NARRADO POR NICOLAS D'ANGELO A porta de vidro fosco do banheiro de mármore foi escancarada de um só solavanco violento e bruto, quase estourando e arrancando as dobradiças de aço do batente. A Vipera saiu de lá marchando duro, pisando pesado no chão, já vestida com o conjunto de roupas simples, largas e improvisadas que eu tinha jogado nela. O tecido preto cobria o corpo dela, mas a postura da garota continuava exalando pura dinamite, eletricidade estática e um ódio radioativo que parecia capaz de corroer o cimento. O cabelo escuro ainda tava úmido, caindo pesado e bagunçado pelos ombros, e o olhar que ela cravou em mim carregava o peso de uma guerra inteira declarada contra o meu império. A infeliz não tinha abaixado a crista nem por um maldito segundo. O sangue da mina tava fervendo na

