NARRADO POR NICOLAS D'ANGELO O clima na sala de jantar principal da mansão era tão pesado e denso que dava pra cortar a tensão no meio com uma faca cega. O bagulho tava sinistro. A mesa de carvalho gigantesca, que parecia ter saído da p***a de um palácio europeu antigo, tava forrada com um banquete que alimentaria a tropa inteira do meu cartel de ponta a ponta. Tinha de tudo: pães artesanais, queijos caros pra c*****o, frutas importadas, frios que essa mina nunca deve ter visto nem na vitrine da padaria da favela onde ela cresceu. Mas a Vipera tava ali, sentada na cadeira de espaldar alto na outra ponta, com os braços cruzados apertando a camisa que eu tinha dado pra ela, e a expressão totalmente trancada num bloco de concreto. Os olhos escuros e fundos da garota fuzilavam a porcelana im

