Quando o caminho finalmente ficou livre e a orquestra clássica tentou, de forma patética e desafinada, voltar a tocar a música de fundo pra disfarçar a carnificina, eu dei as costas pro conselho inteiro. Virei o corpo lentamente na direção da Marina. A Vipera continuava ali. Intocável. Indomável. A postura reta como uma lâmina de aço, o vestido de luto impecável abraçando as curvas dela, o peito subindo e descendo num ritmo levemente acelerado pela adrenalina do pipoco que eu acabei de dar. Os olhos escuros dela acompanharam com frieza o rastro de sangue no chão e depois subiram de forma devagar, cravando sem recuar no meu rosto. Ela não piscou. Não tremeu a base com o tiro. Não cobriu a boca, não chorou, não sentiu um único pingo de remorso ou peninha civil pela mulher que eu acabei de

