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4696 Words
Sofia Mais de três anos depois Não lembro exatamente quando vi a primeira foto de Danilo com uma loira ao lado. Aconteceu há alguns meses, pouco depois do Ano Novo. Estava folheando os sites dos jornais de Indianápolis para me familiarizar com minha futura casa e, para ser honesta, me sentir mais próxima do meu noivo. Meu coração disparou quando a imagem de Danilo saindo de um clube com uma loira alta zombou de mim na tela do meu laptop. Quem era ela? Ela era a razão pela qual ele raramente me ligava? Ela havia ocupado o lugar de Serafina em seu coração? Minha mente estava indo a cem milhas por hora. Não podia perguntar a Samuel ou a meus pais sobre isso, então fiz o que sempre fazia - liguei para Anna, pedindo conselhos a ela. Ela me convenceu a não pirar e, na manhã seguinte, mandou-me mais artigos, publicações que obviamente haviam sido retiradas do ar logo após a disponibilização, e todas tinham fotos de Danilo com garotas loiras. Ninguém havia ocupado o lugar de Serafina no coração de Danilo. A cada nova conquista, ele parecia procurar uma réplica dela. Pela primeira vez, uma centelha de raiva se misturou com meus sentimentos usuais de inadequação. Ainda não éramos oficialmente noivos, mas é claro que todos em nossos círculos sabiam que estávamos prometidos um ao outro. As pessoas estavam fofocando sobre eu tomar o lugar de Serafina pelo que pareciam séculos. Todos pareciam lamentar sua perda, sempre comparando sua beleza etérea e cabelo loiro com minha aparência menos angelical. Quando era mais jovem, não me importava de ter o cabelo castanho do papai e na maioria dos dias ainda não me importava, mas às vezes não queria nada mais do que ter herdado o loiro da mamãe. Saber que Danilo estava perseguindo garotas loiras para se lembrar da minha irmã me machucou nas primeiras vezes, mas eventualmente aborrecimento foi adicionado à mistura. Ele obviamente tentou manter seus casos em segredo, a julgar pela rapidez com que todos os artigos eram retirados do ar. Mas agora que eu sabia, a verdade se alojou em meu coração como um buraco n***o em constante expansão. Às vezes, conseguia me convencer a acreditar que ele apenas gostava de loiras e não estava procurando por Serafina 2.0, mas sabia que estava mentindo para mim mesma. Não tinha falado com ninguém além de Anna sobre minha descoberta nos três meses que se passaram, mas minha mente estava girando com pensamentos. Amanhã seria meu aniversário de dezesseis anos, e Anna e sua família chegariam hoje para comemorar conosco. Como no ano passado, Danilo não viria me visitar. O vi algumas vezes desde que ele passou a noite após Fina fugir, mas não conversamos mais do que algumas palavras. Fiquei dividida entre o alívio e a decepção. Talvez fosse melhor que não tivesse que enfrentá-lo até que superasse seu vício em garotas loiras. Mas quando isso aconteceria? Sabia que ele mandaria Emma e um presente de aniversário, então me ligaria obedientemente. Meus sonhos tolos de dançar com ele em uma de nossas reuniões sociais ainda não haviam se concretizado. No momento em que a campainha tocou, anunciando a chegada de Anna e sua família, corri para fora do meu quarto, animada por ver minha melhor amiga novamente. Conversávamos ao telefone e trocávamos mensagens todos os dias, mas só nos víamos uma vez por mês. Mamãe e papai já estavam no foyer. Demorou um pouco para que nossas famílias encontrassem o caminho de volta depois que Fina fugiu. Fiquei feliz que nossos pais tivessem resolvido às coisas porque isso me permitia ver Anna. Ela me viu na escada e sorriu amplamente. Ela estava deslumbrante em uma saia xadrez bonita e uma camiseta branca lisa com estampa da Gucci. Sempre que a via e admirava seu cabelo castanho, lembrava que tínhamos