NARRADO POR DANTE O meu cérebro de matador calejado, treinado pra ver miolo estourado no asfalto e não piscar, deu um bug tão desgraçado naquele momento que eu juro por Deus que o meu coração errou as batidas. A garota que tava parada na minha frente era a própria personificação viva do luto, da treva e do caos absoluto. O vestido de alta-costura que ela desenterrou daquele closet não tinha a p***a de um único fio branco. Era preto. Um veludo escuríssimo, opaco e pesado que parecia engolir a própria luz do abajur do corredor. O corpete espartilhado tava esmagando a cintura fina dela com uma rigidez de armadura medieval de guerra, levantando o peito e obrigando a marrenta a manter a coluna reta que nem uma espada. As mangas de renda preta subiam pelos braços finos feito teia de aranha, e

