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O REI DA MÁFIA E A GARÇONETE

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Blurb

Dizem que o d***o faz acordos.

Nicolas D'Angelo faz funerais.

Para o mundo, ele é um CEO bilionário.

Para o submundo, é o homem que transformou a máfia em um império construído sobre sangue.

Ele não ameaça.

Ele executa.

Não coleciona rivais.

Coleciona lápides.

Até que uma única noite coloca Marina Gouveia, uma simples garçonete, no centro da guerra mais sangrenta já travada entre as famílias criminosas.

Agora, todos a querem.

Para sequestrá-la.

Para torturá-la.

Para usá-la.

Ou simplesmente para vê-la morrer.

Só existe um problema.

Ela pertence ao Rei da Máfia.

E quando Nicolas escolhe alguém...

Cidades são incendiadas. Famílias inteiras desaparecem. Homens imploram pela morte antes que ele os encontre.

No submundo existe uma verdade escrita com sangue:

É mais fácil escapar do inferno... do que escapar de Nicolas D'Angelo.

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PRÓLOGO
*PRÓLOGO - "O PERFUME DO PODER" O porão da minha família cheira a três coisas. Mijo. Desespero. Sangue oxidado. O resto é maquiagem. É terno de 20 mil. É champanhe francês. É discurso de empresário do ano. Mentira. Tudo mentira. A verdade fica aqui embaixo. Onde as paredes são de pedra e o chão nunca seca. Vittorio Mancini estava pendurado. As correntes prendiam os pulsos dele no teto. Os pés ficavam a 10 centímetros do chão. Balançando. Como um boneco quebrado. O rosto dele não era mais um rosto. Era carne. Um olho tinha estourado. O outro me olhava, esbugalhado, implorando. O maxilar estava quebrado em dois lugares. Cada respiração era um gorgolejo. O sangue escorria da boca, do nariz, dos pulsos. Ping. Ping. Ping. Marcando o tempo que restava pra ele. Eu estava sentado na frente dele. De pernas cruzadas. O copo de uísque na minha mão era a única coisa fria naquela sala. Além de mim. Quinze anos. Quinze malditos anos. Ele sentou na minha mesa. Comeu no meu prato. Beijou a mão da minha mãe no Natal. Lucrou com o meu sobrenome. E depois abriu a boca. Pra cartel rival. — Qual foi o preço? — minha voz cortou o silêncio. Seca. Sem eco. Vittorio tossiu. Cuspiu uma gosma vermelha no chão. — Capo... por favor... me escuta... — Eu não desci 3 andares pra escutar lamúria, Vittorio. — Dei um gole no uísque. — Eu perguntei o preço. Quanto custou a minha confiança? Ele tremeu. As correntes rangeram no teto de ferro. — Cinquenta... cinquenta milhões... Risos. Mas não saíram da minha boca. Só dos meus olhos. Cinquenta milhões. Eu lavo isso em uma semana com apostas clandestinas. Ele vendeu as docas. As rotas. A localização da minha casa. A cabeça da minha família. Por cinquenta milhões. — Você é patético — falei. — Ainda mais medíocre do que eu achava. — Eles me encurralaram! — a voz dele subiu, esganiçada. — Grampearam minha casa! Mandaram foto do meu filho saindo da faculdade! Disseram que iam cortar a garganta da minha mulher! Eu não tive saída, Nicolas! Eu não tive! Levantei devagar. O sapato italiano fez barulho no chão molhado. Parei a um palmo do rosto dele. Podia sentir o bafo de sangue e medo. — A máfia não aceita atestado de desespero familiar, Vittorio. A regra foi escrita com sangue há 100 anos. Lealdade. Ou caixão. Se você tivesse medo, vinha até mim. Rastejando. Eu arrancava a cabeça de quem ameaçou a sua casa. Mas você preferiu fazer negócio com quem quer me ver morto. — Nicolas, pelo amor de Deus! — ele começou a chorar. Um som podre, animal. — Mata eu! Me corta em pedaços! Mas deixa minha família fora disso! Eles não sabem de nada! O Carlos nem sabe o que eu faço! Carlos. O filho mais velho. 