Narrado por Sofia O sábado amanheceu abafado, como se o próprio ar carregasse a tensão que dominava meu corpo. Não consegui dormir direito. A cada vez que eu fechava os olhos, imaginava mil formas diferentes do jantar acabar em desastre. Uma mulher como eu, com meu passado, minhas cicatrizes, meu diagnóstico… sendo apresentada à família de um homem como Marco D’Alessandro. Era quase cômico, se não fosse desesperador. Samara entrou no quarto com um sorriso vitorioso e um cabide nas mãos. — Achamos! — disse ela, empolgada. — Estava na liquidação, mas quando bati o olho, soube que era pra você. Sentei na cama, ainda de camisola, e encarei o vestido. Azul petróleo, tecido leve, com caimento perfeito e um decote em V delicado. Era bonito. Bonito de um jeito que fazia minha garganta apertar.

