NARRADO POR MARINA GOUVEIA Dois dias. Quarenta e oito horas trancada dentro deste quarto que parecia mais um cofre blindado do que uma suíte presidencial. O silêncio que escorria por aquelas paredes de pedra tentava me engolir viva, mas eu me recusei a ceder ao desespero. O Nicolas havia desaparecido. O homem tomou um tiro à queima-roupa, saiu pela porta sangrando no tapete e, desde então, a mansão mergulhou em um silêncio sepulcral. Ninguém entrava, ninguém saía. Em vez de definhar de ansiedade e fome, decidi que não entregaria a ele a satisfação de me ver destruída. Se eu estava presa no corredor da morte, faria a minha espera valer a pena. Eu estava recostada no centro da enorme cama king size, afundada na maciez irreal dos travesseiros de pluma, vestindo uma camisa preta macia que

