Narrado por Sofia Acordei com o som dos passarinhos lá fora e o cheiro suave de café invadindo o quarto. Ainda sonolenta, rolei na cama e dei de cara com o travesseiro vazio. Marco já não estava ali. Espreguicei o corpo com preguiça e fui até a varanda do quarto. A luz dourada da manhã se espalhava pelo campo verde à frente da casa, e ali embaixo, no jardim, Marco brincava com Luiza. Ela estava no colo dele, gargalhando enquanto ele fazia caretas e fingia vozes engraçadas. Era uma cena que me desmontava. Por um instante, fiquei apenas observando. Nunca imaginei que alguém como ele — tão sério, tão poderoso — pudesse ser tão delicado com uma criança. Com a minha filha. Mas ele estava ali. Todos os dias. Inteiro. Desci devagar e me aproximei sem fazer barulho. — Bom dia, dorminhoca — el

