21 - A Excursão

1261 Words
Imperador Narrando Eu tava de pé no meio do galpão, o ar ainda fedendo a cigarro e suor, com a Lívia já longe, porta fechada atrás dela. O vestido verde sumiu na escuridão. Juca tava amarrado na cadeira, lábio rachado, sangue seco no queixo, mas o filho da püta ainda tinha fôlego pra abrir a boca. Ele ergueu a cara, olhos injetados, e cuspiu no chão sujo de cimento. — Já saquei qual é a tua, Imperador — ele rosnou, rindo torto. — Tu tá querendo comer a Lívia, né? Aquela vadïa é gostosa pra Carälho, corpo de adolescente, coxa grossa, tu deve tá babando desde que viu ela. Vai, confessa, chefe. Tu quer meter nela agora que eu tô fora, né? O ódio subiu quente pela minha espinha. Eu sorri devagar, sem pressa, peguei o martelo de cabo longo que o Pitel já tinha deixado no canto da mesa. O metal brilhava frio sob a lâmpada amarela. — Ah é, seu mërda? Então vamos começar a brincadeira de verdade. Dei o primeiro golpe. O martelo desceu pesado na rótula esquerda dele. Crack. O osso estalou como madeira seca. Juca berrou, corpo se contorcendo na corda grossa que prendia os pulsos e os tornozelos na cadeira. — Aaaahhh, Carälho! Para, pörra! — Cala a boca, seu covarde — eu disse, voz baixa, girando o martelo na mão. — Tu espancou ela quatro anos, estüprou dopada, não cuidou do teu filho autista. Agora é tua vez. Pitel e Bial tavam quietos, só observando, mas o Pitel já tinha acendido o maçarico no canto. O fogo azul dançava. Eu peguei a corda extra, uma de nylon grossa, e amarrei mais um laço no pescoço dele, apertando devagar até o rosto dele ficar roxo. Juca engasgou, olhos saltando. — Tu achou que ia morrer rápido, né? — eu ri. — Não, pörra. Tu vai sentir tudo. Soltei a corda um pouco pra ele respirar e meti o martelo de novo, agora na outra rótula. Crack seco. As pernas dele pularam, sangue escorrendo pelos pés amarrados. Ele gritava sem parar, baba misturada com sangue pingando no peito. — Por favor, Imperador... eu... eu errei, Carälho! — Errou? — eu repeti, pegando o maçarico da mão do Pitel. O fogo chiava alto. — Tu dopou ela pra estüprar, deixou ela presa como animal. Agora queima, filho da püta. Aproximei a chama da sola do pé esquerdo dele. A pele chiou, bolha se formando instantânea, cheiro de carne queimada enchendo o galpão. Juca uivou, corpo se debatendo tanto que a cadeira rangeu. Eu mantive o fogo ali, subindo devagar pela panturrilha, pele estourando, músculo exposto vermelho vivo. — Tá sentindo, né? Isso é só o começo. Bial trouxe o aparelho de choque que a gente guardava pro serviço pesado, dois fios com garras de crocodilo. Eu prendi uma na língua dele, a outra no saco. Juca tentou cuspir, mas o Pitel segurou a cabeça dele pela orelha. — Fala de novo que ela é gostosa, vai — eu provoquei, ligando o choque no nível baixo primeiro. O corpo dele tremeu inteiro, espasmo forte, urina escorrendo pela perna queimada. Ele gritou, voz rouca: — Não... por favor... ela não vale isso... Eu aumentei o choque. Ele se contorceu, olhos revirando, baba espumando. Desliguei, peguei o martelo de novo e esmaguei os dedos da mão direita dele, um por um. Cada pancada fazia o osso virar farelo, sangue espirrando no meu braço. Juca chorava agora, soluços misturados com gemidos. — Tu humilhou ela todo dia, bateu nela na frente da Criança, agora eu vou te humilhar até o fim. Peguei a corda de novo, amarrei os braços dele pra trás da cadeira novamente, forçando os ombros pra fora do lugar. E a articulação saiu, ele berrou mais alto. O Pitel trouxe o