Capítulo 10 Narrado por Dona Sandra A gente percebe as coisas no silêncio. É no jeito de olhar, no tempo que alguém passa num lugar que nunca fazia questão antes. E foi assim que comecei a notar o que tava acontecendo. Mandrax, aquele doido cheio de tatuagem e ego maior que a pistola, começou a aparecer demais por ali. Sempre com uma desculpa. Um recado, uma entrega, um papo rápido com o Sombra ou com o Urso. Mas o olho... o olho dele era só um: Clara. Clara era linda, isso era fato. Mas não era só beleza. Ela tinha um jeito meigo, quebrado, um brilho triste que atraía feito canto de sereia. E homem sem freio vê isso como convite. Só que aqui, não. O Sombra percebeu também. Sempre que Mandrax chegava, ele aparecia do nada. Saía do quarto ou da varanda, dava um jeito de estar presente.