quase a mesma cor de cabelo, então por que não ficava feliz com ele quando o amava nela? Leonas parecia entediado como sempre, muito legal para este mundo, enquanto a pequena Beatrice, que tinha apenas dois anos, parecia tonta. Corri escada abaixo e abracei Anna antes de cumprimentar o resto deles. — Podemos ir para o meu quarto? — Perguntei no momento em que cumpri minhas obrigações de anfitriã. O olhar que papai me deu foi de repreensão, mas ele estava sorrindo. — Tudo bem, mas o jantar é em uma hora. Peguei a mão de Anna e a conduzi em direção à escada quando notei Bea, suas marias-chiquinhas loiras balançando descontroladamente, tropeçando atrás de nós. Anna suspirou em aborrecimento. — Ela está colada ao meu lado. — Ela se virou para Valentina. — Mãe, você pode, por favor, pegá-la? Sofia e eu não nos vemos há anos, precisamos conversar. — Vocês se falaram por mais de uma hora no telefone ontem, — Leonas murmurou. — Quem te perguntou, Loirinho? — Anna rosnou. — Anna, — advertiu Dante, mas ele sorriu para mim. Val pegou Bea no colo, apesar de seus protestos em voz alta, e Anna e eu aproveitamos a chance para fugir e nos esconder em meu quarto. Nós nos jogamos na minha cama. Em preparação para nossa conversa de garotas, coloquei chocolate, chips de batata e frutas na minha mesa de cabeceira para fazer um lanche. — Como vão as coisas com o Santino? — Perguntei quando nos acomodamos na minha cama, vários travesseiros apoiados em nossas costas e uma tigela com batatas entre nós. Mesmo que meu problema com Danilo queimasse em minha cabeça, não queria ser a amiga chata que nunca parava de falar sobre seus próprios problemas. Anna revirou os olhos. — Ele está sendo irritante. Ele me trata como se fosse uma criança s*******o, comandando-me como se fosse meu chefe. Ele não age como se estivesse trabalhando para mim, mas o contrário. — Tecnicamente, ele trabalha para seu pai, não para você. — Inclinei minha cabeça, considerando o leve rubor nas bochechas de Anna. — Você gosta dele? Ela pegou um chip. — Ele é bonito, mas intolerável. Porém é divertido de irritar. Ri. — E ele é seu guarda-costas. Seu pai o mataria se ele tocasse em você. Ela encolheu os ombros. — Sou boa com ele, a menos que ele entre em modo super protetor para se certificar de que sigo seus conceitos de segurança. — Sei como é, — murmurei. Ser ‘ar’ para Danilo era algo com o qual já deveria ter me acostumado, mas ainda doía, principalmente depois de ver fotos de seus casos nos jornais. Minha incapacidade de não me importar era o que mais me incomodava. Gostaria de poder ser legal sobre isso e apenas fingir que ele era ar até nos casarmos. Anna se virou para mim, seus olhos azuis penetrantes como sempre. — Você ainda não superou aquelas fotos? Espero que tenha parado de verificar as notícias por mais imagens. Meu rosto esquentou. Prometi a Anna que pararia de perseguir Danilo, mas a curiosidade sempre me vencia. — Simplesmente não entendo por que ele continua namorando aquelas garotas loiras. É estranho. — Ele está sendo um i****a, e o que está fazendo com elas provavelmente não se qualifica como namoro. Ele realmente deveria prestar mais atenção aos paparazzi quando estiver andando bêbado com seus brinquedos. Como sempre, fiquei na defensiva quando Anna atacava Danilo. — Aquelas não eram fotos oficiais e ainda não estamos juntos, então ele pode fazer o que quiser. É um problema meu sentir insegurança sobre suas ações. — Provavelmente não teria me sentido tão m*l por Danilo estar com outras garotas antes do nosso casamento se cada mulher em seus encontros não fosse alta e loira. Elas eram parecidas com Serafina. Nenhuma delas tinha a menor semelhança comigo. — Mesmo assim, — Anna disse incisivamente. — É estranho como ele escolhe todas aquelas garotas loiras. Já faz anos. Por que