MORTE NARRANDO Quinze dias. Foi isso que o guarda me disse. Quinze dias e eu saía daquele inferno. Quinze dias pra respirar o ar de fora sem que o fedor de urina, sangue e suor me enchesse as narinas. Quinze dias pra voltar a ser o Morte que o mundo conhece. O que anda com os olhos firmes e a mente afiada, não esse bicho engaiolado que só late por entre ferro. Mas nada em cadeia vem fácil. Todo dia é teste. Todo dia é alguém querendo o trono. Na cela, Gordo roncava como um porco. Nenzinho tava sentado no chão, mexendo nas cartas do dominó. Eu tava encostado na parede, o olhar preso no corredor vazio, pensando em tudo. Pensando na mentira do Larva. Pensando na menina da voz doce que atendeu o telefone. Pensando no que me aguardava do lado de fora. Foi aí que entrou o novo. O nome del

