Capitulo 88

1067 Words

NARRADO POR NICOLAS D'ANGELO O silêncio engolia a suíte presidencial, quebrado só pelo barulho violento da chuva esmurrando o vidro blindado lá fora e pela minha respiração compassada, fria, de quem já flertou com a dona Morte mil vezes e saiu rindo. O sangue descia quente pelo meu braço esquerdo, pingando grosso no tapete persa de milhares de euros e deixando um rastro de carnificina na minha própria jaula de ouro. Ignorei a dor latente. A dor era um aviso inútil para quem não tinha o luxo de demonstrar fraqueza, e eu governava essa desgraça de império trilionário na base do aço, da bala e do terror. Com a mão direita, agarrei a gola da minha camisa social de seda, que já estava em farrapos e encharcada de vermelho. Puxei de uma vez com uma força ignorante. Os botões voaram longe, estal

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