ele não consegue superar seu orgulho ferido? Era realmente só o orgulho que atraía Danilo para aquelas meninas? Ou era um desejo de se lembrar da minha irmã, de possuí-la de alguma forma, mesmo que tenha sido roubada dele? Esperava que vê-la feliz nas fotos do casamento fosse o chute que ele precisava. Isso me ajudou. Saber que Fina estava feliz com sua nova vida era o encerramento que precisava para deixá-la ir totalmente. Ainda sentia falta dela, mas fiz as pazes com a distância entre nós. O casamento parecia ter sido o momento decisivo para Samuel também. Ele não tinha superado completamente a perda dela ainda, mas na maioria dos dias ele parecia estar bem. Às vezes me perguntava se Danilo fingia que aquelas meninas eram Serafina quando dormia com elas. Ele sussurrava elogios doces em seus ouvidos enquanto as segurava, imaginando que fosse minha irmã? Ele ao menos pronunciava o nome dela? O mero pensamento me deixou com raiva e nauseada ao mesmo tempo. — Ele parece preferir as loiras. — Tentei soar como se isso não importasse, mas Anna me conhecia muito bem. Ela olhou para mim. — Não se compare a Serafina. Ela se foi. Você está aqui. Quando era pequena, às vezes queria ser minha irmã porque ela era mais velha e todos a admiravam, sem mencionar o vínculo estreito que ela tinha com Samuel. Era um desejo inocente, como uma garotinha querendo ser Ariel ou Cinderela, mas recentemente se tornou algo mais obsessivo. Não pude deixar de me perguntar se as pessoas - principalmente Danilo - me tratariam de maneira diferente se parecesse mais com Serafina. Ainda não seria ela, mas talvez as pessoas reparassem em mim. Tinha agendado horário no cabeleireiro na manhã seguinte para testar minha teoria. Não contei a ninguém sobre meus planos, nem mesmo a Anna, porque sabia que ela tentaria me convencer do contrário. Talvez fosse uma ideia estúpida, mas não havia m*l em tentar. — Não é isso que todo mundo faz? — Murmurei. — Eu não, e talvez você só pense que sim porque sempre se compara com ela. Enrolei uma mecha do meu cabelo no dedo. Castanho - uma bela cor se você a considerar estritamente por si só. — Como estão as coisas entre você e Leonas? Ainda uma zona de guerra? Anna revirou os olhos para mim com a minha tentativa barata de mudar de assunto, mas ainda assim me deu uma resposta. Depois disso, ficamos longe do assunto Danilo. Na manhã seguinte, depois do café da manhã, Anna e eu estávamos descansando na minha cama, assistindo a um filme, quando uma batida soou na minha porta. Samuel enfiou a cabeça para dentro. — Precisamos sair se você quiser ir no cabeleireiro. Ele deu a Anna um pequeno aceno de cabeça antes de sair, deixando a porta entreaberta. — Ele costumava ser mais divertido, — disse Anna. — Sim, eu sei. — Desde que Serafina foi embora, ele ficou terrivelmente sério e focado. O sucesso da Outfit como sua força motriz. Ele trabalhava muitas horas e m*l tirava um dia de folga. — O que você vai fazer com o seu cabelo? — Anna perguntou enquanto me seguia para o corredor. Hesitei. Realmente não queria lhe contar sobre meus planos. Queria surpreender a todos, mas as palavras de Anna ontem me deixaram preocupada a noite toda. — Só vou cortar as pontas — menti, evitando os olhos de Anna, mas eles pareciam me radiografar. Nunca fui uma boa mentirosa e Anna era boa em detectar mentiras. — Aí está você! — Leonas gritou do saguão. — Tire Bea de minhas mãos. Ela é irritante. — Sua irmãzinha agarrava-se à perna da calça de Leonas. Ela obviamente queria ser carregada. — É a sua vez, — disse Anna. — Ela é bonita. Adoraria cuidar dela, — eu disse. Leonas me lançou um olhar exasperado. — Sim, por uma hora. Mas ela é uma pequena déspota quando não consegue o que quer. — Não é um pouco cedo para a fase teimosa? — Perguntei quando Anna e eu chegamos ao