Narrado por Marco A manhã seguinte à festa da Sofia chegou com um silêncio que quase me emocionou. A casa, tão cheia de risos e conversas na noite anterior, agora parecia exalar uma paz sagrada. Caminhei devagar até a janela da sala, ainda descalço, observando o jardim coberto pelo orvalho da madrugada. Aquela festa... foi a primeira vez em meses que vi Sofia se esquecer do tratamento. Do medo. Da dor. Ela sorriu como se não estivesse com um tumor lutando para sobreviver no próprio corpo. Dançou com a Samara, comeu bolo, riu com meus pais e até se emocionou com o presente da Eleonora — aquele relicário com a foto da Luiza e uma mensagem gravada: “Você já venceu”. Mas agora, passado o efeito da celebração, eu sabia que o mundo real batia à porta. Matteo ainda respirava. E enquanto ele ex

