Lily:
Uma semana depois...
Após chegar da escola tomei um banho rápido,desci para comer alguma coisa,e depois me joguei no sofá.
Apesar de ainda estar com apenas quatro meses de gestação, eu já me sentia um pouco cansada.
Dormi um pouco.
Quando acordei, Sam estava me olhando com um leve sorriso nos lábios.
- Oi! Desculpe, eu não queria ter te acordado. Mas achei tão lindo você dormindo feito um anjinho, que acabei ficando aqui te olhando. - Sorriu.
- Tudo bem. - Também sorri, e sentei - me no sofá rapidamente.
- Então, Lily.. Eu e o seu pai temos algo para te dizer, e esperamos que nos entenda, e aja com maturidade. - Sam falou.
- O que houve dessa vez? - Perguntei preocupada.
Papai desceu as escadas em silêncio, e sentou - se ao meu lado.
- Vocês estão muito estranhos! Sem enrolações,me digam logo o que está acontecendo! - Falei os encarando.
- Bom,Lily! Eu estou indo embora dessa casa. - Sam falou.
- Quê? - Arregalei os olhos.
- Foi muito bom enquanto durou, mas eu e o seu pai queremos coisas diferentes, temos planos diferentes, então nós resolvemos que cada um, vai para o seu canto. - Completou.
- Vocês.. Quê? Eu não acredito! Como assim tão repentinamente? Vocês não se amavam? Gente vocês iam casar! O que está acontecendo? - Perguntei ainda sem entender.
- Na verdade, nós nos precipitamos quando resolvemos morar juntos! - Sam disse fazendo uma pausa. - Foi muito bom, nós nos curtimos muito, mas não deu! A gente não se ama! O seu pai nunca vai esquecer a sua mãe,e o meu estilo de vida é outro Lily! Eu gosto de ser livre, viver na praia,surfar, vender os meus artesanatos, e não ter lugar certo para morar! Entenda, meu amor! - Acariciou o meu rosto.
Quê? ಠ.ಠ
- Eu até tentei ser uma dona do lar, esposa, dedicada,mas aquela não era eu! - Exclamou.
- Ué, mas você não era professora? - Questionei.
- Não. O seu pai que inventou isso para causar uma boa impressão. - Respondeu. - Mas, espero que não fique mágoas, ou clima r**m entre nós,ok?Quero continuar sendo amiga de vocês,e quero acompanhar o crescimento desse bebê lindo que você está esperando. - Sorriu. - Então, o que você me diz? - Me perguntou.
- Eu digo que estou passada demais para opinar. - Respondi.
Ela e papai riram.
- E o Senhor, pai? O que me diz? - Perguntei ironicamente.
- O que eu tenho para lhe dizer, é basicamente tudo o que a Samantha já falou, filha! Na verdade, nós estamos nos libertando de nós mesmos. Estamos saindo de um relacionamento de forma amigável,e sábia. - Respondeu.
- Tudo bem. A escolha é de vocês! - Dei de ombros.
Os dois me abraçaram, eu me despedi da Sam ainda sem acreditar, e em seguida papai a levou até o lugar onde segundo Samantha, era o refúgio, e moradia dela : A praia.
Lily:
Após a segunda separação do meu pai,eu fiquei divida entre a casa de minha mãe,e a casa dele.
Na verdade, papai estava louco para se declarar para a mamãe, mas não encontrava maneiras de chegar até ela.
Eu até poderia ajudá-lo,mas preferi não me envolver,e deixar as coisas fluírem naturalmente.
Eles precisavam se apaixonar um pelo outro novamente!
Não apenas se beijarem, e ir para a cama por ir!
Eles precisavam desenterrar aquele amor que havia ficado guardado no fundo do baú, e viver todas as sensações que deveriam ter vivido no começo de tudo.
Mas para isso, eles precisavam ir com calma..
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Fui até o shopping com a mamãe comprar algumas coisas para o bebê, e acabamos encontrando a Cat por lá. Ela me chamou para ir até a casa dela, e eu fui deixando mamãe levar as compras para casa, acompanhada pelo meu pai.
Chegando lá, dona Helena,e Sr. Estevão não estavam em casa.
Eu e Catarina ficamos conversando no quarto dela,até o namorado dela chegar lá, e roubar toda a atenção dela para ele.
- Lily! Me espera aqui só um minuto enquanto eu vou dar uma saidinha com o meu namorado? Vai ser rápido, eu juro! Enquanto isso, você pode ver tv, mexer no meu notebook,ou jogar algum de meus jogos! Tem bastante comidinhas no meu frigobar, pode ficar á vontade! Tudo bem,por você? - Perguntou.
Assenti com um gesto de cabeça.
Ela deu um beijo em minha bochecha, e saiu quase correndo.
Fiquei vendo tv no quarto dela, e comendo bolachas,batatas fritas, e outras porcarias que quase todo mundo gosta.