saguão. Bea continuou puxando as calças de Leonas, mas Anna a ergueu e deu um beijo em sua bochecha. — Hora das garotas. Bea deu uma risadinha. Meu estômago apertou quando os gêmeos de Serafina passaram pela minha mente. Eles eram apenas um ano mais velhos do que Bea, mas não os via como a minha irmã há anos. Sentia muita falta deles e não conseguia nem falar com ninguém sobre eles. Os gêmeos eram bandeiras vermelhas na minha família - até o nome de Serafina raramente saía dos lábios de alguém. Muita dor era associada à perda de minha irmã. As poucas vezes que tentei perguntar a Samuel se ele ainda tinha contato com Fina não tinham funcionado bem. Se você não prestasse muita atenção, podia parecer que qualquer indício de Fina e os gêmeos foi apagado desta casa e de nossas vidas, mas sua memória permanecia. Samuel entrou no saguão, usando jeans, uma camisa social branca e uma jaqueta de couro. As meninas da minha classe sempre ficavam loucas quando ele me levava de carro para a escola ou me buscava. Seu constante comportamento irritado apenas parecia adicionar combustível ao fogo de suas paixonites ridículas. — Pronta? — Ele perguntou. Balancei a cabeça e acenei um adeus para Leonas, Bea e Anna, em seguida, segui meu irmão em direção ao seu carro esporte chique. Ele passou um braço protetoramente em volta dos meus ombros. — Você está bem? — Perguntou em voz baixa. Ele sempre me fazia essa pergunta no meu aniversário e no Natal. Ele provavelmente percebia o quanto eu sentia falta dela, mas nunca admitiu sentir sua falta. Ele raramente pronunciava o nome dela. Eles eram gêmeos, eram absolutamente inseparáveis e agora ela se fora. Procurei seus olhos. — E você? Ele me deu um sorriso. Ele era bom com aqueles sorrisos rápidos. — Claro, ninha. Franzi meu nariz. Eu desprezava meu apelido abreviado. Ele fez de propósito, é claro. Ele abriu a porta do carro para mim. — Onde você quiser ir. Sentei-me e Samuel deslizou para trás do volante. Quando saímos da garagem, o carro de Carlo nos seguiu. Acostumei-me com sua presença constante ao longo dos anos. No começo, papai e Samuel ficaram chateados por Danilo ter mandado seu próprio guarda-costas para me proteger, mas para mim era um pequeno sinal de que ele se importava comigo de alguma forma, mesmo que demonstrasse o contrário. Como todos os homens em nosso mundo, ele era um maníaco por controle. Samuel não entrou no salão de beleza comigo. Ele, como Carlo, esperou no carro. Disse-lhe que demoraria um pouco, mas ele não se importou e não fez perguntas. Como a maioria dos homens, Samuel não fazia ideia de quanto tempo as garotas passavam no cabeleireiro. Anna teria suspeitado se eu dissesse que precisava de duas horas. Nenhum corte de cabelo demorava tanto. Minha festa começaria no início da noite, então ainda tinha tempo. Minha cabeleireira sorriu para mim. Tinha dito a ela o que queria fazer por telefone. Quando ela começou a aplicar o clareador, meu estômago embrulhou. Nunca tinha pintado meu cabelo, nunca mudei nada na minha aparência. E não tinha certeza de qual seria o efeito. Duas horas depois, olhei para meu reflexo. Por um momento, tive certeza de que estava vendo um fantasma. Minha cabeleireira havia alisado meu cabelo e tingido de loiro, o mesmo loiro dourado claro de Serafina. Olhei para amostras de diferentes tons de loiro por cerca de trinta minutos antes de escolher o tom certo. Minha garganta travou. Com o penteado e a cor da Fina, eu parecia com ela. Tínhamos a mesma cor de olhos, as mesmas maçãs do rosto salientes e nariz estreito. Eu tinha algumas sardas, mas minha maquiagem as cobria, e era mais baixa, mas sentada, era a sósia de Serafina. Estava tão perto do original que meu coração doeu e meu pulso acelerou. Minha cabeleireira tocou meu ombro quando não reagi. — Amei isso. — As