Consentimento

2286 Words
Gisella melhorou seu humor conforme os dias foram passando e se esforçou para se adaptar a sua nova realidade. Ela tinha tantas aulas que m*l sobrava tempo para manter algum hobby ou distração. Aulas de balé, teatro, canto, dança, etc… Não reclamava das aulas porque gostava de boa parte delas, mas toda aquela pressão para ser perfeita e nada menos que perfeita, a estava cansando. Se esforçava ao máximo para se dar bem com a madrasta, mas ela insistia em permanecer fria e indiferente em relação as investidas da princesa. Willard estava sempre ocupado e Melynda também, de forma que Gisella, quando tinha algum tempo livre, ficava apenas em companhia das pixies ou sozinha. Sem muita opção, fez um esforço para se aproximar de Stephanie e Eulina, embora Eulina tenha se mostrado desconfiada no início, logo acabou acreditando na mudança de comportamento daquela que, um dia, fora sua inimiga. As três até se divertiam juntas e Gisella descobriu que tanto Stephanie quanto Eulina eram mais simples do que aparentavam. Eulina, mesmo sendo rica, era bondosa e ajudava Stephanie como podia, dando-lhe vestidos, levando-a ao salão de beleza e até em festas luxuosas.                                                                                † † †     Svartalfheim…  Ava estava pintando o retrato de menino que estava preso em uma jaula chorando. Ele era muito bem alimentado com leite e doces, mas sentia falta dos pais. A casa que a elfa habitava, na verdade, era um barracão imundo caindo aos pedaços. Ratos corriam livremente se alimentando das sobras de doces, morcegos descansavam no teto, pois a “casa” era m*l iluminada, e um cheiro, ora podre, ora doce exalava no lugar. — Estou quase acabando, doce criancinha. — Falou Ava sorrindo, sombria. — Vai me deixar voltar para casa? — Perguntou o menino de três anos, um elfinho fofinho, com bochechas rosadas, que agora, estavam sujas de açúcar e vermelhas porque ele não parava de chorar. “Nem pensar, está gordinho e parece delicioso”, pensou a elfa com água na boca. A porta principal se abriu ao ser chutada com força e Ava apanhou seu punhal e se preparou para enfrentar quem quer que surgisse. Para seu espanto, quem veio foi quem menos esperava ver naquele instante porque acreditava que havia se livrado dela. — Impossível. — Disse Ava. — Você está morta! Sua alma deveria ter desaparecido! Acredita-se que os djins quando morrem, não reencarnam e se perdem no esquecimento, deixando de existir. — Estou viva, mas não graças a você! — Falou Dilek se aproximando. — Mas como? — Perguntou Ava tentando entender como aquilo acontecera. — Mesmo ferida, consegui m***r todos aqueles guardas infelizes e obriguei o último a tirar aquela porcaria do meu pescoço. Uma vez com meus poderes, me curei e me teleportei para longe daquele inferno. Está surpresa? — Dilek sorriu. — Sou uma sobrevivente desde que me entendo por gente, mas não vou contar a história da minha vida para você. Rápida, Ava se virou e quis fugir pelos fundos, mas deu de cara com Dilek. — Não pode fugir de mim. — Falou Dilek. Ava tentou feri-la com o punhal, mas este a atravessou como se ela fosse feita de ar. — Também não pode me ferir. — Falou Dilek antes de agarrar o pulso de Eva e tomar dela o punhal. Ava ainda resistiu, mas Dilek não precisou de muito esforço para vencê-la já que era uma assassina profissional. Cortou a garganta da elfa e a observou agonizando. Não pode evitar que um sorriso brotasse de seus lábios, pois a vingança era doce. Depois que a elfa morreu, a djinn se virou e quando se aproximava da porta para deixar aquele lugar ouviu o menino soluçando. Se virou e o encarou. O menino se encolheu, assustado. Dilek abriu a gaiola, usando seu poder de telecinesia e quando o menino deixou a gaiola, desconfiado, a djinn moveu a mão, fazendo com que ele aparecesse em Bellanandi, o lugar ao qual ele pertencia. Assim que Dilek deixou a casa, esta se consumiu em chamas.                                                                                         † † †   O dia das mães se aproximava e uma das professoras propôs uma atividade aos alunos onde eles fariam uma apresentação pública ao lado de suas mães. Mesmo parecendo meio bobo e infantil, Gisella sabia que todos no reino feérico davam muito valor a família e sempre que podiam, adoravam demonstrar isso. O único problema era que a única mãe que Gisella conhecia era justamente sua “não sogra”, Evin, mas achava que se trouxesse a elfa para a apresentação no dia das mães, magoaria sua mãe fada. Aquela apresentação parecia tão especial, mas Gisella não tinha nenhuma i********e com sua mãe fada, então, como faria qualquer coisa com ela? Talvez, fosse hora de conhecê-la melhor. Gisella conversou com seu pai quando voltou para a casa a respeito da apresentação escolar e disse que, por isso, achava uma boa ideia se aproximar de sua mãe. Willard temia que sua filha piorasse justamente quando obtivera uma melhora significativa, por isso, propôs que ela apresentasse o trabalho com Miranda. — Será uma boa forma de as duas se reaproximarem, além do mais, Miranda também é como se fosse a sua mãe. — Falou Willard. — Mas minha mãe não se aborreceria com isso? — Perguntou Gisella. — Ela nunca deu tanta importância a atividades colegiais. Não se preocupe com isso, querida. — Falou Willard. — Mas o que eu poderia apresentar com Miranda? — Gisella perguntou. — Vocês podem cantar ou… Você pode cantar e ela tocar piano. Miranda é uma excelente pianista! — Falou Willard e sorriu. — E você, até onde me lembro… Costumava ser uma boa cantora. — Você disse bem… Costumava. — Falou Gisella. — Você não perdeu nenhum de seus dons. Acredite? Eles apenas estão adormecidos, esperando até que você decida dar uma segunda chance a eles. — Willard falou. Quando Gisella propôs a Miranda que participasse da atividade do dia das mães com ela, Miranda achou que fosse uma piada e riu. — Entenderei se não aceitar, mas seria uma honra para mim que a senhora aceitasse. — Está mesmo falando sério, garota? Se essa for mais uma de suas piadas… — Disse Miranda, irritada. — Por favor, senhora? Peço que não me compare mais a quem eu costumava ser quando todos me chamavam de Maria porque aquela garota está morta. Sou Gisella! — Ela disse. — Não tenho tempo a perder com brincadeiras sem graça. — Se está dizendo… — Falou Miranda. — Mas e quanto a Valda? Não acha que ela se ofenderia se soubesse que você convidou a mim em vez dela? — Eu não sei. Não a conheço tão bem quanto deveria, ou, pelo menos, não me lembro… — Gisella deu de ombros. — Papai disse que não teria problemas, que ela nunca se importou muito com assuntos relacionados ao colégio. — Sim, de fato. Sua mãe é alguém… “Prática”.  — Falou Miranda, mas se tivesse dito o que realmente pensava de Valda, assustaria Gisella e isso era tudo o que ela não queria, afinal, Gisella precisava de um lugar para ir depois que a rainha encontrasse uma forma de expulsá-la. Miranda aceitou a proposta de Gisella e as duas começaram a ensaiar. Miranda tocaria piano e Gisella cantaria uma canção composta por sua madrasta. Inacreditavelmente, o tempo em que passaram juntas amoleceu o coração da rainha e esta passou a achar a companhia da enteada, agradável. Gisella sentia como se Miranda fosse sua mãe biológica, mesmo sabendo que não estava certo se esquecer de Valda daquela forma. O dia da apresentação chegou e Gisella subiu ao palco com Miranda. Todos se admiraram com a bela apresentação. Quem não conhecesse a história da rainha e da princesa, certamente, pensaria que elas eram de fato mãe e filha porque pareciam. Willard ficou feliz em vê-las se dando tão bem, mas um pouco triste porque achava que era Valda quem deveria estar ali no lugar de Miranda. Se Valda soubesse que estava sendo substituída daquela forma, talvez se magoasse e extinguisse de vez a pouca luz que lhe restava. Felizmente, Valda não ficou sabendo de nada.                                                                            † † †     Ártemis…  Evin lia emocionada o cartão que recebera de Gisella junto com um par de brincos de ouro.   |Isso é pouco para alguém que tão bondosamente me acolheu, mas é tudo que por enquanto posso lhe dar. Espero que goste, mamãe. Beijos… Ass: Gisella dos elfos.|   — Ah! É bom saber que não nos esqueceu. — Falou Evin, sorrindo.                                                                             † † †   Após a apresentação, a família real ainda ficou por algum tempo no colégio antes de voltarem para o castelo onde aconteceria um jantar em família.  