Narrado por Marco O dia começou comum demais. E eu aprendi, com o tempo, que os dias silenciosos são os que mais carregam tempestades escondidas. Sofia ainda dormia, descansando depois da sessão de quimioterapia. Estava mais frágil do que o normal, os ombros curvados, a pele ainda pálida, mas os lábios entreabertos em um resquício de sorriso. Talvez sonhasse com a festa surpresa da noite anterior, talvez estivesse apenas em paz. Aquela imagem dela, encolhida sob os lençóis, era o retrato do que eu queria proteger até o fim da vida. Eu tomava café na sala, lendo uma atualização de investimentos da filial de Zurique, quando a campainha tocou. Fui até a porta esperando encontrar um entregador, talvez algum funcionário. Mas me deparei com um homem de blazer escuro, com um envelope na mão.

