NARRADO POR MARINA GOUVEIA A porta pesada de carvalho do escritório da gerência fechou atrás de mim com um estalo seco. O som ecoou na minha cabeça como a batida de um martelo do juiz dando a sentença final. O barulho caótico e ensurdecedor do salão principal desapareceu quase por completo, abafado pelo isolamento acústico. Ali dentro, a atmosfera era outra. O escritório cheirava a café velho, papelada acumulada e àquele ar condicionado viciado que nunca vê a luz do sol. Havia apenas uma mesa de madeira escura e maciça, um computador com a tela ligada em planilhas financeiras, duas cadeiras estofadas para visitantes e uma prateleira de metal abarrotada de pastas de fornecedores. Mauro não disse nada de imediato. Ele caminhou até a própria cadeira, tirou os óculos de grau e esfregou o ro