Adrian, por ser ainda querido pela família foi convidado, e sua esposa também. Ao contrário do que Adrian imaginara, não houve nenhum clima tenso entre Gisella e Demétria. Gisella agia como uma adolescente comum e se mantinha afastada dos mais velhos, buscando companhias mais extrovertidas e joviais como a de Melynda. A pequena Camila aproveitou para passar um tempo com a mãe biológica. — Ela realmente age como se fosse novamente uma adolescente… — Observou Adrian. — É porque ela é, ou, pelo menos, se sente como uma. Não devemos forçá-la a amadurecer e assumir responsabilidades as quais não está preparada para assumir. — Falou Miranda. Adrian encarou Miranda, mas não respondeu. Sabia que ela sempre detestara a enteada porque não queria que ela assumisse o trono. Infelizmente, ela era sua rainha e ele não podia dizer-lhe tudo o que pensava a seu respeito ou terminaria sentenciado à morte. — Maria cresceu rápido demais. É bom que Gisella demore a amadurecer. — Falou Willard. Adrian se lembrou de como Maria nunca perdia a oportunidade de interagir com os mais velhos em ocasiões como aquela e que ela costumava cativar a todos, tão diferente de Gisella que fugia de qualquer atenção. Elas eram mesmo muito diferentes. A mulher que ele amara no passado, morrera e nunca mais voltaria, mas aquilo não o deixava triste, pois há tempos, já se resignara, ao contrário de Kadir. Quando os olhares de Gisella e Adrian se cruzaram, a ruiva se lembrou de algo que ele lhe dissera e que ela, por estar impressionada demais no momento, não prestara muito a atenção: “Foi a sua irmã, a Suoni que pediu para que você se casasse com ele”, disse Adrian, “Você a amava porque era sua irmã e ela estava morrendo, foi o último pedido dela”. Pressentindo que Gisella tinha perguntas que ele conhecia as respostas, Adrian se afastou discretamente e deu um sinal a ruiva para que o seguisse. Os dois se encontraram na fonte no centro do labirinto. — O que você quer saber? — Perguntou Adrian sendo conciso. — Você disse que… Só me casei com Kadir porque foi o último pedido da minha irmã, mas se Suoni e eu éramos tão ligadas e… Ela sabia que eu odiava o Kadir, por que me pediria algo assim? — Falou Gisella confusa. Adrian riu e esclareceu as coisas: — Houve uma época em que Suoni e você foram ligadas, mas com o passar do tempo, vocês se distanciaram muito por causa de Kadir. — Ah, meu deus! Não roubei o marido da minha irmã, roubei?! — Falou Gisella se sentando na borda da fonte, espantada consigo mesma. — Não, você seria incapaz. — Falou Adrian se sentando ao lado dela. — Kadir amava Suoni, mas depois que reencontrou você, após alguns anos, ele se fascinou de tal forma que não descansou até torná-la sua esposa. Enquanto Adrian falava, Gisella se lembrou de quando reencontrou Kadir.   Antes…  Maria e Adrian eram recém-casados e viviam felizes até Suoni se reaproximar da irmã e lhe apresentar Kadir. Eles já se conheciam, mas Maria não se lembrava pois era muito pequena quando fora apresentada ao marido da irmã. Ao rever Maria já adulta, Kadir ficou obcecado por ela. Também, ela era tão bela quanto uma sereia e tinha um encanto  inexplicável que atraía todos, se não fosse uma banshee, certamente seria uma Leanan Sidhe.  Um olhar e um sorriso era só o que ela precisava para conquistar qualquer coração. E foi o que aconteceu… Sem querer, ela conquistou Kadir que passou a assediá-la. — Você vai ser minha! — Repetiu Kadir seguindo Maria enquanto ela guardava um pote de geleia na geladeira. Kadir demonstrava um desequilíbrio mental assustador, mas aquilo não intimidou Maria, que fechou a geladeira com uma batida, se virou e o encarou. — NUNCA! Ouviu bem, seu maluco? NUNCA! — Maria disse com ódio. — Eu amo o meu marido e nós teremos um filho em breve. Diferente de você, ele não é estéril. Em outro flash, Gisela viu Maria discutindo com a irmã no jardim. Ela não conseguia enxergar a própria aparência porque, como sempre, estava vendo através dos olhos de Maria. — É… Mas você não me disse que ele era maluco! — Maria disse a Suoni. — Ele gosta de você! — Falou Suoni. — Ele é seu marido! Como pode falar isso com essa calma toda? Meu Deus! Você enlouqueceu! — Maria disse alterada. — Não quero mais ver esse homem na minha casa ou eu juro por Deus que vou contar tudo ao Adrian!     Atualmente…  — A Suoni sempre te empurrou para o Kadir e eu nunca entendi porque se supostamente ela o ama. — Adrian disse a Gisella. — Eles são loucos! — Falou Gisella assustada. — Ou tem mais coisa aí que não sabemos. — Disse Adrian. — Como o quê? O trono de Mag Mell? — Inquiriu Gisella. — Talvez… — Disse Adrian pensativo.        
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