Capítulo 04

747 Words
Ananda A garrafa continuava girando sobre a mesa improvisada, rodopiando lentamente até apontar novamente pra mim. — Verdade ou desafio? — Khalil perguntou, os olhos escuros brilhando de malícia. — Desafio — respondi firme, cruzando os braços, tentando não demonstrar medo. Ele sorriu, como se já tivesse planejado algo. — Quero ver você encarar o Tzão ali — disse, gesticulando pra Tzão — e fazer três perguntas que ele tiver que responder sem mentir. — Tá de s*******m — falei baixo, mas ele riu, satisfeito. — Fresquinha, lembra? Mas coragem não te falta, Barbie — Peixe comentou, e Tzão gargalhou. Respirei fundo e me aproximei de Tzão, sentindo o olhar de Khalil me acompanhando, analisando cada passo. Ele não tirava os olhos de mim, e confesso que aquilo me deixava desconfortavelmente animada. — Primeira pergunta: qual foi a maior besteira que você já fez? — perguntei, tentando soar confiante. Tzão deu de ombros. — Ah, isso é fácil… A brincadeira continuou, e com cada resposta, Khalil ria, mas de um jeito diferente, como se ele estivesse avaliando mais do que só as respostas. — Agora é a sua vez, Barbie — ele disse de repente, a voz baixa, provocante. — Verdade ou desafio? — Verdade — respondi, encarando-o firme. Ele se aproximou, só o suficiente pra sentir o calor da minha presença, e sorriu de lado. — Já se arrependeu de alguma coisa que falou sem pensar? Revirei os olhos. — Quem nunca, né? Mas pelo visto, você acha que me conhece muito bem pra falar isso. Ele riu, baixinho, os olhos brilhando de uma forma que me fez corar. — Talvez eu precise conhecer melhor… — disse só pra mim, com aquele tom que misturava provocação e curiosidade. Peixe e Tzão trocaram olhares e riram, mas Laís cutucou meu braço. — Vai, Ananda… não deixa ele te enrolar. O resto do barzinho improvisado continuou entre risadas, desafios e provocações, mas de algum jeito, entre as brincadeiras, eu senti que começava a fazer parte daquele mundo. E, por mais que me irritasse, Khalil parecia gostar de testar minha coragem… e eu, inconscientemente, gostava disso também. Depois do desafio com Tzão, senti que uma parte de mim começou a relaxar. O barulho do funk, o cheiro de churrasquinho, e até as provocações começaram a parecer… divertidas. — Tá vendo, Barbie? — Khalil disse de longe, cruzando os braços, o sorriso torto no rosto. — Não é tão r**m assim. — Ainda tá me zoando — retruquei, rindo de leve, e percebi que ele arqueou a sobrancelha, desafiador. Peixe e Tzão vieram me chamar pra sentar com eles numa mesa de plástico. — Bora jogar conversa fora — Peixe disse, abrindo mais uma latinha. — Quero ouvir as histórias da “patricinha do morro”. — Patricinha do morro? — Tzão riu, cutucando minha mão. — Não sabia que iam me dar um apelido oficial tão rápido. — Eu ainda tô me adaptando — falei, rindo junto, sem conseguir evitar. — Vocês nem me conhecem direito. — Ah, mas a gente percebeu algumas coisas logo de cara — Peixe falou, com aquele sorriso tranquilo. — Tipo… você é corajosa pra caramba. — E fresca também — Khalil jogou de repente, e eu revirei os olhos. — Fresca nada! — retruquei, firme. — Você nem me conhece direito pra falar isso! Ele deu um passo mais perto, só o suficiente pra me fazer sentir o calor dele, e sorriu de lado. — Tá, tá… talvez eu precise conhecer melhor — disse com aquele tom provocador que me fez corar. A química entre nós dois era quase elétrica. Eu queria manter a pose, mas o jeito que ele me olhava, com aquele sorriso de malícia, me deixava desconcertada. Enquanto isso, Peixe e Tzão continuavam me perguntando sobre minha vida, rindo das minhas respostas e me fazendo sentir parte do grupo. Pela primeira vez, eu percebi que não precisava ser perfeita, ou da cidade, ou de outro mundo. Aqui, minha coragem e minhas respostas rápidas já eram suficientes pra me colocar no jogo. Laís me cutucou de leve e sussurrou: — Tá vendo? Já tá se entrosando. Mas cuidado com o Khalil… ele adora provocar. Sorri, sem saber se era um aviso ou um desafio. Mas, de repente, senti que esse novo mundo — o morro, os amigos da Laís, até Khalil com toda a malícia dele — podia ser o meu lugar. E, no fundo, eu já queria que fosse.
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