MORTE NARRANDO CONTINUAÇÃO.. A porta do hotel rangeu como se reclamasse da minha presença. O quarto era pequeno, velho, com cheiro de cigarro no colchão e lençol áspero, mas pra mim… parecia um trono. Depois de anos de concreto frio e grade enferrujada, qualquer cama que não fosse feita de pedra era luxo. Joguei o corpo cansado sobre o colchão, sentindo os músculos relaxarem pela primeira vez em muito tempo. Sangue seco escorria pela lateral do meu abdômen. A costura do corte tinha aberto na fuga, mas eu tava vivo. E isso já era muito mais do que muitos que ficaram lá. Abri a torneira do chuveiro. A água caiu gelada. Não reclamei. Deixei que escorresse por mim como se levasse embora cada segundo da prisão. As mãos tremeram um pouco quando passei sabão no corpo. Era como esfregar anos

