Rafael.
Os fracos raios de sol invadem a suíte através da fina cortina de seda e esse é o sinal que o dia está amanhecendo.
Um cheiro forte e marcante de whisky misturado com charuto cubano ainda está presente em cada canto da suite e nossas roupas ainda estão espalhadas pelo chão do quarto.
Giovanna dorme um sono profundo bem ao meu lado, ela ainda está nua e as marcas da noite passada ainda são visíveis em boa parte do seu corpo. A mulher que está deitada bem ao meu lado é uma "colega" de longa data e eu e ela temos um caso há mais de cinco anos e eu posso afirmar com certeza que esse é o melhor "relacionamento" que eu já tive em toda a minha vida. A Giovana não me cobra absolutamente nada, entende que o meu trabalho é a minha prioridade e a melhor parte é que nos só nós encontramos quando ambos estão com vontade, simples!
Quando eu era mais jovem eu tinha uma visão de ridícula de como era um relacionamento saudável formada em minha cabeça e pra mim o casamento era totalmente essencial e eu queria muito ter uma família feliz é até uma casa cheia de filhos, mas por ironia do destino eu felizmente descobri no dia do meu casamento que a mulher que toda essa história não passa de uma invenção patética, até porque a v***a que dizia que amava dia após dia me traia com um dos caras que eu mais considerava na vida, o meu padrinho de casamento que também era o meu melhor amigo de infância. Desde esse dia eu descobri que esse sentimento maligno só nos faz afundar é hoje em dia essa é a última coisa que eu quero fazer.
Paro de encara-la e levanto meu braço olhando as horas no Rolex que tenho em meu pulso. Me levanto da cama no mesmo instante e me abaixo pegando as roupas que estão jogadas pelo chão do quarto, junto tudo em meus braços e vou diretamente para o banheiro na intenção de tomar um banho, já que eu tenho uma reunião muito séria na delegacia com os meus superiores.
Eu tomei um banho rápido e já saí do banheiro me vestindo com as minhas roupas e calçando os meus sapatos em um ato rápido. Quando eu entrei no quarto já completamente vestido eu me deparei com Giovana sentada na cama com um olhar meio que perdido e confuso em seu rosto.
- Você já está de pé? Ainda está tão cedo.- ela diz com a voz falha.
Caminho até minha pasta que está na mesa central da suite de hotel e a abro tirando a minha carteira olhando de volta pra ela.
- Eu tenho um assunto bem sério pra resolver lá na delegacia. Me diz logo de quanto você está precisando pra eu já deixar o cheque assinado.- digo em um tom sério pra vê se ela não rende o assunto já que o meu dia hoje será bem cheio e eu realmente não tenho tempo pra perder.
Ela tirou os lençóis de cima dela se levantando da cama, caminhou em passos largos até mim e parou bem na minha frente com um sorriso em seu rosto.
- Hoje eu queria que você ficasse um pouquinho aqui comigo, mas como eu sei que esse pedido não irá se realizar eu me contento com o que você me dá sempre.- ela diz em um tom divertido.
Abro a minha carteira tirando uma folha de cheque o assino no preço de sempre e entrego em suas mãos pra ela fazer o que bem entender com o dinheiro.
O meu relacionamento com ela é um pouco diferente dos demais, nos nós conhecemos em um site que mulheres mais jovens usam pra se relacionar com homens um pouco mais velhos e que podem oferece-la uma vida um pouco mais confortável, as pessoas chamam de relacionamento Sugar e eu sou eternamente grato a pessoa que inventou essa maravilha que facilita todos os dias da minha vida.
- A gente se vê a noite?- ela pergunta com apenas uma sobrancelha de pé.
Me viro guardando meus objetos em minha pasta e balança com a cabeça negando.
- Eu vou ter um dia muito cheio e vou tirar a noite pra descansar.- explico.
Ela da um passo a frente ficando mais próxima de mim e coloca sua mão em meu braço dando um sorriso fraco.
- Mas eu posso ao menos te ligar?- ela voltou a questionar me deixando um pouco sem paciência.
- Eu vou estar ocupado, mas caso eu precise te contatar eu mesmo te ligo ou peço pro meu assessor, okay?- a questiono com meus olhos sobre os seus.
Ela acenou com a cabeça mantendo o seu olhar sobre o meu e deu um passo a frente envolvendo as suas mãos em volta do meu pescoço e preencheu os meus lábios com um beijo caloroso.
- Mas não demora como da última vez, porque eu fico morrendo de saudades do você me fodendo!- ela exclama com um bem s****o em seu rosto e morde o lóbulo da minha orelha descendo a sua mão para o meu peitoral.
