Narrado por Lara Fazia três noites que eu não dormia direito. Na cela, cada barulho me despertava. Cada olhar atravessado me gelava por dentro. A tentativa de assassinato deixou marcas, sim. Físicas, mentais, mas acima de tudo: existenciais. Eu me olhava no espelho rachado do banheiro coletivo e me perguntava se ainda restava algo em mim que pudesse ser salvo. O advogado de Marco tinha vindo até mim, me oferecido a única moeda que ainda me restava: redenção. Mas o que é redenção quando você não sabe se vai viver até a semana que vem? Eu andava de um lado para o outro na cela, apertando as mãos suadas. Falar a verdade significava enfrentar Matteo. Significava me expor, virar um alvo de novo. E eu não sabia se queria isso. Eu sobrevivi uma vez. Será que teria tanta sorte de novo? Ao me