18 anos. Futuro advogado. Foto no i********: com a namorada. Virei o rosto pra escuridão no canto. — Dante. A porta de ferro de 200kg rangeu. Dante entrou. 2 metros de altura. Tatuagem no pescoço. E arrastando um garoto pelo cangote da camisa. Carlos Mancini. O moleque caiu de joelhos no chão. As pernas não seguravam. A calça estava molhada. Ele chorava. Soluçava. Implorava sem palavras. Quando Vittorio viu o filho, algo quebrou dentro dele. Não foi o corpo. Foi a alma. O urro que saiu da garganta dele não era humano. Era de animal encurralado. Ele se debateu nas correntes. Com uma força que não deveria ter. A pele dos pulsos rasgou. Osso apareceu. Sangue esguichou na parede atrás dele. — NÃO! CARLOS! NICOLAS, SEU DESGRAÇADO! SEU MONSTRO! NÃO TOCA NO MEU FILHO! Dante jogou o garoto no chão. Bem debaixo dos pés do pai. Carlos levantou a cabeça. Os olhos cheios d’água me acharam. — Por favor... senhor... eu não fiz nada... pai, me ajuda! Eu não sabia! Me aproximei. Fiquei entre pai e filho. Sombra cobrindo os dois. Tirei a Sig Sauer 9mm com supressor do coldre. O clique do ferrolho ecoou. Como sino de igreja. Como sentença. — Olha pra ele, Vittorio — falei baixo. Só pra ele ouvir. — Você vendeu meu império pra salvar esse moleque. Agora assiste o preço da sua escolha. — NICOLAS, NÃO! EU IMPLORO! PELO AMOR DE DEUS! Apontei. Rótula direita. Não pensei. Apertei. O disparo abafado. _Puff._ O som de osso e cartilagem explodindo. O sangue quente espirrou no meu sapato 10 mil. Carlos gritou. Um grito que rasgou a garganta. Que fez as paredes tremerem. Ele caiu de lado, se contorcendo, as duas mãos apertando o joelho estilhaçado. Uma poça crescendo embaixo dele. Vittorio gritava junto. Puxava as correntes até o ombro deslocar. — PARA! PARA! MATA EU! MATA EU! — Tá doendo, Vittorio? — perguntei. Curioso. — A culpa é sua. Na minha organização, quando a raiz apodrece... a árvore inteira queima. Ergui a arma de novo. Base do crânio. Onde a medula encontra o cérebro. O segundo _puff_ foi mais baixo. O corpo do Carlos parou de se mexer na mesma hora. Só o sangue continuou saindo. Escuro. Lento. Silêncio. Vittorio calou. A respiração travou. Os olhos ficaram fixos no filho. A luz apagou dentro dele. Ele virou um pedaço de carne pendurado. Esperando a vez. Andei até ele. Encostei o cano ainda quente na testa suja de sangue. — Vai pro inferno terminar de pagar a dívida. _Puff._ A cabeça dele chicoteou pra trás. O corpo ficou mais pesado nas correntes. Guardei a arma. Limpei uma gota de sangue do punho do terno com o lenço. Joguei no chão. Olhei pro Dante. — Incinera os dois. Sem deixar cinza. Vai na casa dele agora. Apaga a mulher. O filho caçula de 12 anos. Corta a garganta do cachorro. Não deixa uma célula viva com o sobrenome Mancini nessa cidade. — Sim, Capo. Dei as costas. Subi as escadas de pedra. Uma por uma. Lavei as mãos. Coloquei outro terno. E fui gerenciar um império. --- Dois dias depois. Salão de um hotel cinco estrelas. Baile de máscaras. Venezianas de ouro. Orquestra tocando Strauss. Eu estava sorrindo. Apertando a mão de um governador corrupto. Negociando rotas de exportação que iam sair "limpas" no papel. A máscara do CEO. Colada no rosto. A hipocrisia cheirava a champanhe de 5 mil a garrafa. — Sr. D'Angelo, é uma honra — o governador babava. — Sua fundação é um exemplo... Eu ia responder. Quando aconteceu. Um esbarrão. O som agudo de cristal estilhaçando no mármore. E um banho gelado. Vinho tinto. Do meu pescoço até a barra da calça. O maestro parou no meio da nota. A orquestra calou. 