Viktor apertou o copo de vodka com tanta força na mão gigantesca que eu jurei que o vidro temperado ia virar pó ali mesmo. O olho de vidro opaco do desgraçado tava cravado em mim, morto e bizarro, enquanto o olho bom fervilhava num ódio contido, as veias do pescoço pulsando feito corda de violão. Don Falcone soltou mais uma lufada densa e cinzenta de fumaça do charuto, estreitando os olhos enrugados, lendo o ambiente. Eles eram raposas velhas. Eles sabiam perfeitamente bem que um predador alfa não convoca os outros pro próprio ninho só pra dar aulinha de sociologia barata ou jogar conversa fora. — Você tem uma língua muito afiada pra um Capo tão novo e arrogante, D'Angelo — Falcone murmurou, a voz rouca, arranhando o ar tóxico da sala, rasgando o silêncio. Ele apontou a ponta acesa e fume

