NARRADO POR NICOLAS D'ANGELO O sábado à noite finalmente desceu de forma letal sobre São Paulo, engolindo a cidade inteira numa escuridão úmida, opressiva e fria. A garoa fina lá fora não passava de um detalhe invisível e inútil para quem, como eu, estava encastelado a duzentos metros de altura, no topo de uma cobertura triplex de mil metros quadrados na zona mais rica, blindada e intocável da capital. O relógio marcava exatamente oito da noite. O silêncio sepulcral no meu quarto monumental só era quebrado pelo som solitário do gelo redondo batendo no fundo do copo de cristal pesado que eu segurava com a mão esquerda. Eu estava parado de frente pro espelho panorâmico do closet, terminando de vestir a armadura pro abate noturno. O terno italiano, escuro como o breu da p***a do inferno, t