A Giovana é uma mulher ambiciosa, decidida e muito bonita e ela usa isso tudo ao seu favor, se ela fosse uma dessas meninas tolas que fica sentada esperando um príncipe encantado ela não teria tudo que tem hoje, nos cinco anos que estamos juntos eu já dei de um tudo pra ela e se ela for inteligente ela ganhará muito mais.
- Quanto eu estiver mais tranquilo eu te ligo.- digo com minha pasta já em mãos, me despeço dela rapidamente e saio daquele quarto indo diretamente para o elevador.
Eu me saí do hall do hotel depois que deixei tudo pago e fui direto para o estacionamento já entrando em meu carro e saindo dalí.
Eu tenho uma reunião bem séria logo cedo na delegacia sobre o novo caso que eu estou investigando, ou melhor, que eles praticamente me obrigaram a investigar.
Há umas três semanas atrás o maldito do meu superior jogou o caso de um governador que está envolvido com lavagem de dinheiro e caixa dois bem no meu colo. Se tem uma corja que eu odeio me envolver são esse bando de político corrupto, eu posso afirmar pra quem quiser ouvir que se meter com eles é a mesma coisa que se aliar ao demônio, a maioria dos políticos cometem tantos crimes por debaixo dos panos que qualquer um traficante se transforma em anjos ao lado deles.
Agora eu estou atolado até a cabeça de trabalho por causa desse novo caso e toda semana eu sou obrigada a reunir com os meus superiores pra deixá-los a par de todo caso já que é algo sério e muito importante por se tratar de um político tão conhecido, sendo assim eu não posso cometer erro nenhum, caso contrário a minha cabeça roda.
Desvio o meu olhar da avenida já de saco cheio de todo àquele trânsito tão cedo e ligo rádio em busca de algo que deixe a minha manhã mais calma.
Naquele mesmo momento enquanto eu mexia no rádio meu celular vibrou em meu bolso puxando toda a minha atenção, eu peguei o atendendo já que o trânsito está parado.
- Senhor Marques, todos já estão te aguardando de forma impaciente pra reunião e eu não sei até quando eu conseguirei seguralos....- a voz de José, o meu assessor, soou de um jeito afobado do outro lado da linha.
- Eu tentarei pegar um atalho, mas caso eu não chegue a tempo você pode entregar para o senhor Meireles uma pasta preta que está guardada dentro da primeira gaveta da mesa que há em minha sala...- eu lhe expliquei tudo, desliguei o telefone e peguei o volante entrando na rua da direita que há na avenida pra ao menos tentar chegar a tempo de dar uma explicação.
Eu entrei na rua sem me preocupar mesmo estando na contra mão e segui o meu caminho com cuidado pra não cometer nenhuma burrada.
Quando eu já estava quase chegando na delegacia o meu celular começou a vibrar sem parar me fazendo encara-lo e foi a conta de pega-lo e sentir o impacto do meu carro se chocando em outro me fazendo brecar no mesmo segundo.
- p***a!- exclamo batendo no volante com toda a minha força e irá.
Eu já saí do carro no gás e pronto pra derramar toda a minha irá em cima do primeiro ser que surgiu na minha frente, mas pro meu azar a pessoa que surgiu é o ser mais sem educação que eu já encontrei em toda a minha vida.
Eu a tal garota ficamos discutindo por um bom tempo no meio da rua e só paramos quando a polícia chegou pra resolver as pendências. No fim depois de muito bate boca nós concordamos em fazer um boletim de ocorrência e eu dei o braço a torcer e assumindo a culpa e concordei em pagar qualquer prejuízos do seu carro e obviamente do meu também.
Encaro aquela papelada lendo linha por linha pra vê se tudo está dentro dos conformes, vai que alteraram alguma coisa ou algo saiu errado.
- Então, está resolvido?- a voz daquela mulher sem educação soou chamando a minha atenção e eu desviei o olhar dos papéis a encarando já sem saco pra todo aquela situação.
A tal de Sophia está parada bem na minha frente com uma postura ereta, com uma cara de poucos amigos e eu vou ter que admitir que mesmo com essa carranca ela é uma jovem muito atraente, atraente até demais pra ser sincero.
Ela aparenta ter mais ou menos vinte anos, a sua pele é n***a, seus cabelos são extremamente cacheados e longos e o seu rosto é tomado por fortes e ao mesmo tempo um pouco angelical. Os seus olhos são grandes e negros, o seu nariz é pequeno e delicado, já os seus lábios são grandes e bem carnudos. O seu corpo é magro, mas é tomado por curvas, a sua cintura é fina, seus s***s são fartos, suas cochas grossas e a sua b***a é grande e redonda.
Se eu não estive com tanta raiva agora eu juro que eu pediria o seu telefone e talvez algo mais interessante.
Balanço a cabeça afastando aqueles pensamentos e volto a encara-la com seriedade.