palavras saíram soando ásperas. Não tinha certeza se gostei. Não tinha certeza do que sentia. Queria parecer com Fina porque ela era a pessoa que todos admiravam quando estava por perto, e fazia muita falta. Danilo a queria, ou pelo menos alguém que se parecesse com ela - se seus hábitos de namoro fossem alguma indicação. Mamãe, papai e Samuel também sentiam falta de Fina. Talvez Danilo finalmente olhasse para mim e visse mais do que a garota que não fora sua primeira escolha. Ainda assim, arrepios subiram na minha pele enquanto olhava para mim mesma. Esta não era eu, e definitivamente não era quem eu queria ser. Se não demorasse duas horas para pintar de volta, teria pedido a minha cabeleireira para fazer isso imediatamente. Em vez disso, levantei-me, paguei e saí. Meu coração bateu forte quando me vi na vitrine. Como um fantasma de Serafina. Samuel estava encostado no carro, lendo algo em seu telefone. No momento em que me viu, a cor sumiu de seu rosto. Congelei na calçada a poucos passos dele e cuidadosamente toquei meu cabelo liso. Samuel se endireitou lentamente, mas a expressão de choque e horror permaneceu em seu rosto. Essa não era exatamente a reação que esperava. Surpresa, sim, mas isso... este horror absoluto? — O que foi que você fez? Encolhi os ombros, tentando minimizar. Não queria que as pessoas dessem grande importância a isso. Só queria que percebessem que eu não era tão diferente de Serafina, que também era digna. Queria que me vissem. Claro, agora que me vi com cabelo loiro, percebi o quão e******o meu plano tinha sido. — Precisava de uma mudança. — Sofia, — Samuel sussurrou asperamente, agarrando meu braço. — Você... por que você quer se parecer... com a Serafina? Lágrimas picaram meus olhos, mas uma bola feroz de indignação e raiva cresceu dentro de mim. Ele fez soar como se eu tivesse manchado a memória dela ao tentar me parecer com ela, como se eu não fosse digna dessa aparência. Ele era parte da razão pela qual queria parecer com Fina, e agora agia como se não tivesse noção. Ou talvez realmente não tenha percebido o quanto ele e todos os outros lamentavam sua ausência e quão pouco espaço deixaram para mim. Não queria brigar com Samuel, não hoje. — Só queria tentar algo diferente. Samuel suspirou, tirando os olhos do meu cabelo quase dolorosamente. Ele me deu um abraço de um braço só. Abriu a porta para mim e não dissemos mais nada até chegarmos em casa. A reação de Samuel foi apenas o começo. Quando chegamos em casa, as coisas só ficaram mais estranhas. Mamãe foi a primeira a me ver e parecia completamente surpresa. Ela congelou no último degrau da escada, um monte de guardanapos de mesa na mão. Ela olhou para Samuel e depois para mim. Tinha certeza que ela começaria a chorar, mas então seu rosto se suavizou e ela me deu um sorriso tenso. Seu aperto no corrimão era rígido. — Você pintou o cabelo? Ela tentou soar casual, mas eu podia dizer que não era fácil para ela. Queria surpreender a todos, não provocar esse choque horrorizado. Todo mundo sempre comentou sobre como o cabelo de Serafina era lindo. — Queria a sua cor de cabelo, — disse. Claro, esse não era o motivo. O olhar da minha mãe me disse que ela sabia a verdade. Ela acenou com a cabeça enquanto se aproximava de mim, seus olhos constantemente voando para o meu cabelo como se precisasse de uma prova para acreditar. Ela tocou meu cabelo com cuidado. — Seu cabelo era lindo. Já sinto falta. Examinei seu rosto, me perguntando se ela estava sendo honesta. Ela me preferia com cabelo castanho? Ou o loiro a lembrava muito de Serafina e da dolorosa verdade de que eu não era ela? — Onde está Anna? — Perguntei. A reação de Sam e mamãe me fez sentir constrangida. Minha nova aparência foi criada para me dar um impulso, não quebrar minha autoconfiança ainda mais. — Ela está