NARRADO POR MARINA GOUVEIA A minha cabeça tava latejando num nível tão absurdo, mas tão infernal, que parecia que um trator de esteira tinha passado por cima do meu crânio, esmagado o meu cérebro, e depois voltado pra dar ré só de s*******m. Um zumbido surdo e contínuo apitava no fundo do meu ouvido, me deixando zonza. Tentei mexer o pescoço um centímetro no travesseiro e uma pontada de dor aguda rasgou a minha nuca até a base da espinha. Aquele brutamontes do c*****o, aquele armário de terno, tinha quase quebrado a minha cervical no meio com a porrada covarde que me deu dentro daquele avião. Puxei o ar com força pelo nariz, tentando me localizar na marra, e o cheiro que invadiu o meu pulmão trancou a minha respiração. Não era cheiro de favela. Não era cheiro de condução lotada, nem da f

