Sobre Um Novo Amor

2077 Words
Lily: Acordei cedo, e em seguida também acordei a minha mãe com vários pequenos empurrões. - Hey! Acorda! - Sussurrei. - Lily! Por quê tão cedo? Está sentindo alguma coisa? - Perguntou com um olho aberto, e o outro fechado. - Não. Eu estou bem. - Comprimi os lábios. - O que é então? - Fez careta. - A proposta! - Forcei um sorriso. - Hã? - Coçou a cabeça. Revirei os olhos. - Ah sim! A proposta.. - Levantou - se da cama cambaleando. - Vou tomar um banho, a gente vai tomar café em alguma padaria,e eu te falo. - Disse já entrando no banheiro. Bufei. Por quê tanto mistério? Esperei,e quando finalmente fomos para uma padaria próxima dali.. - Agora fala! Eu não aguento mais! - Falei ofegante. - Calma! - Mamãe riu. - Estou começando a achar, que você não tem nada para me falar! - Fiz cara f**a. - Bom, vamos deixar de enrolação! Eu quero que você volte comigo para os Estados Unidos. - Falou de uma vez. - Quê? - Arregalei os olhos. - Você pode recomeçar a sua vida lá, filha! Eu,você, e essa criança linda que está por vir! - Sorriu. - Não sente saudades dos seus amigos, da sua escola, ou da nossa casa? - Me olhou fixamente. - Sim, sinto. - Respondi. - Mas.. - Baixei a cabeça. - Mas? - Franziu o cenho. - De alguma forma, eu me sinto presa a esse país. - Comprimi os lábios. - Aqui tem o meu pai, tem a escola de dança, os meus amigos da companhia, e tem a família de Ettore. - Arfei. - Não estou falando para você mudar para os Estados Unidos definitivamente, filha! Quero apenas ficar um pouco mais com você,curtir a sua gravidez, e poder me sentir sua mãe, sabe? - Beijou as minhas mãos. Sorri. - Você pode passar apenas uma temporada comigo, e depois você volta para o Brasil, o que acha? Talvez quando você voltar, a Samantha já esteja bem, e te receba como antes. - Falou. - E a saudade que eu vou sentir do papai? - Perguntei com um leve aperto no coração. - Pensa primeiro na saudade que você sentiu de mim quando ficamos longe uma da outra! - Deu de ombros. - Convencida! - Mostrei a língua. Gargalhamos. - Então? - Perguntou animada. - Se quiser, te dou um tempo para pensar. - Propôs. - Eu irei! - Respondi decidida. - Sério? - Mamãe perguntou visivelmente surpresa. - Sim. Preciso apenas comunicar para os familiares do Ettore, e para o meu pai. - Respondi. - Mas, por quê deve satisfações á eles? - Perguntou um pouco irritada. - Este bebê também será neto deles. - Tomei um gole de café. - Tudo bem. Se quiser, ao sairmos daqui nós iremos na casa dos seus sogros comunicá-los hoje mesmo. - Falou. - Não, eu irei sozinha. - Falei séria. Mamãe apenas assentiu com um gesto de cabeça. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 15 minutos após... Levei algumas das minhas roupas de bailarina para doar na escola de dança, e aproveitei para m***r a saudade da Mariela, e dos meus amigos. Depois, peguei um ônibus e fui até a casa dos pais do Etto. Chegando lá, Cat me recebeu muito simpática,e carinhosa (sempre mimando a minha barriga). - Sua mãe está? - Perguntei tímida. - Na cozinha. - Respondeu me puxando pela mão, e me levando até a "temida" dona Helena. - Oi? - A cumprimentei sem graça. - Oi. - Respondeu seca. - Bom, eu vim até aqui falar com a Senhora. - Falei enquanto ela continuava de costas para mim, lavando algumas louças. - Fala, Lily! Mamãe está ouvindo! - Catarina falou sentada á mesa, com as mãos no queixo. - É particular, Cat.. - Falei sem jeito. - Tudo bem! Catarina ansiosa, saindo de cena! - Ela disse com as mãos levantadas, retirando-se da cozinha. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• - Senta! - Dona Helena falou arrastando uma cadeira da mesa, para que eu me sentasse. Sentei - me em silêncio. - Pode falar! Desenbucha! Ainda tenho muitas coisas á fazer hoje, e não posso perder tempo com coisas supérfluas! - Falou grossa (como sempre). - Bom, não tomarei muito do seu tempo. - Fiz uma pausa. - Quero apenas lhe comunicar, que irei passar um semestre nos Estados Unidos com a minha mãe. - Falei sem delongas. - Quê? - Me olhou de um jeito estranho. - Eu irei ficar fora por um tempo. - Repeti. - Jamais! Eu não aceito! Você não vai me deixar longe do meu neto por tanto tempo! - Alterou - se. - Eu voltarei. - Falei apenas. - Você não voltará! Por quê você não vai! Se pensa que vai sumir com o meu neto, está muito enganada! - Gritou. - Mas.. - Tentei falar. - Nem mais, nem menos garota! Espera o meu neto nascer, e depois some! - Gritou novamente. - Escuta aqui, Lily! Se você sair do país,eu irei te achar onde quer que você vá! Eu não aceito ficar longe do único fruto que o meu filho deixou. - Chorou. - Não se preocupe, dona Helena! É só um semestre,e você não ficará longe dele. - Tentei ser positiva. - Enquanto estiver fora, lhe mandarei notícias sempre. E como lhe disse, eu irei voltar! Logo passa! - Sorri. - Que d***a,garota! Já falei que você não vai sair do Brasil carregando o meu neto! - Berrou, e jogou algumas xícaras no chão, as quebrando furiosa. Eliéser entrou na cozinha correndo assustado, e a discussão á respeito da minha viagem,envolveu toda a família. Lily: - Como assim.. Não vai mais? - Mamãe arregalou os olhos. - Eu não quero confusão com a dona Helena, mamãe. - Comprimi os lábios. - Vai se privar da sua vida, por causa de uma mulher amarga,e atrevida? - Arqueou as sobrancelhas. - Se tem uma coisa que eu quero, é paz mamãe! Paz! - Arfei. - Tudo bem. Se ela não quer ficar longe do neto, eu também não quero! - Ela disse. - Quê? - A olhei ligeiramente. - Se minha filha não vai comigo, eu ficarei aqui! - Sorriu. A abracei forte. - Sério mesmo? - Perguntei. - Seríssimo! Vou conseguir um apartamento legal para nós três morarmos, e seremos muito felizes juntos. - Respondeu. - Nossa, eu não esperava! - Sorri. - Eu faço qualquer coisa por você, e por o meu neto meu amor! - Beijou a minha bochecha. - Vocês são a minha família. - Me envolveu em um abraço caloroso. - Eu te amo, mãe! - Falei olhando nos olhos dela. - Eu te amo ainda mais,minha filha. Agora vai para a escola, pois não quero que fique reprovada! - Exclamou. - Tudo bem. - Sorri, e saí. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• Na escola, ocorreu tudo bem apesar de eu ter tido bastante trabalhos perdidos para recuperar. Após a aula, fui até a biblioteca inglesa para fazer algumas pesquisas para o meu trabalho de história. Passei por algumas prateleiras, peguei alguns livros, mas ainda não estava encontrando o que eu queria exatamente. - Gosta dos contos de Poe? - Uma voz masculina falou. Virei - me rapidamente, e Eliéser estava atrás de mim. - O que você está fazendo aqui? - Arregalei os olhos. - Gosta de ler agora? - Revirei os olhos. - Eu trabalho aqui! - Riu. - Você, o quê? - Perguntei em um susto. - Eu trabalho aqui. - Repetiu. - Está precisando de ajuda? - Perguntou. - Nossa.. Eu juro como pensei, que você exercia um cargo importante na sociedade! - Ironizei. - Bibliotecários também são importantes, só para lembrar.. - Bufou, e saiu. - Não! Ei! Espera! - Gritei. Ele olhou para trás. - Desculpe a minha falta de delicadeza. - Fiz uma pausa. - Tenho uma pesquisa sobre grandes autores ingleses. Você poderia me ajudar? - Forcei um sorriso. - Você deveria saber disso! Aliás, não passou boa parte da vida morando nos Estados Unidos? - Ironizou,e saiu me deixando com cara de tacho. - Mas que.. - Bufei. Fui atrás dele novamente, e ele estava em uma mesa rindo, e conversando com algumas garotas. - Ei, Senhor bibliotecário! - Bati em suas costas. Ele virou - se. - Você. - Fez cara de poucos amigos. - Vai me ajudar, ou prefere que eu reclame com a direção da biblioteca, que o bibliotecário está se recusando a ajudar uma aluna? - Cruzei os braços. - Isso é uma ameaça? - Sorriu. - É! - Virei a cara. - Reclama com o gerente! - Falou. - Ah, esqueci que EU sou o gerente! - Completou. - b****a! - Resmunguei. - Vou embora! - Saí apressadamente. Quando cheguei á porta da biblioteca, Eliéser me puxou pelo braço e disse que iria me ajudar. Saí de lá quando já estava fechando para o almoço,mas com a minha pesquisa em mãos. - Obrigado por a ajuda. - Comprimi os lábios. - Por nada. Se precisar, já sabe! - Disse fechando algumas portas. - Tudo bem. - Falei indo em direção a saída. - Lily! - Chamou. - Oi? - Respondi. - Desculpe a minha mãe, por