lá em cima em seu quarto de hóspedes. Não se esqueça de que seus convidados chegarão às cinco. Subi as escadas correndo e bati na porta de Anna. A porta se abriu, me assustando. Leonas surgiu a porta, seus olhos se arregalando enquanto olhava para mim. — Uau, o que aconteceu com você? — Ele deixou escapar, me olhando como se eu fosse um alienígena. Corei, mas desviei com um encolher de ombros casual. — Mudei meu cabelo. Talvez você deva considerar isso também. Ele revirou os olhos e jogou o cabelo para trás. — Eu gosto do meu cabelo. Anna deu um passo atrás de Leonas. Um olhar para mim a fez empurrar Leonas para fora de seu quarto. — Dê-nos um pouco de privacidade. Vá incomodar Samuel. — Ei! — Leonas protestou, mas Anna me arrastou para dentro e bateu a porta na cara dele. Nossos olhos se encontraram. Podia dizer imediatamente que ela não era fã do meu novo penteado. Isso fazia duas de nós. — O que você fez? — Ela assobiou. Seu olhar traçou meu cabelo, quase como se não pudesse acreditar no que estava vendo. Toquei meu cabelo. Não parecia diferente de antes - nem eu. — Só queria uma mudança, — disse defensivamente. Anna parecia em dúvida. — Achei que tínhamos prometido nunca mentir uma para a outra. Nós tínhamos jurado isso quando tínhamos seis anos, e desde então sempre dizíamos a verdade uma a outra. Anna era minha confidente. Com a partida de Fina, ela era minha única. Simplesmente não conseguia falar sobre tudo com mamãe, muito menos com papai ou Samuel. — Não é uma mentira, — murmurei, então suspirei. Fui até a cama e me sentei, olhando para o teto. — Queria uma mudança, mas... — Respirei fundo, odiando admitir o que me motivou. — Todo mundo sente muita falta da Fina. Desde que ela foi embora, há um enorme buraco em nossas vidas. Só queria que as pessoas me notassem. Anna se esticou ao meu lado, me observando. Mantive meu olhar à frente, envergonhada. — Mas você não é ela. Mesmo o cabelo loiro não vai mudar isso. — Eu sei, — disse miseravelmente. A reação de Samuel e mamãe deixou isso bastante claro. Anna juntou nossas mãos. — Você não precisa ser ela. Você é perfeita do jeito que é. Você não acha que seus pais e Samuel sentiriam sua falta da mesma forma se você fosse embora? Seja você mesma. Eventualmente, a lacuna que o desaparecimento de Serafina deixou se fechará. Apenas dê um tempo. Eles iriam? Samuel e Fina tinham um vínculo especial, o que era natural. Quando não disse nada, Anna se inclinou sobre mim, seu rosto era tudo que eu podia ver. — Ou é sobre o Danilo? Encolhi os ombros novamente. Se continuasse, logo deslocaria meu ombro. — Não é que seja sobre ele. — Pausei. — Ele ainda está apaixonado por Fina. Posso dizer o quanto está sofrendo porque ela se foi. Anna balançou a cabeça e bufou. — Ele não está apaixonado por ela. Ele nem mesmo a conhecia. Quantas vezes eles se viram? Duas vezes por ano em eventos sociais. Aposto que ele nunca viu seu lado privado, apenas o oficial. Aquele que todos nós temos que manter pelo bem das aparências. Mas um não se parece com o outro. Mesmo se ele tivesse uma queda por ela, o que duvido, tinha uma queda por aquela imagem externa perfeita que ela apresentava, não por seu verdadeiro eu. E a única coisa machucada é seu orgulho, certamente não seu coração. — Agora você é um especialista em homens? — Brinquei. Parte de mim achava que Anna estava certa, mas a forte reação emocional de Danilo ao perder Fina me preocupava. — Sou uma especialista nas regras do nosso mundo. Danilo queria Fina por seu status e imagem, nada mais. — Mas isso não torna as coisas ainda piores? Como posso competir com uma imagem perfeita? Fina é maior que a vida agora que se foi. Não consigo ocupar o lugar dela. — Então não faça. Não tente substituí-la. Seja você mesma porque isso é o suficiente. — Mas eu sou a substituta