- Sim, da próxima vez vê se presta um pouco mais de atenção na avenida pra não causas outro acidente.- respondo em um tom irônico tentando tirar a culpa de cima de mim.
- Claro, mas eu só farei se o senhor me prometer que irá respeitar todas as leis de trânsito e parar de dirigir como a avenida fosse sua.- ela respondeu nervosa já abrindo a porta do carro e entrou no mesmo batendo a porta do mesmo com força.
Paro bem em frente a janela do seu carro, cruzo os braços com meu olhar sobre ela e dou um sorrisinho regado de sarcasmo.
- Tenha um ótimo dia!- digo sendo o mais sarcástico possível forçando um sorriso.
Ela ligou o carro no mesmo segundo, se virou no banco me encarando pela janela e levanto a mão mostrando o dedo do meio pra ele.
- Enfia o seu "bom dia" irônico aonde não bate o sol!- ela respondeu em um tom muito nervoso e arrancou o carro saíndo cantando pneu e aquilo me fez rir com vontade.
Balanço a cabeça ainda dando risada e abaixo a mão pegando as chaves no meu bolso e caminho até o meu carro abrindo a porta da mesmo. Os danos no carro foram apenas superficiais e como eu ainda tenho que trabalhar o resto do dia eu terei que dar um jeito nessa bagunça depois que tudo estiver resolvido.
Estaciono o carro na vaga de sempre em frente a delegacia e saio do mesmo com a minha pasta nas mãos. A minha primeira imagem foi o José, o enjoado do meu assessor.
- A reunião foi cancelada, mas eu dei um jeito de contornar toda a situação para o senhor.- ele abre a boca eu ao menos perguntar algo.
Passo por ele sem dizer uma palavra se quer e suspiro tentando manter a minha calma pra descontar o estresse no José, o coitado é um funcionário um tanto quanto exemplar, mas por outro lado ele é um verdadeiro saco.
- O senhor bateu o carro?- ele exclama me questionando fazendo com que a paciência que eu já não tinha sumisse.
Paro bruscamente me virando pra ele e o encaro sem paciência pras todas as suas perguntas idiotas.
- Não José, eu enfiei o carro no muro apenas por diversão!- respondo já um "pouquinho" alterado.
Um sorriso amarelo se formou em seu rosto e ele deu um passo pra trás meio que sem graça com aquilo.
- Eu vou pra minha sala porque eu tenho bastante explicações pra dar para os supervisores. Eu não quero que ninguém me incomode e me traga um café preto é forte, por favor!- digo tudo de uma vez e dou as costas indo direto para a minha sala sem olhar para os lados.
Fecho a porta atrás de mim tirando o meu terno, caminho até minha mesa e puxo a minha cadeira me sentando já abrindo o meu notebook porque eu tenho tantas explicações a responder ao meu superior nesse momento.
- Okay doutor Meireles, se surgir algo novo no caso eu te deixarei a par sem sombra de dúvidas.- digo por fim e me despeço já finalizando a reunião por vídeo chamada.
Levanto o meu braço pra vê as horas em meu pulso, me levanto e pego um maço de cigarro que estava guardado no bolso do meu terno.
Abro a porta da minha sala saindo da mesma e caminho com rapidez com a intenção de não ser incomodado por ninguém, até porque isso é o que as pessoas dessa delegacia faz de melhor.
- Senhor Marques?- José para bem na minha frente falando em um tom alto e de um jeito espalhafatoso.
Aperto o maço de cigarro em minhas mãos, suspiro irritado e aceno com a cabeça esperando por alguma idiotice sair da sua boca.
- O senhor tem uma reunião em vídeo chamada marcada as quatro horas da tarde e eu gostaria de saber se o outro compromisso pode ser remarcado pra amanhã?- ele pergunta com os olhos vidrados naquela agenda digital.
Enfio a mão no bolso parando de olha-lo e balanço a cabeça respirando bem fundo pra tentar organizar toda essa rotina maluca dentro da minha mente de alguma forma.
- Remarque o compromisso com os agentes para amanhã bem cedo e por favor me lembre de enviar o relatório do antigo caso para o doutor Queiroz e antes que eu me esqueça, compre o meu almoço naquele restaurante que eu gosto e traga o de sempre.- explico tudo a ele, dou um tapinha fraco em seus ombros e passo por ele indo por fim até a parte externa da delegacia pra fazer uma ligação importante e fumar um cigarrinho pra acalmar os ânimos que estão a flor da pele.
Enfio a mão no bolso pegando o meu celular, disco o numero de um amigo que é investigador federal e aproximo o aparelho da orelha já ascendendo o meu cigarro. Eu fiquei preso naquela ligação por cerca de vinte minutos em busca de uma parceria um pouquinho confiável pra esse novo caso e quando eu me despedi do meu colega a minha primeira visão foi de um certo alguém parado bem em frente ao meu carro com uma expressão de tanta surpresa estampada em seu rosto.
