O silêncio dentro daquela caixa de vidro blindado na área VIP era denso, sufocante e pesado feito chumbo derretido. Do lado de fora da divisória de vidro escuro, a alta sociedade de São Paulo se embriagava com champanhe gringo superfaturado e dançava ao som abafado de um jazz lento e arrastado, crente que tava abafando na ostentação. Mas ali dentro, o ar-condicionado central no talo não conseguia esfriar o clima de tédio mortal e repulsa visceral que me consumia por dentro. Eu estava recostado de qualquer jeito no estofado macio da cadeira de couro presidencial, perfeitamente relaxado, girando lentamente o cubo de gelo transparente no fundo do meu copo de cristal pesado com uísque puríssimo. Sentados bem na minha frente, ao redor da mesa quilométrica de madeira maciça, estavam Hector e ma

