CAPÍTULO 18 Narrativa do autor Acordar foi como emergir de um pesadelo dentro de outro. Selena abriu os olhos devagar, os cílios pesados, o corpo moído, e por um momento não soube onde estava. A luz era fraca, as paredes pareciam de um quarto simples, mas havia um cheiro de ervas e de limpeza recente. Tentou se mexer, mas uma dor surda a impediu. O gemido que escapou de sua boca foi suficiente pra chamar atenção. — Selena? — a voz de Dona Sandra veio firme, porém embargada de emoção. — Filha, você tá acordando? Ela virou o rosto e viu a senhora ali, sentada numa cadeira improvisada, com os olhos vermelhos de quem chorou por dias. Dona Sandra se aproximou e passou a mão no rosto dela com carinho. — Tá tudo bem agora. Você tá segura. A gente chegou a tempo. — Mas os olhos dela diziam o