- Você pode me explicar o que está fazendo parada aí?- pergunto em um tom mais sério que eu gostaria.
Ela ficou completamente estática ao ouvir a minha voz e ao levantar a cabeça e ao me vê o seu rosto ficou completamente sem reação.
- Eu sou estagiária na delegacia, você está me perseguindo?- ela pergunta gaguejando e com a voz falha.
Olha como o mundo é pequeno, talvez o meu dia não esteja tão r**m quanto eu imaginava, mas quem sabe o dela não fique um pouquinho pior pra ela aprender o básico sobre educação.
Ela se manteve de pé alí e com uma expressão tão engraçada em seu rosto, como se eu fosse um fantasma ou algo bem pior.
Me afasto da parede cruzando meus braços e foi impossível não sorrir ao ouvir aquelas palavras saindo da sua boca.
- Eu sou o delegado responsável por essa delegacia!- digo olhando em seus olhos e um sorriso sarcástico e irônico brotou em meus lábios.
Ela ficou completamente calada no mesmo momento e desviou o olhar de mim como quem está procurando as palavras exatas pra esse momento.
- Quem diria em? O mundo realmente é muito pequeninho!- digo mantendo aquele sorriso em meu rosto.
Ela cruzou os braços e eu pude vê-la revirando os olhos com uma feição de impaciência em seu rosto.
- Fatalidades acontecem, se o senhor me permitir eu tenho muito trabalho a fazer e não posso perder tempo com coisas banais.- ela respondeu com um sorriso fraco em seu rosto, mas o tom da sua voz é tanta raiva que me faz ter vontade de gargalhar.
Dou um passo a frente descruzando os braços e aceno com a cabeça dando o espaço pra ela passar.
- Tenha um ótimo dia!- digo naquele mesmo tom de antes e ela me lançou um olhar mortal enquanto passava ao meu lado.
Ela continuou caminhando em passos duros e entrou pela porta da delegacia sem olhar pra trás com seu corpo bem ereto e com aquela postura seria.
Quando o José chegou na delegacia com meu almoço em mãos eu também entrei e fui direto pra minha sala e alí eu permaneci trancado o resto do dia trabalhando.
Fecho o notebook assim que sua tela fica preta, o guardo na minha pasta de mão juntamente com alguns papéis e documentos. Me levando pegando as minhas coisas e saio de trás da mesa caminhando em direção a posta, abro a mesma saindo dalí e graças aos céus eu liberei o José mais cedo, porque se não ele com certeza estaria bem aqui nesse exato momento enchendo meu saco com a sua falação.
Caminho em meio a todas as mesas que nesse horário já estão bem vazias por conta da troca de turno, saio pela porta principal e caminho até o carro tirando as chaves do bolso, desativei o alarme entrando no mesmo e coloco o cinto ligando. Quando eu já estava pronto pra sair dalí uma certa pessoa chamou atenção, a tal da Sophia está entrando em seu carro nesse mesmo momento, mas parece que meu olhar chamou sua atenção porque ela olhou diretamente pra mim. Ela sustentou o contato visual por algum tempo, mas em um certo momento ela revirou os olhos, uma feição de tédio se formou em seu rosto e ela quebrou todo nosso contato visual batendo com a porta do seu carro e em questão de momentos ela arrancou o carro saíndo dalí com rapidez.
Balanço a cabeça soltando um suspiro daqueles bem profundos, pego o meu celular em meu bolso já entrando na lista de contatos e aperto o primeiro nome da minha lista de contatos sem pensar em mais nada, eu só quero um pouco de descanso e relaxar.
- Oi meu amor!- Amanda, uma velha "amiga", atende no primeiro toque.
- Você pode me encontrar essa noite? Eu tô com a cabeça cheia de coisas do trabalho e tô precisando me acalmar e relaxar um pouco.- digo sendo curto e muito direto.
Ela aceitou de primeira, nos logo nós despedimos com o encontro marcado e eu guardei o celular novamente com mais tranquilidade por saber que essa noite eu terei o mínino de descanso.
Ligo meu carro apertando o botão já que ele é automático e coloco as mãos no volante arranco o carro já saindo da vaga, naquele mesmo momento um pequeno detalhe do carro chamou a minha atenção, um amassado bem pequeninho na lataria e a primeira imagem que veio em minha mente foi o rosto daquela mulher com aquela feição de desaforo, eu tenho certeza que se ela se portar assim no trabalho ela não irá durar tempo nenhum, eu mesmo farei questão de coloca-la no olho da rua e tira-la do meu caminho sem pensar duas vezes.