Imperador Narrando Eu tava de pé no meio do galpão, o ar ainda fedendo a cigarro e suor, com a Lívia já longe, porta fechada atrás dela. O vestido verde sumiu na escuridão. Juca tava amarrado na cadeira, lábio rachado, sangue seco no queixo, mas o filho da püta ainda tinha fôlego pra abrir a boca. Ele ergueu a cara, olhos injetados, e cuspiu no chão sujo de cimento. — Já saquei qual é a tua, Imperador — ele rosnou, rindo torto. — Tu tá querendo comer a Lívia, né? Aquela vadïa é gostosa pra Carälho, corpo de adolescente, coxa grossa, tu deve tá babando desde que viu ela. Vai, confessa, chefe. Tu quer meter nela agora que eu tô fora, né? O ódio subiu quente pela minha espinha. Eu sorri devagar, sem pressa, peguei o martelo de cabo longo que o Pitel já tinha deixado no canto da mesa. O me

