Capítulo 5

754 Words
Narrado por Sofia Uma semana depois, eu ainda estava tentando processar tudo que havia acontecido. Meus dias se resumiam a trabalhar, cuidar de Luiza e me preocupar com as contas e o tratamento. Cada dia que passava, eu sentia a exaustão se acumulando nos meus ombros, como se estivesse carregando um peso impossível de suportar. Então, quando Samara apareceu com aquele sorriso travesso e uma proposta inesperada, minha primeira reação foi recusar. — Sofia, meu aniversário foi semana passada e eu nem consegui comemorar direito! Vamos sair hoje! Vai ser só um barzinho, nada demais. Você precisa se distrair um pouco. Eu suspirei, balançando a cabeça. — Sam, eu não posso. Quem vai ficar com Luiza? — Minha mãe. Ela ama a Luiza! Já falei com ela e está tudo certo. Mordi o lábio, hesitante. — Não sei… — Sofia! Você está se matando de preocupação e cansaço. Eu não estou dizendo para esquecer tudo, mas você precisa de pelo menos algumas horas para respirar. Só algumas horinhas, eu prometo. Eu sabia que ela tinha razão. Eu estava me afundando em um mar de preocupações, e, por mais que fosse difícil admitir, sair por algumas horas talvez me fizesse bem. Respirei fundo e assenti. — Tá bom. Samara bateu palmas, animada. — Isso! Você não vai se arrepender. Agora vem, vamos nos arrumar. --- Peguei Luiza e fomos para a casa de Samara. Quando chegamos, a mãe dela nos recebeu com um sorriso caloroso. — Pode ficar tranquila, Sofia. Vou cuidar muito bem dessa princesa. Eu me abaixei e dei um beijo na testa de Luiza, que olhava ao redor com curiosidade. — Se precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me liga. — Eu sei, querida. Agora vai e se divirta um pouco. Você merece. Olhei mais uma vez para Luiza antes de sair. Meu coração estava apertado, mas tentei afastar a culpa. --- Samara e eu começamos a nos arrumar no quarto dela. Ela escolheu um vestido vermelho justo, que realçava suas curvas. Eu, por outro lado, optei por algo mais discreto: um vestido preto simples, mas elegante. — Sofia, você está maravilhosa. Vai parar o bar inteiro. Revirei os olhos, rindo. — Para, Samara. — Estou falando sério! Você tem essa mania de se esconder, mas você é linda. Só precisa se lembrar disso. Eu sabia que minha aparência estava longe de ser minha prioridade ultimamente, mas ouvir aquilo me fez bem. Quando finalmente estávamos prontas, pegamos um táxi e seguimos para o bar que Samara tinha escolhido. --- O bar era mais sofisticado do que eu imaginava. Luzes baixas, música agradável e um ambiente que misturava sofisticação e aconchego. Samara pediu dois drinks no balcão e me entregou um. — Brindemos à sua primeira noite de folga em séculos! Ri e ergui meu copo. — À minha primeira noite de folga em séculos. Bebi um gole e senti o álcool aquecer meu corpo. Fazia tempo que eu não bebia nada. Estávamos conversando quando percebi que alguém me observava do outro lado do bar. Ele estava sentado sozinho, segurando um copo de uísque, e tinha uma presença magnética. Alto, cabelos escuros e bem vestidos, olhos intensos que pareciam perfurar minha alma. Ele percebeu que eu o olhava e ergueu o copo em um cumprimento silencioso. Meu coração acelerou um pouco. — Sofia… tem um homem te secando. — Samara sussurrou, se inclinando para mim. — Para, Sam. — Sério. E que homem, hein? Meu Deus. Tentei ignorá-la e voltei a focar na nossa conversa, mas, alguns minutos depois, o garçom se aproximou e colocou um drink novo na minha frente. — Eu não pedi outro… — Cortesia da casa. — Ele apontou discretamente para o homem misterioso. Meus olhos encontraram os dele novamente, e ele sorriu. Samara me cutucou. — Sofia, pelo amor de Deus, vai lá agradecer. Meu instinto dizia para ficar onde eu estava, mas antes que eu pudesse tomar uma decisão, ele já estava vindo em minha direção. — Espero que tenha gostado da bebida. — Sua voz era profunda e envolvente. Tentei não demonstrar nervosismo. — Obrigada, mas não precisava… Ele sorriu de lado. — Não precisava, mas eu quis. Uma mulher tão bonita merece um bom drink. Senti meu rosto esquentar. — Você sempre oferece drinks para desconhecidas? — Só quando algo me intriga. Havia algo nele… uma intensidade, uma confiança que me deixava sem palavras. Eu não sabia quem ele era, mas naquele momento, pela primeira vez em muito tempo, me senti desejada. . .
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