300 pessoas engoliram seco ao mesmo tempo. O silêncio pesou uma tonelada. Tocar num Capo da Máfia sem autorização é suicídio. Meus 4 seguranças já tinham a mão dentro do paletó. Destravaram as armas. Esperando a ordem pra transformar o salão num açougue. Eu olhei pra baixo. O ódio subiu pela garganta. Quente. Pronto pra sair na forma de gritos e tiros. E então eu vi. Uma mulher. No chão. De joelhos. Cacos de vidro na mão. Sangrando. Tremendo tanto que os dentes batiam. Marina Gouveia. Crachá torto. Avental manchado. 22 anos. Olhos verdes arregalados. O pânico mais puro que eu já vi na vida. Ela ergueu a cabeça. E me encarou. Naquele segundo ela soube. Ela soube quem eu era. O que eu fazia. O que eu era capaz. O terror nos olhos dela me deu um soco no estômago. Não foi pena. Pena é pra fraco. Foi posse. Bruta. Violenta. Primordial. Eu queria aquele medo. Só pra mim. Queria arrastar ela pra dentro do meu mundo. Quebrar ela nas minhas regras. E ver se ela tremia assim na minha cama também. Levantei a mão direita. Um movimento. Meus homens recuaram meio passo. O salão inteiro esperava sangue. Esperava gritos. Esperava eu mandar arrastar ela pelo cabelo até o beco. Eu não disse nada. Apenas gravei. Cada detalhe. O cabelo preso. A boca entreaberta. As mãos cortadas. O cheiro de medo. Naquele milésimo de segundo, a vida medíocre da Marina Gouveia acabou. Ela não sabia ainda. Mas ela já pertencia a mim. --- Três dias depois. Meu escritório. 80º andar. Vidro de ponta a ponta. A cidade aos meus pés. O relatório estava na minha mesa. Pasta preta. Sem brasão. Dante deixou e saiu sem falar. Abri. _ALERTA VERMELHO_ _FONTE: CARTEL DO OESTE_ _ALVO: MARINA GOUVEIA, 22, GARÇONETE_ _PRÊMIO: 5 MILHÕES_ _ORDEM: CAPTURAR VIVA. TORTURAR 72H. ENVIAR PARTES PRO CAPO D'ANGELO._ Eles acharam que eu tinha ficado mole. Acharam que uma garçonete era meu ponto fraco. Acharam que podiam roubar a minha caça. O CEO morreu. O homem de terno morreu. O filho que doava pra orfanato morreu. O Rei da Máfia acordou. Apertei o botão do interfone. — Reunião de guerra. 10 minutos. Sala blindada. Todos os capitães. 10 minutos depois, 12 homens na mesa. Nenhum deles sentado. Todos em pé. Cabeça baixa. Bati as duas mãos na mesa de carvalho. O som ecoou como tiro. — Arma pesada nas ruas. Agora. Quero cada base do cartel do oeste no mapa. Quero cada laboratório. Cada galpão. Cada boca de fumo. Levantei. Andei até a janela. As luzes da cidade piscavam lá embaixo. Como velas num velório. — O líder deles — virei. — Tragam a cabeça. Num saco de lixo. Os filhos dele. As mulheres. Os soldados que assinaram o contrato. Queimem todos vivos. Debaixo do viaduto da Marginal. Deixem os corpos lá. Por 3 dias. Pra cidade ver. Fiz silêncio. Deixei o medo entrar na sala. — E gravem uma coisa nas paredes. Com o sangue deles. Parei. Olhei cada um nos olhos. — "NINGUÉM TOCA NO QUE É MEU." Saí da sala. A cidade ia derreter. O asfalto ia virar rio de sangue. Os necrotérios iam pedir ajuda pro exército. Porque o cartel cometeu um erro. Eles acharam que estavam peitando um empresário. Eles esqueceram quem eu sou. Eu sou Nicolas D'Angelo. E eu não negocio. Eu não perdoo. Eu não esqueço. O inferno talvez perdoe. Eu, não. E Marina Gouveia... Marina agora tem um exército atrás dela. E tem um rei na frente. Guardando. A guerra começou. E eu já escolhi o troféu. --- *FIM DO PRÓLOGO*

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