Sheila Narrando Ela fechou a porta com um clique suave. O som foi o de uma cela se trancando. — Mãe, eu juro, eu não… — Silêncio, Sheila. — Ela se virou, os braços cruzados. O rosto dela não estava mais pálido, mas sim rubro de uma raiva contida. — O que você estava pensando? — Eu não estava pensando em nada! Ele me surpreendeu, ele… — Ele é o Eduardo! — ela cortou, a voz um sussurro forte e exasperado. — O Dragão. Você não é mais uma criança. Você sabe o que ele é. O que essa família é. Eu passei a vida toda trabalhando aqui, mantendo a cabeça baixa, ganhando o respeito deles com serviço honesto, para não sermos confundidos com… com isso. “Isso”. O mundo deles. Do tráfico, da violência, da lei da selva. Tudo que eu havia estudado, conquistado, para ficar bem longe. — Eu sei, mãe.

