Capítulo — D4, Rhavy

907 Words
D4 tem 27 anos, alto, moreno, olhos claros que misturam verde e azul, como se carregassem um mar turbulento dentro de si. Forte, cheio de tatuagens que contam histórias de batalhas e poder. Se você tirasse a arma dele, poderia facilmente confundi-lo com um playboy da zona sul — mas por trás daquela aparência, está o homem que comanda o morro com pulso firme e coração de ferro. Nascido e criado no morro, D4 viu sua vida virar de cabeça para baixo aos 17 anos, quando o pai morreu durante uma das invasões policiais. Naquele momento, ele precisou assumir o lugar do homem da casa. Sua mãe entrou em depressão profunda e acabou falecendo quando ele tinha 18 anos, deixando-o sozinho para cuidar do irmão mais novo, Bernardo — o Corote. Desde então, D4 e Corote vivem como irmãos e parceiros inseparáveis, e ele considera Paula como sua irmã caçula. Enquanto o pai ainda vivia, D4 aprendeu tudo o que sabe: como comandar o morro, a lidar com o perigo, como manejar armas. Mas o pai também era rigoroso e o obrigava a estudar — algo que D4 levou a sério, sempre tirando boas notas. Só que, aos 17, o garoto precisou endurecer o coração. Tornou-se conhecido como um "demônio" — temido por muitos no morro. Dizem que ele mata sorrindo, num piscar de olhos, e que não brinca em serviço. Corote — Bernardo Com 20 anos, Corote é o irmão mais novo de D4, seu braço direito. Eles se parecem muito — no sorriso e na personalidade. Alto, moreno, olhos verdes penetrantes, é a calma em pessoa, o contraponto tranquilo para o fogo de D4. Corote assumiu a responsabilidade pela casa quando a mãe morreu, nunca deixou D4 sozinho, cuidando dele com lealdade e amor. Desde então, a parceria entre os dois é forte, inseparável, um mata e morre pelo outro. BX BX tem 26 anos, é moreno, alto, tatuado, com olhos castanhos atentos. É braço direito de Corote e D4, entrou no crime jovem, quando a mãe adoeceu e o pai os abandonou. Desde então, aprendeu a se virar e se tornou uma peça fundamental na engrenagem do morro. D4 — Um dia no morro Acordei cedo hoje. É dia de carregamento de drogas, trabalho pesado. Tomei um banho rápido, fiz minha higiene, e fui direto para o closet. Escolhi uma bermuda jeans, uma camiseta branca simples, coloquei minhas correntes e o relógio, borrifei um perfume marcante e calcei um tênis. Pronto, o pai está cheiroso para encarar o dia. Peguei minha arma e fui para a cozinha tomar café. Olhei para o relógio: 7 horas da manhã. O filho da p**a do Corote ainda estava dormindo. Subi até o quarto dele e o sacudi. — Caraio, deixa eu dormir mais um pouco, p***a — ele resmungou. — Acorda logo, ti! Espero você na boca em 20 minutos. Hoje tem carregamento para você conferir e não me estressa — falei ríspido. — Tá bom, já vou — ele resmungou, levantando. Saí para a boca do morro numa moto, resolvendo uns negócios pelo caminho. Quando meu rádio chiou, era BX avisando que a moradora nova tinha chegado, acompanhada da Paulinha. Ela já havia me falado dessa amiga, disse que a menina é tranquila, por isso deixei ela subir com a Paulinha, mas já avisei: se fizer furdunço, sobra até para ela. Liberei a passagem. Já eram 11 horas da manhã e eu morria de fome. Conferi as mercadorias que chegaram e mandei Corote correr atrás de mais trabalho. Ele acha que a vida é um morango, né não? Terminei meus afazeres, eram 13 horas, peguei a moto e fui almoçar na lanchonete da Tia Lu. A comida de lá é maravilhosa. Maylla — Primeiro encontro com D4 Depois que chegamos, conversamos muito sobre tudo. Paulinha queria me levar para comer na casa da Tia Lu, uma moça muito legal que a ajuda, e cujo tempero é famoso por aqui. — May, já está pronta? — Paula chamou, chamando minha atenção. — Já estou, só ajeitando o shorts — respondi, saindo do quarto. Saímos grudadas, parecendo duas doidas de tanta animação. Ao chegar na lanchonete, meus olhos foram atraídos por um moreno alto, bonito, de olhos claros e tatuagens por todo o corpo. Paula correu até ele. — E aí, D4! Como vai? — ela disse, sorridente. — Vou bem, maninha. E essa aí, quem é? — ele perguntou, olhando para mim. — Essa é a Maylla, a menina que te falei que viria morar comigo, lembra? — Paula respondeu. — Ah, sim. Seja muito bem-vinda. Sou o D4. Qualquer coisa que precisar, mina, pode dar um salve — ele disse, com voz firme e olhar que parecia medir cada detalhe meu. Falei um “obrigada” meio trêmula, só agora me dando conta de que ele era o dono do morro. Em um cochicho com Paula, reclamei: — Como você me apresentou para o dono do morro sem avisar? Nem me preparou? Ela deu de ombros, sem ligar muito. Sentamos em outra mesa e comemos. A comida era ótima — depois da comida da minha tia, era a melhor que eu já tinha provado. Durante a refeição, trocamos vários olhares com D4. Eu sabia que não podia me envolver, que nada aconteceria entre nós, mas aquela tensão no ar era difícil de ignorar. Depois, voltamos para casa, assistimos algo na TV e acabamos dormindo no sofá.
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