Danilo
Ao longo dos anos, houve longos períodos de tempo em que não via Sofia. m*l pensava nela depois que seguimos nossos caminhos separados. Desta vez, tudo foi diferente. Desde que deixei Sofia no chalé dela depois do nosso encontro na festa, não conseguia parar de pensar nela.
Era principalmente preocupação com seu bem-estar, mas não só isso. Pela primeira vez, a vi como mais do que uma garota que tomou o lugar de sua irmã. Ela era uma jovem com curvas que me atraíam. Não havia como negar.
A culpa, mais uma vez, foi uma companheira muito importante quando repassei o que acontecera. Quando encontrei Pietro e Samuel sete dias depois da festa em Chicago para a iniciação de Leonas, pensei brevemente em lhes contar. Até o casamento, Sofia deveria ser protegida. Mesmo se não soubesse que era ela, quebrei meu voto, o código mantido por gerações. O que fiz foi imperdoável.
Quando vi Sofia descer as escadas, parecendo absolutamente alucinante em um vestido justo, mas elegante, desejei poder voltar no tempo. Passei tanto tempo lamentando o passado e o que foi perdido que não me concentrei no que o destino havia me dado.
Sofia era linda além da medida.
— Você ainda tem mais dois meses antes de poder olhar para minha filha desse jeito, — avisou Pietro, apertando minha mão com mais força do que o necessário.
Apertei minha mandíbula enquanto sorria. — Não se preocupe. Vou honrar Sofia do jeito que ela merece. — Foi o que prometi a mim
mesmo depois da festa. Não poderia desfazer o que havia acontecido, mas tentaria fazer melhor e esperava que Sofia me desse uma chance. A maneira como ela evitou meus olhos me deu pouca esperança disso, no entanto. O presente que trouxe para ela cravou na minha coxa através do meu bolso.
Quando ela e Samuel pararam na nossa frente, a atenção de todos se voltou para nós.
O sorriso de Sofia era brilhante, mas seus olhos não refletiam a mesma exuberância. Eles eram cautelosos, nenhum sinal da paixão tímida do passado. Samuel a soltou e me deu um aceno afiado antes de cumprimentar alguns dos capitães. Toquei levemente o quadril de Sofia e me inclinei para beijar sua bochecha. — Feliz aniversário, Sofia.
Ela ficou tensa sob meu toque, mas não se afastou.
— Obrigada, — ela disse formalmente. Procurei seus olhos, mas com dezenas de espectadores era difícil criar um momento privado.
— Posso ter um momento a sós com você? — Perguntei baixinho. Normalmente, teria que perguntar ao pai dela primeiro, mas depois do sim, Sofia seria obrigada a me dar a mesma resposta. Queria que isso partisse dela.
Ela passou a língua sobre o lábio nervosamente, chamando minha atenção para sua boca. Praticamente a fodi contra uma árvore, mas ainda não a tinha beijado. Remediaria isso assim que nos casássemos - se ela me deixasse.
— Se meu pai concordar, — ela disse. Virei-me para Pietro e ele deu seu consentimento. Nenhum dos convidados se sentiria ofendido se afastasse minha noiva deles por um momento. Ela poderia aceitar seus cumprimentos de aniversário mais tarde.
Sofia me conduziu até o escritório de seu pai. Abri a porta para ela e levemente toquei suas costas para movê-la para dentro. A sensação de sua pele despertou um desejo primitivo em mim, mas o afastei.
Sofia se esquivou do meu toque. Seu corpo transbordava de relutância em estar perto de mim agora que estávamos sozinhos. Se não
fosse pelo ambiente público, ela provavelmente teria fugido. Fechei a porta, meu peito apertando com a cautela em seus lindos olhos.
— Eu me desculpei, Sofia. Achei que isso tivesse resolvido as coisas.
Ela balançou a cabeça, pressionando os lábios. Sua falta de comunicação me frustrou. Eu não estava acostumado a receber tratamento silencioso e odiava jogos mentais. Então algo me ocorreu. Será que ela não se lembrava do meu pedido de desculpas? Tentei me lembrar da noite. Eu não era bom em desculpas, mas mesmo que não tivesse dito as palavras reais, Sofia deve ter percebido que expressei minhas sinceras desculpas de outras maneiras.
— Está tudo bem, — ela disse rapidamente, mas obviamente não estava.
Dei um passo em sua direção e peguei suas mãos. Ela não recuou, mas também não relaxou. — Não teria te tocado se soubesse que era você. — As palavras reais do “desculpe-me” eram muito difíceis para dizer. Era um mau hábito do qual não conseguia me livrar.
Sofia olhou para mim com um sorriso tenso. — Eu sei.
Não tinha certeza do que fazer com sua reação. Frustrado por minha própria incapacidade de me comunicar adequadamente com ela, tirei a pequena caixa com seu presente, na esperança de salvar a situação dessa forma.
— Isto é para você, — disse enquanto entregava a pequena caixa para ela.
Ela pegou e abriu. Eu tinha escolhido um colar de ouro intrincado com um pingente de lágrima cravejado de diamantes. Inês tinha me dito que Sofia estava de olho nessa peça em particular por um tempo. — É lindo. Como você sabia?
— Sua mãe me disse. — Sofia assentiu. Tirei o colar. — Devo ajudá-la a colocá-lo?
Ela se virou e ergueu o cabelo, prendendo a respiração quando meus dedos roçaram sua pele enquanto prendia o colar. Ela se virou. — E então?
— Parece perfeito em você.
Seus olhos pareciam perfurar os meus, como se ela estivesse tentando ver além do óbvio. Não tinha certeza do que ela estava procurando. Poderia dizer que o presente não teve o efeito que eu esperava.
— Talvez devêssemos voltar para a festa? — Ela sugeriu, se afastando de mim.
— Claro, — falei, seguindo-a de volta para a sala de estar. Sofia manteve distância de mim ao longo da noite, uma distância educada que eu não estava acostumado. Era o tipo de comportamento que desejei quando ela era mais jovem, mas agora que o dia do nosso casamento estava próximo, sua nova relutância em se aproximar me preocupava.