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3038 Words
Sofia — Sofia, Anna, vamos nos atrasar! — Mamãe chamou. Arrumei uma mecha rebelde pendurada no meu r**o de cavalo e estudei meu reflexo. Anna entrou no banheiro e me abraçou por trás, apoiando o queixo no meu ombro. — Você está bem? Sorri. — Sim. Sou eu mesma. — Ela tinha me feito a mesma pergunta ao telefone todos os dias nas últimas duas semanas. Eu estava bem fisicamente. Minha dor havia desaparecido depois de alguns dias. Minhas emoções ainda estavam confusas, no entanto. Cada vez que Danilo me enviava uma mensagem perguntando sobre meu bem-estar, o que havia acontecido quatro vezes nas últimas duas semanas, eu era dominada por uma mistura de emoções. Finalmente, a raiva venceu e deixei claro que não queria que ele continuasse me incomodando. — Tente aproveitar o dia. Você está ansiosa para comprar o vestido há anos. Coloquei minha mão sobre a de Anna. — Eu vou, não se preocupe. Este vestido é sobre mim, não sobre Danilo. Não vou desperdiçar nenhum pensamento com ele. Mas ainda desejava que mamãe tivesse marcado um encontro para comprar vestidos de noiva antes - antes da festa; antes de perceber que meu noivo não era o que minhas tolas esperanças o fizeram parecer. Já estávamos atrasadas para os padrões do planejador de casamento. Seis meses antes do casamento era a data mágica para encomendar um vestido, mas mamãe insistiu que esperássemos um pouco mais. Tive a sensação de que ela estava sendo supersticiosa, como se estivéssemos testando o destino se comprássemos o vestido muito cedo, como se a história pudesse se repetir. Emma já havia comprado seu vestido algumas semanas antes do Natal. Anna tinha chegado na noite anterior, e nós assistimos filmes e conversamos até depois da meia-noite, então nós duas tivemos problemas para acordar cedo para o compromisso. — Sofia! Anna! Anna e eu pegamos nossas bolsas e descemos as escadas. Mamãe já estava esperando, vestida com um casaco de inverno grosso e parecendo impaciente. Colocamos nossos próprios casacos antes de irmos em direção ao carro na garagem. Samuel estava ao volante. Carlo e dois outros guarda-costas nos seguiriam em um carro separado. Samuel me deu um sorriso tenso antes de sairmos. Estive presente quando Emma escolheu seu vestido e esperava que meu irmão o amasse tanto quanto eu. Fiquei triste por Emma não poder vir hoje, mas o que me entristeceu ainda mais foi que Fina não estava comigo. Sempre que imaginei este dia quando era uma menina, tanto mamãe quanto Fina estavam presentes. Agora, minha irmã estava a milhares de quilômetros de mim. Eu não tinha visto ou ouvido falar dela em mais de cinco anos, e agora que o dia do meu casamento estava se aproximando, estava desesperada para falar com ela. Paramos em frente à melhor loja de noivas de Minneapolis. Quando entramos na loja iluminada, tontura substituiu minha tristeza. Centenas de vestidos cobriam as paredes em dois andares, uma infinidade de diferentes tons de branco. No passado, sempre me vi em um vestido de princesa com renda, strass e uma saia cheia. Como uma princesa da Disney, como Anna sempre dizia, mas eu não era mais a mesma garota ingênua. Sabia que o Príncipe Encantado não existia na vida real. A vendedora, uma mulher voluptuosa de quase 50 anos, com batom vermelho vivo e unhas compridas da mesma cor, nos cumprimentou com uma bandeja de champanhe. Mamãe franziu os lábios quando Anna e eu pegamos as elegantes taças, mas não comentou. A vendedora nos levou a um provador separado que continha apenas as peças mais exclusivas, como ela nos garantiu. — Por que você não olha os vestidos e escolhe cinco ou seis de seus favoritos para experimentar? Não recomendo escolher mais do que isso, porque eventualmente começarão a se misturar e você ficará confusa. — Com um sorriso brilhante, ela saiu para nos dar privacidade. Mamãe e Anna se viraram para mim. — Você tem alguma ideia de como gostaria que fosse? — Perguntou minha mãe. — Elegante. Gostaria de um véu, mas nada muito chamativo ou bufante. Minha mãe trocou um olhar de surpresa com Anna. — Por que você não nos mostra um exemplo, para que possamos saber o que procurar? — Mamãe disse. Aproximei-me dos vestidos à minha direita e tirei um vestido branco marfim sem ombro com mangas compridas. Olhei para o vestido, senti o material de seda e sabia que precisava experimentá-lo