- Catarinaaa! - Ouvi alguém gritar pela casa. - Cata.. - Eliéser parou no mesmo instante em que me viu. - Lily? - Arregalou os olhos.
- Eliéser? O que você está fazendo aqui? - Perguntei.
- Ué,eu moro aqui! - Revirou os olhos.
Nossa! Que cabeça essa minha!
- É,eu sei! - Bufei.
Riu.
- A Catarina? - Franziu o cenho.
- Saiu com o namorado. - Respondi.
- Tratante! - Bufou.
- Ciúmes de irmão? - Ri.
- Eu? Com ciúmes da Catarina? Fala sério! - Fez careta.
- E o que é isso então? - Perguntei rindo.
- Raiva de gente que não cumpre o que promete! - Resmungou. - Chegou uma remessa gigantesca de livros na biblioteca, ela disse que iria me ajudar a organizar tudo, mas pelo visto.. Está ocupada demais trocando saliva! - Deu um soco contra a parede.
- Calma. Eu posso te ajudar. - Falei.
- Você? - Me olhou rapidamente.
- É! Adoro livros! - Dei de ombros.
- Só vou aceitar por quê sem a ajuda de alguém, eu não vou conseguir organizar tudo sozinho! - Fez pouco caso.
- Orgulho é algo muito f**o, sabia? - Gargalhei.
- Vamos logo! Nós temos muito trabalho á fazer! - Apressou - me.
Deixei um pequeno bilhete para Catarina em cima da cama, saí da casa acompanhada por Eliéser, entrei no carro dele, e seguimos caminho para a biblioteca.
Lily:
- Prontinho! Todos organizados por categoria! - Falei olhando para aquele mundo de livros á minha frente.
- Ufa! Não sei o que teria sido de mim,sem você aqui para me ajudar! - Eliéser disse limpando o rosto com um lencinho de papel.
- Depois da dança,os livros são a minha paixão. Não foi sacrifício algum organizar essas belezinhas! - Sorri.
- Falando em dança.. Você não dança mais? - Perguntou.
- Eu estou grávida, esqueceu? - Revirei os olhos.
- Hum. O maior sonho do meu irmão era tornar - se um bailarino conhecido mundialmente. - Fez uma pausa. - Ele era muito bom. - Concluiu com a voz embargada.
- Quando fazemos algo com amor, somos os melhores. - Falei.
- Por isso sou o melhor bibliotecário, e gerente de biblioteca desse país e quem sabe, do mundo! - Brincou.
Ri alto.
- Ué, não sou? - Perguntou. - Eu conheço um pouco de cada livro que está em cada prateleira dessa biblioteca,sabia? Não é o máximo? - Fez careta.
- Claro! - Afirmei.
- Tá, eu poderia estar trabalhando em uma grande empresa, poderia ser um engenheiro, advogado, médico, mas.. Estou aqui! E agradeço a Deus por isso! - Falou.
- Mas talvez se você estivesse em qualquer outro lugar, ou em outra função, você não teria se encontrado! - Forcei um sorriso.
- Antes eu até tinha vergonha da minha profissão. Pedia para os meus irmãos,e os meus pais mentirem, dizerem que eu trabalhava em um cargo importante em uma empresa importante, mas hoje eu não vejo o por quê de me envergonhar com algo que eu amo tanto. - Falou observando aqueles livros todos.
Enquanto falava, pude ver emoção,alma em cada palavra que ele dizia.
Os seus olhos brilhavam ao contar as suas experiências ao longo de tantos anos exercendo tal profissão, e aquilo era realmente o máximo!
- Admirável! - Suspirei.
Ele riu timidamente.
Senti uma tontura repentina, e pontadas na cabeça.
- Lily? Tudo bem? - Eliéser perguntou, e eu já não conseguia mais vê-lo nitidamente.
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Abri os olhos de uma vez.
- Ela acordou! - Alguém exclamou.
- O que aconteceu? - Perguntei desorientada.
- Uma grávida não pode ficar sem alimentação por muito tempo, sabia? O bebê precisa de nutrientes dos alimentos que você consome. E se não há nutrientes,
consequentemente você ficará fraca, e o seu filho também. - O médico explicou.
- Nossa! Eu apaguei. - Falei assustada.
- Te receitei algumas vitaminas,e daqui a alguns minutos você será liberada. - Entregou uma receita para Eliéser. - Papai, por favor dê mais atenção para esta jovem, e a monitore hein? Ela está com o peso muito abaixo do recomendado para uma gravidez saudável. - Concluiu, dando batidinhas no ombro de Eliéser, e retirou - se do quarto em seguida.
Papai? Quê?
Nos olhamos completamente paralisados.
- Bom, eu irei chamar a enfermeira para saber da sua liberação. - Ele disse tímido, e retirou - se rapidamente.