NARRADO POR MARINA GOUVEIA O sábado amanheceu com o céu absolutamente cinza, pesado e carregado, despejando uma garoa fria, fina e insistente sobre a cidade inteira, como se a própria natureza soubesse que aquele não seria um dia comum de trabalho, mas sim o prólogo de uma tragédia. Quando eu pisei no L'Étoile no início da tarde, o restaurante que eu conhecia, com o qual eu lidava todos os dias, havia simplesmente deixado de existir. A placa de ferro com os dizeres “Fechado para Evento Privado” pendurada na porta de vidro da frente não era apenas um aviso educado; era um eufemismo sutil para a loucura tática e claustrofóbica que estava acontecendo do lado de dentro. O salão principal, que antes respirava luz natural e era decorado em tons pastéis com lustres de cristal claro, tinha sido

