Monique Narrando Chegar em casa depois de tanto tempo é como encaixar a última peça de um quebra-cabeça que você nem sabia que estava faltando. O abraço da minha mãe, Dona Marta, tem o mesmo cheiro de sempre: de sabão em pó Omo e de afeto puro. Apertado, demorado, daqueles que saram qualquer saudade. O Marcos, claro, me enforcou num abraço de urso, quase me levantando do chão. Meu pai, mais quieto, só deu aquele tapão nas costas e um sorriso largo que valia mais que mil palavras. "Minha enfermeira chegou", ele disse, e meu coração encheu. A casa era a mesma. Pequena, cheia de tralhas e memórias nas paredes. Me joguei no sofá e comecei a vomitar notícias: do trabalho no hospital, do frio de Barcelona, do apartamento minúsculo mas todo meu. Eles me contaram as fofocas do morro, quem casou,