ferro em brasa que tava no fogo, um ferro de marcar gado que a gente usava pros traidores. Eu pressionei no peito dele, bem no centro, a pele chiando, cheiro de queimado forte. Juca desmaiou por um segundo, cabeça caindo. — Acorda, pörra — eu dei um tapa na cara dele com as costas da mão, igual o Pitel tinha feito antes. Ele acordou tossindo sangue. Eu peguei o martelo mais uma vez e bati no cotovelo esquerdo, quebrando o osso em dois. Depois no direito. As mãos dele tavam inúteis, dedos esmagados, braços pendurados como trapos. — Tu vai morrer devagar, Juca. Tortura pura, como tu fez com ela. Usei o maçarico de novo, agora nas orelhas. Chama azul derretendo a cartilagem, ele gritando até a voz falhar. O galpão tava um inferno de cheiro de carne queimada, sangue e mërda, ele tinha se borrado todo. Eu amarrei mais corda no pescoço, apertando devagar enquanto o Bial segurava a cabeça. Juca sufocava, rosto roxo, veias saltando. — Isso é pelo teu filho autista que tu pertubava — eu disse, voz gelada. — Isso é pela Lívia que tu estüprou dopada. Soltei a corda, deixei ele tossir ar. Peguei o martelo pela última vez e bati forte na têmpora. Não pra matar ainda, só pra doer mais. O crânio rachou, sangue escorrendo pelo ouvido. Juca tava babando, olhos vidrados, mas ainda vivo. Eu me afastei, sentando de novo no trono, coração batendo forte mas calmo. Juca ainda gemia baixo, corpo destruído, pele queimada, ossos quebrados. A sentença tava cumprida. Lívia vai dormir em paz hoje, ela tá livre. Eu sorri por dentro. Depois de um tempo, fiquei de pé na frente dele, o galpão fedendo a carne queimada, mërda e sangue. Juca não era mais homem. Era só um pedaço de carne destruído: pernas quebradas, pés torrados, dedos esmagados, peito marcado com ferro em brasa, braços fora do lugar. Ele gemia baixo, cabeça pendurada, sangue escorrendo pelo queixo. Peguei a faca afiada que o Pitel me entregou, lâmina longa, fria, bem amolada. Juca ergueu os olhos inchados, quase sem vida, e sussurrou rouco: — Acaba logo, pörra... Eu sorri frio, segurando o queixo dele com força, forçando ele a me olhar. — Agora sim, seu covarde. Hora de ir pro inferno de verdade. Puxei a cabeça dele pra trás pela corda no pescoço e enfiei a faca bem fundo na lateral do pescoço, cortando a artéria carótida com um movimento seco. O sangue jorrou quente, forte, espirrando no meu peito e no chão de cimento. Juca se debateu num último espasmo, gorgolejando, olhos arregalados de pavor. O sangue quente escorria pela lâmina. Eu tirei a faca devagar, deixando o jato vermelho pintar o ar. Então levei a lâmina até a boca e lambi o sangue quente bem devagar, sentindo o gosto metálico e doce na língua. — Gosto de sentir o gosto do sangue inimigo — eu disse, voz baixa e rouca, olhando pro corpo que ainda tremia. — É doce, e me dá ainda mais ódio da vida. Juca deu uns últimos espasmos, o sangue formando uma poça grande embaixo da cadeira. Os olhos dele ficaram vidrados, corpo mole. Morto. Eu limpei a faca na camisa dele, joguei o martelo pro lado e sentei de novo no trono. O galpão tava em silêncio absoluto. Pitel e Bial só olhavam, sem falar nada. — Queimem o corpo e joguem os restos em qualquer matagal, não tem direito a Cortejo, nem enterro. — O tribunal do crime terminou. Justiça foi feita. O cheiro de sangue ainda pairava no ar. Eu passei a língua nos lábios mais uma vez, sentindo aquele gosto doce de vingança. Lívia tá livre. E eu vou cuidar e proteger Ela e o Seu filho.
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