imediatamente. — Assim, — sussurrei. — Experimente — pediu Anna, praticamente me empurrando para o vestiário, como se pudesse sentir que poderia ser o vestido. Não ousei pensar que poderia ter encontrado meu vestido na primeira tentativa. Isso parecia destino, e até agora, o destino não tinha sido realmente bom para mim ou minha família. A vendedora se juntou a mim no provador para me ajudar a me vestir, depois foi buscar uma anágua estreita para manter a saia fina e esvoaçante longe de minhas pernas para que eu não pisasse nela. Não havia espelho no vestiário, mas o vestido já parecia perfeito, como se tivesse sido feito especialmente para mim. No momento em que saí de trás da cortina, mamãe e Anna pararam o que estavam fazendo e me observaram. Meu coração batia forte enquanto caminhava em direção a um pequeno pedestal e os espelhos ao redor. Quando me vi, não tive dúvidas de que havia encontrado meu vestido. O tecido era arejado, uma malha de camadas finas. O modelo de ombro de fora era ousado. A renda enfeitava o corpete que envolvia meu corpo e descia para revelar meus ombros, clavículas, antebraços e até o volume dos meus s***s. O leve decote em coração acentuou meu peito. As mangas terminavam no meio dos meus antebraços e a saia rodada fluía elegantemente em torno das minhas pernas. — Perfeito, — mamãe jorrou. Anna concordou. Foi provavelmente a primeira vez que a vi sem palavras. A vendedora apareceu com um véu simples e elegante, que prendeu à minha cabeça com um aplique de cabelo cravejado de joias. Mamãe respirou fundo quando o véu caiu pelo meu rosto. Se Fina tivesse tido a chance de andar pelo corredor, ela teria usado um véu semelhante a este no estilo, como era tradição em nossa família. — Danilo vai ficar maravilhado, — sussurrou a mãe. — Eu amo isso, — eu disse simplesmente. Anna tocou meu ombro nu. — Então você deveria comprar. Você é a noiva, e tudo o que importa é que você o ama... e a você mesma. — As últimas palavras foram ditas muito baixinho. Sorri. — Este é o meu vestido. Não preciso experimentar mais nada. Eu me amei nele. Não tinha visto Danilo desde aquela noite, nem tinha visto Anna desde que saímos para comprar meu vestido de noiva. Falava com Anna ao telefone quase diariamente, mas Danilo havia parado de perguntar sobre minha saúde depois de outra resposta curta minha logo após a compra do vestido. Não queria sua preocupação, porque não tinha certeza se era honesta ou motivada pela culpa. Precisava de tempo para aceitar o ocorrido e encontrar a força necessária para me endurecer contra os sentimentos que Danilo evocava em mim. Minha paixão por ele não tinha desaparecido magicamente, mas prometi que não desistiria de mim mesma por essa paixão. Com meus pais, testemunhei o que era o amor verdadeiro, um dar e receber constante. Até agora, Danilo não tinha dado, mas eu precisava que ele desse. Não faria outro movimento. Era a vez dele. Saí do banheiro e fui para o quarto onde Anna estava colocando maquiagem na minha penteadeira. Ela e sua família chegaram a Minneapolis ontem. Isso nos deu a chance de nos prepararmos para minha festa de aniversário de dezoito anos - um dos eventos mais importantes para uma garota em nossos círculos. Anna se virou para mim quando entrei e seu queixo caiu. — Uau! O que diabos você está vestindo? — Anna só amaldiçoava para pessoas que conhecia bem e em quem confiava, pessoas que não a denunciariam. Eu amava isso, sabendo que era uma dessas pessoas. Olhei para mim mesma. — Um vestido. Pelo menos, foi o que a vendedora disse. — Sorri. Anna se levantou, revirando os olhos. — Isso não é um vestido. Isso é um risco. — Um risco? Ela andou ao meu redor, me olhando como se fosse um pedaço de carne. — Você é um risco para qualquer homem com problemas cardíacos. Bufei. — Certo. Fiquei emocionada com a reação de Anna. Quando vi o vestido pela primeira vez na minha boutique favorita, pensei que ficaria perfeito em Anna ou Fina, mas então reuni minha coragem e decidi que ficaria bem em mim também. E assim foi. Nunca tinha usado nada tão ousado antes. Era cortado na parte de trás, mergulhando até as covinhas na minha b***a. Lindas e intrincadas correntes de cristal Swarovski mantinham o tecido unido. Ele abraçava meu corpo como uma segunda pele. O decote era alto, atingindo minhas clavículas, o que só aumentava o fascínio. O vestido tinha uma longa f***a lateral, revelando mais da minha perna do que normalmente