dela, pelo menos para Danilo, — sibilei, minha frustração mostrando sua cara feia. Anna fez uma careta. — Esqueça-o por enquanto. Ele vai superar. Quando vocês dois se casarem, já terá se esquecido dela. Balancei a cabeça, mas não estava convencida. Ele obviamente tinha alguns problemas obsessivos para resolver. Toquei meu cabelo com incerteza. — Parece tão r**m? — Não, claro que não. Está absolutamente linda, mas você é tão linda com seu cabelo castanho. — Mas você parecia horrorizada quando me viu pela primeira vez. — Claro. Porque sei por que você fez isso. E esse é o problema. Agora que você está loira, as pessoas a compararão ainda mais com Fina, porque você lhe deu uma a******a e um lembrete. — Eu não vi assim. Talvez eu deva mudar novamente? Anna considerou isso. — Se você mudar imediatamente, pode parecer que você tem algo a esconder. Conhecendo sua cabeleireira, seu novo penteado provavelmente já está circulando em nosso círculo. Anna tinha razão. A maioria das mulheres do nosso mundo frequentava o mesmo salão de cabeleireiro, e a fofoca era sua ocupação principal. — Então vou ficar com ele por um tempo. Anna examinou meu rosto. — Tem certeza de que pode lidar com toda a reação? As pessoas farão perguntas. Você terá que apresentar seu novo cabelo com confiança, ou as pessoas atacarão ainda mais. Nunca me considerei sem confiança, mas as coisas mudaram desde o sequestro de Fina. Sentia-me uma espectadora. — Estou tão cansada de estar sempre nas sombras. Achei que se me parecesse mais com Fina, as pessoas finalmente veriam. — Acredite em mim, estar no centro das atenções não é tudo o que parece ser. Se pudesse escolher, preferiria ser alguém que as pessoas não observassem o tempo todo. Se você está na luz, suas falhas são muito mais proeminentes e todos procuram por elas. Todos estão esperando por um acidente. No momento em que estou cercada por pessoas que não são próximas da família, nem sou mais eu. Sou a versão pública perfeita que todos esperam que eu seja. Sou Anna em público e é extremamente estressante ser ela. Portanto, fique feliz com o seu lugar nas sombras enquanto durar porque, uma vez que você se casar com Danilo, todos vão vigiar cada movimento seu. — Anna respirou fundo e fez uma careta. — Desculpe, isso não era para se tornar uma festa de piedade para mim. — Por que não? Tenho celebrado minha própria festa de piedade excessivamente. — Até eu estava começando a me cansar do assunto Fina, mas Anna era uma verdadeira soldada e nunca reclamava. Nós sorrimos uma para a outra. Então Anna ficou séria novamente. — Só me prometa que não vai mudar sua personalidade por Danilo ou por ninguém. Você é quem você é, e isso é perfeito. Eu a abracei, desejando poder ter a força de Anna, mas talvez eu apenas descobrisse a minha. — Eu não vou. A reação ao meu novo visual variou de choque aberto a elogios exuberantes. Perdi a conta das vezes que me disseram que eu era exatamente igual a Serafina. Sempre foi um elogio, como se ela fosse o objetivo final, e embora fosse o que pensava que queria, isso apenas me irritou. Talvez secretamente esperasse que todos me dissessem quão bonita era antes e alimentassem meu ego, em vez disso, eles o esmagaram. Mas isso era minha própria culpa. Esperava que a reação de Danilo pelo menos fizesse essa provação valer a pena. Talvez me ver como uma loira finalmente virasse o interruptor que o faria se apaixonar por mim. Era uma esperança rebuscada, e nem tinha certeza se era o triunfo que deveria esperar. Realmente ficaria feliz se ele de repente me bajulasse por causa do meu cabelo loiro? Só tinha que esperar mais dois meses até que finalmente descobrisse. Mais dois meses para nossa festa oficial de noivado. Meu coração acelerou com o pensamento.
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