomodando no banco de trás. Marley também entra no carro e ficamos esperando Britiney, acho eu. Sim, obviamente estamos esperando a Britiney. — Se eu soubesse, não teria contado para a Brity. — Ele quebra o silêncio. — O que? — Sobre a reserva no hotel, eu jamais teria contado para a Britiney da forma que contei. Eu realmente achei que seria uma reserva para vocês dois. — Tudo bem Marley. Você não precisa se desculpar por isso, na verdade eu quem agradeço. Se não fosse por você, eu nunca teria descobrido o quanto o Castiel me fez de i****a. — Eu sei. Mas me sinto culpado. — Mas não deveria, você não tem culpa. Britiney entra no carro e se acomoda no banco do passageiro. — Você está bem, Scarlett? — Questionou. — Não sei, estou bêbada. Tudo fica bem melhor do que realmente está, quando estamos bêbados. — Profundo. — Brity Ironizou. Marley dirigiu até a casa de Britiney. Enquanto eles ficaram se pegando no carro, entrei dentro de casa. Tomei um banho gelado. Foi estranho, nas poucas vezes em que me embebedei, era Castiel quem me ajudava a tomar banho e a me vestir. Era mais divertido com ele. Agora, tenho que fazer tudo sozinha. Deitei na cama e dormi. Foi o sono mais tranquilo em toda a minha vida. Levantei de manhã cedo e fui até a cozinha. Abri a geladeira e peguei o que eu queria, eu sou de casa. Quando olho para a porta da cozinha, noto Britiney escorada no batente da porta me encarando com uma expressão receosa. — Bom dia. — Cumprimento desconfiada. Ponho a mão na cabeça logo em seguida. Que merda de dor de cabeça!! — O que está acontecendo, Britiney? Por que está me olhando com essa cara? — Questionei quando ela não parou de me encarar brincando com o nó dos dedos, mexendo no cabelo ou fazendo qualquer coisa para descontrair o seu nervosismo. — Britiney... Você falou alguma coisa para alguém sobre o seu divórcio? E... Um pouco mais afundo? — Britiney estreitou os olhos em minha direção. — Que pergunta, Britiney! Eu... — Mordi os lábios e descansei os braços na mesa com a cabeça baixa. — Só com umas mulheres na boate ontem. E o Léo... Indiretamente. Britiney colocou as mãos na cabeça e saiu andando de um lado para outro. — O que foi? Qual o problema? — Questionei assustada. — Você não é mais uma mulher qualquer, Scarlett. Você não pode sair desabafando os podres da sua vida para qualquer pessoa. — Mas o que houve? — Meu coração já estava quase saindo pela boca. — Elas eram repórteres, jornalistas. Eu não sei, dane-se também. — Saiu andando em círculos mais rápido ainda, com as mãos na cabeça. — Fizeram uma reportagem comentando sobre tudo o que você falou e o pior... Ainda tem gravações de você falando tudo! O pior de tudo é que não é só disso que estão falando... Acredite, tem coisas bem mais piores. — Britiney gritou. — Esta merda está em todos os jornais. — Gritou ainda mais alto. — Merda... — Caí sentada no chão sem saber como reagir.
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