Dragão Narrando Ela respondeu. A boca dela, que antes tinha ficado parada de choque, dessa vez se moveu. Foi pouco, foi quase nada, mas foi. E as mãos dela, que nem no primeiro beijo tinham se mexido, subiram e se fecharam nos meus ombros. Não foi um abraço, foi uma âncora. Como se ela precisasse se segurar no único ponto firme no mundo, e esse ponto sou eu. E eu soube. Soube aqui, com o gosto dela na minha boca e o corpo dela tremendo contra o meu, que ela tava perdida. E que eu tava perdido junto. Nunca, em trinta anos de vida e em um monte de mulher, nenhuma tinha me deixado com o coração batendo feito um maluco por causa de um beijo. Nem a primeira vez que peguei numa arma, nem a primeira vez que dei ordem de fogo, tinha me dado um troço desses. Separei os lábios dela, mas não solt