mostraria. Quando o coloquei pela primeira vez, não tinha certeza de que conseguiria, mas agora estava feliz por tê-lo comprado. Eu estava fabulosa. — Danilo vai enlouquecer quando te ver. Sorri para ela, mas nós duas sabíamos que era falso. Tentei evitar pensar em ver Danilo. Seria estranho. — Você vai ficar bem? Dei um aceno resoluto. Prometi a mim mesma manter a compostura perto de Danilo. Não me envergonharia novamente. — Deixe-me fazer sua maquiagem. Você deve estar espetacular. Segui Anna até a penteadeira e permiti que ela fizesse sua magia. Assim que ela terminou, meu cabelo caiu em meus ombros em cachos suaves e meus olhos pareciam maiores devido aos cílios postiços que ela colou nas minhas pálpebras. Nunca tinha usado cílios postiços em nossas reuniões sociais antes, mas adorei como eles acentuavam meus olhos. Eles não eram muito grossos ou extravagantes como os que usei com fantasia da Mulher-Gato, mas acrescentaram um toque agradável. Sorri. — Está perfeito. Anna estava linda em um vestido roxo escuro. — Anna, os convidados estão chegando, — Valentina chamou lá de baixo. — Minha presença é necessária para saudar seus convidados, — Anna disse com uma pitada de aborrecimento. Desde que me lembro, Anna tinha que assumir tarefas representativas. Era algo que se esperava da filha de um Capo. — Como é que não é nem mesmo meu aniversário, mas ainda me sinto como a anfitriã? — Ela fez uma careta. — Você deve odiar ser minha amiga. Realmente não pretendo monopolizar toda a atenção. Agarrei sua mão e apertei. — Anna, você é a filha do Capo. As pessoas sempre olharão para você quando estiver em uma festa. Não me importo. Sei que você não gosta. Isso me dá tempo para me recompor antes de descer para a minha grande entrada. — Pisquei para ela. — Anna! Anna revirou os olhos antes de sair, me deixando sozinha no quarto. Verifiquei meu reflexo novamente. Gostei do que vi. Com o passar dos anos, comparações abertas com Fina haviam se tornado menos frequentes, mas sabia que algumas pessoas ainda me comparavam a minha irmã. Mas hoje, talvez pela primeira vez, me senti confiante o suficiente para não me importar. Eu não era menos do que ela, definitivamente não era um prêmio de consolação. Peguei minha bolsa favorita - uma pequena bolsa com uma corrente de prata para que pudesse jogá-la por cima do ombro - e deixei meu quarto para descer as escadas também. A porta à minha direita se abriu e Leonas saiu, quase batendo em mim. — Cuidado, — avisei. — Uau! Corei. — Belo terno, — disse para encobrir minha reação. Leonas sorriu presunçosamente. — Leonas! — Valentina sussurrou-gritou, claramente no limite de sua paciência. — Minha presença é necessária, — ele disse com a mesma irritação que Anna havia demonstrado antes. Eles sempre insistiam que eram opostos completos e lutavam como cães e gatos diariamente, mas compartilhavam muitos traços de caráter. Leonas caminhou em direção às escadas, como se tivesse todo o tempo do mundo. O tom de Valentina sugeriu que não era o caso. Balançando a cabeça para fingir que estava indo bem, dei um passo seguindo pelo corredor quando Samuel saiu de seu quarto. Originalmente, o plano era que ele se mudasse para Chicago após o casamento de Fina e trabalhasse com Dante por alguns anos antes de retornar a Minneapolis para ajudar papai. Mas depois do sequestro, ele e papai decidiram que sua presença era necessária aqui para nossa proteção. Embora ele já tivesse uma mansão algumas casas abaixo da nossa, ele não se mudaria para lá antes de se casar com Emma. Ele congelou quando me viu. — Sofia, — disse ele, quase como se não me reconhecesse. — Sim? — Perguntei. Ele se aproximou de mim, me estudando da cabeça aos pés. — Quando você cresceu tanto? Não pude deixar de rir. — Deve ter acontecido nos últimos três ou cinco anos, suponho. — m*l me impedi de dizer 'enquanto você estava ocupado vivendo no passado'. Não queria nenhum conflito hoje. Ele riu, mas uma pitada de cautela permaneceu em seu olhar. — Parte de mim gostaria que você continuasse a ser a criança que eu podia chamar de joaninha. — Você ainda pode me chamar de joaninha quando não houver ninguém por perto. E é bom que eu tenha crescido ou meu casamento com Danilo em dois meses seria um problema. Os olhos de Samuel endureceram e seus lábios se estreitaram. — Dois meses, — ele repetiu como se tivesse esquecido o quão cedo o casamento seria. Ocasionalmente, me