ontem. Ela não é assim por quê quer, ou por maldade. - Suspirou. - Após a morte do Etto, ela ficou muito sensível,e ama muito esse filho que você está carregando. Ela não suportaria ficar longe do neto,assim como eu não suportaria ficar longe do meu sobrinho. - Sorriu. - Eu não irei mais, se é o que quer saber! - Revirei os olhos, e fui embora. Lily: Já bastante cansada, fui até a casa de meu pai vê-lo. Sam me recebeu em silêncio. - Lily! - Me abraçou. - Pai. Que saudades! - Retribuí. - Como você está? - Perguntei. - Estou bem. - Comprimi os lábios. - E o Senhor? - Perguntei. - Estou bem também. - Forçou um sorriso. - E você, Sam? - Perguntei. Ela usou o silêncio como resposta. - Sam? Não vai responder a Lily? Seja educada, ao menos! - Falou sério. Ela levantou - se do sofá, e chamou - me com um pequeno gesto,indo em direção ao andar de cima. - Eu também irei! - Papai falou. - Não! Este é um assunto nosso. - Baixei a cabeça. - Mas se ela.. - Me olhou nervosamente. - Me fizer m*l? A Sam não irá me fazer m*l algum! - Afirmei. Subi as escadas vagarosamente. Chegando lá em cima andei pelos corredores, e a porta do quarto do pequeno Rick estava aberta. Sam estava desolada, olhando para dentro do berço vazio. - Como ele está? - Perguntei me referindo ao meu irmãozinho. - Não está! - Ela respondeu. - Quê? Ele.. - Lágrimas caíram de meus olhos no mesmo instante. - Ele se foi, Lily! - Ela respondeu aos prantos, e logo me abraçou. Fiquei sem ação,com um nó na garganta, e doeu! Doeu muito perder mais uma pessoa que eu amava. - Ele lutou até o fim, mas.. Não deu! - Sam dizia. Logo, papai também entrou no quarto e nos envolveu em um abraço. - Eu amo vocês! Vocês são a minha família! Não irei abandoná-los nunca ! - Falei os beijando. - A culpa foi toda minha, Lily! Me perdoe por ter te culpado. A culpa foi toda do meu ciúmes possessivo! - Samantha desculpou-se. - Deixa o passado, no passado! Não se culpe! Infelizmente não era pra ser! - Respondi acariciando os cabelos dela. Ela chorou até cair em um sono profundo. Papai a colocou na cama,e me pediu ajuda para desmontar o quarto do bebê. O ajudei,mas com uma tremenda dor no coração. - Como está? - Perguntei. - Triste, arrasado,mas eu ainda tenho você. - Papai respondeu. - Eu estou aqui para o que precisar. Cuidarei de você, e de minha madrasta. - Falei, e o abracei. Papai chorou feito uma criança. Fiz com ele, o que ele havia feito com a Sam horas atrás. Enquanto os dois dormiam, preparei uma sopa,tomei um banho, e fui para o meu quarto. Estava um pouco empoeirado,já que eu havia passado alguns dias fora de casa, mas nada que uma vassoura e um espanador não resolvessem. Deitei em minha cama, e olhando para o teto, fiquei pensando,em como alguém que carregava consigo uma dor tão grande (a perca de Ettore) ainda conseguiu consolar alguém. Já que na maioria das vezes, eram as pessoas que me consolavam, e o contrário não acontecia. Fiquei lembrando de alguns bons momentos com Etto, e até ri um pouco. Depois,lembrei que ele não estava mais ali, e só restaram as boas lembranças. Peguei a caixinha de madeira com as cartas que ele havia me deixado, e uma que ainda estava fechada, me chamou muito a atenção. Sobre um novo amor.. Talvez aí dentro, você deva estar pensando que ninguém é capaz de ocupar o seu coração novamente. Mas, eu te digo: É possível! Eu te amo! Por isso te deixo livre.. Seria egoísmo de minha parte te deixar presa á mim, ou ás lembranças que te deixei. Quero que siga em frente! Claro, que é difícil para mim! Mas eu te amo! Por isso te deixo ir.. Peço apenas, que não me deixe guardado no fundo de um baú. Lembre - se de mim, com alegria! Pense em mim, como alguém que muito te amou em sua passagem pela terra. Te amo, De seu Ettore. Respirei fundo, e chorei. Por mais que ele tenha dito para eu seguir em frente,me desprender do que nós vivemos não é tarefa fácil. E eu não queria me desprender disso, e apagar,ou simplesmente deixar adormecido como se a nossa história não tivesse sido especial! - Eu me recuso á abrir o meu coração para outra pessoa! - Falei em voz alta.
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