NARRADO POR MARINA GOUVEIA As três italianas recuaram de vez, apavoradas, com os olhos esbugalhados de pavor e as mãos trêmulas, recolhendo as fitas métricas e as pranchetas como se tivessem dado de cara com o próprio Satanás cuspindo fogo. Nenhuma delas ousou retrucar uma palavra sequer. Elas deram meia-volta às pressas e saíram do quarto a passos largos, fechando a pesada porta dupla de carvalho com um baque surdo que ecoou na pedra, deixando as araras de metal abarrotadas de vestidos de grife largadas bem no meio do tapete felpudo. Fiquei sozinha. O silêncio absoluto que desabou sobre a suíte presidencial era denso, pesado, um clima horrível, fétido e asfixiante que cheirava a poder doentio e morte iminente. Soltei a respiração longa que estava trancada na minha garganta, o meu corpo