pegava chocada com o dia do casamento se aproximando. Costumava esperar ansiosamente pelo dia do meu casamento, mas agora me inclino mais fortemente para o medo. — Não se esqueça do seu próprio casamento, — provoquei para aliviar o clima. Samuel se casaria com Emma apenas duas semanas após meu casamento. Como sempre, o rosto de Samuel ficou reservado quando tentei falar com ele sobre Emma. Não o pressionei. Fina mencionou uma vez que ele raramente falava com ela sobre meninas. Ele era muito reservado sobre essas coisas. Muitas vezes me peguei pensando em Fina nos últimos meses, quase tanto quanto nos dias depois que ela fugiu com Remo Falcone. — Sam, — comecei hesitante. A cautela apareceu em seus olhos azuis. — Você ainda fala com a Fina? Seu rosto se fechou, mas agarrei sua mão antes que ele pudesse se afastar. — Por favor, Sam. Preciso falar com ela antes do meu casamento. Preciso de um encerramento antes de começar esta nova fase da vida. Samuel desviou o olhar de mim. — Você realmente acha que isso vai melhorar as coisas? Descobri que isso só complica as coisas. — Então, você ainda mantém contato com ela? — Pelo que sabia, ele não a via desde que compareceu ao casamento dela em Las Vegas, cinco anos atrás. — Devemos descer. Mamãe e papai já estão esperando. Meus dedos apertaram seu pulso. — Sam, por favor. Como um presente de casamento antecipado para mim. Sam suspirou. — Não falo com ela há meses. E você sabe muito bem que sempre que fazia, Dante estava ciente disso. Não vou trair a Outfit por Serafina, não quando ela faz parte da Camorra agora. — Talvez você possa lhe dar o número do meu celular para que ela possa me ligar se quiser? Não é como se eu pudesse dizer a ela algo importante. Não sei nada sobre negócios. Samuel olhou para mim por um longo tempo. — Se alguém descobrir, pode causar um rebuliço. Danilo vai ficar muito chateado. Não que nossos pais ou Dante fiquem muito mais felizes. — Eles não vão descobrir. — Vou dar a ela o seu número. Agora, devemos realmente descer. Apertei sua mão. — Obrigada. Samuel segurou meu rosto e beijou o topo da minha cabeça. Ele estendeu o braço e coloquei minha mão, então o deixei me levar escada abaixo. O zumbido suave da conversa aumentou. O foyer já estava cheio de nossa família e convidados chegando. Anna e Leonas ficaram obedientemente ao lado de seus pais para dar as boas-vindas aos convidados enquanto Bea pairava alguns passos atrás deles, parecendo entediada. Mamãe e papai estavam na vanguarda da festa de boas- vindas com os Cavallaros, logo atrás deles. Era tradição a família do Capo também receber os convidados. Meus olhos desviaram para a parte de trás do saguão onde Danilo e Emma surgiram, provavelmente porque usaram a porta dos fundos acessível para cadeiras de rodas. Danilo não me notou de primeira. Sua atenção estava em meus pais e na família de Dante quando ele foi cumprimentá-los. O sorriso que Anna lhe deu beirava a falta de educação, então ela me lançou um olhar de advertência. Sua preocupação era infundada. Mesmo que tivesse falhado em meus planos pré-estabelecidos antes, não cairia na armadilha do meu comportamento anterior hoje. Samuel tocou minhas costas levemente e pulei. Tinha me esquecido de sua presença. Ele ergueu uma sobrancelha interrogativamente. Precisava me controlar. Ninguém descobriu o que aconteceu. Samuel já estava louco de preocupação e raiva porque achou que eu tinha tentado ir à festa. Se ele soubesse o que realmente aconteceu, perderia o controle - e provavelmente tentaria matar Danilo. — Vamos. Concordei. Mas então Emma me notou e sorriu. Claro, Danilo seguiu o olhar da irmã. Preparei-me para o inevitável. Seus olhos encontraram os meus e brilharam de emoção. Surpresa? Choque? Seu olhar vagou pelo meu corpo como se fosse uma revelação antes de mudar sua expressão de volta para a máscara fria de sempre. Um lampejo de triunfo me encheu. Seu choque foi como um bálsamo para minha ansiedade. Mesmo assim, senti uma pontada de cautela e minhas palmas ficaram suadas. Mesmo agora que ele parecia o cavalheiro perfeito de novo, não conseguia esquecer seu comportamento naquela noite. Anna estava praticamente me radiografando com os olhos do outro lado do foyer, e encontrei força em seu olhar. Prometi a ela que seria forte e, mais importante, prometi a mim mesma. Desta vez não iria quebrar.
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