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2124 Words
SERAFINA Nós morávamos em Las Vegas há dois meses. Eu estava começando a me sentir em casa, mais em casa do que em Minneapolis desde que eu dera à luz aos meus gêmeos. Eu continuei enviando mensagens a Samuel, mas elas se tornaram menos frequentes por causa de sua falta de reação. Toda semana eu lhe enviava uma pequena nota dizendo que eu estava bem e uma foto dos gêmeos e de mim. Ele não havia respondido até agora, mas eu sabia que ele os lia e até mesmo isso foi uma pequena vitória. Ele não me bloqueara. Ele ainda queria saber como eu estava, embora eu fosse praticamente o inimigo agora. A guerra entre a Camorra e a Outfit não terminaria tão cedo, mesmo que as coisas estivessem calmas no momento. Dante provavelmente estava planejando algo, e eu estava bastante certa de que Nino e Remo não iriam se acalmar com a Outfit também. O aniversário de Remo era amanhã e, mesmo que ele não o celebrasse, eu queria lhe dar algo especial. Era difícil encontrar um presente para alguém que governava a Costa Oeste e podia comprar qualquer coisa que ele quisesse porque o dinheiro não era um problema. Demorei muito tempo para descobrir algo que tivesse significado e mostrasse a Remo o que ele significava para mim. No início da manhã, depois de mais uma noite sem dormir com os gêmeos, eu me aproximei de Nino, que estava nadando suas costumeiras voltas na piscina. Kiara estava vigiando os bebês, já que ambos estavam bastante agitados no momento devido a sua dentição. Nino percebeu que eu estava ao lado da piscina e nadou até a borda. — É algo importante? — Eu tenho um favor para lhe pedir. Nino saiu da água. Meus olhos examinaram a miríade de tatuagens na parte superior do seu corpo e coxas. Nino me olhou com curiosidade e percebi que estava olhando. — Desculpa. Eu não queria ficar de boca aberta, mas fiquei me perguntando onde você fez suas tatuagens. Nino foi até a espreguiçadeira e pegou a toalha. — Algumas delas eu fiz por mim mesmo. Aquelas em lugares que não consigo alcançar, eu fiz em um estúdio de tatuagem não muito longe. — Você faz tatuagens? — Eu posso fazê-las, sim, — disse ele. — Por quê? Eu hesitei. — Porque eu quero fazer uma tatuagem. Você pode fazer isso para mim? — Depende exatamente do que você quer. — Eu quero asas de anjo na parte de trás do meu pescoço, — eu disse, um rubor se espalhando nas minhas bochechas sob o escrutínio de Nino. Eu não tinha certeza se ele sabia o apelido de Remo para mim, mas parecia que eu estava compartilhando algo pessoal. — Asas, eu posso fazer... se você tiver um desenho em mente. Você pode me mostrar onde exatamente quer a tatuagem? Ele veio até mim e eu empurrei meu cabelo para o lado, mostrando minha nuca e tocando o local. — Aqui. — Será doloroso, — alertou Nino. Eu enviei-lhe um olhar. — Eu dei à luz a gêmeos. Eu acho que posso aguentar uma agulha. Nino inclinou a cabeça. — Isso é verdade. Embora não possa avaliar a força da dor do parto desde que nunca a experimentei, presumo que seja excruciante. — É, — eu disse. — Então você vai fazer isso? — Se é o seu desejo, então sim. Quando? — O mais cedo possível. A tatuagem é o presente de aniversário de Remo. Mais uma vez, Nino me deu um olhar levemente curioso. — Podemos fazer isso no final da tarde. Posso arrumar tudo em um dos quartos. — Obrigada, — eu disse. — Agradeça-me uma vez que esteja feita e você fique feliz com o resultado. — Ele fez uma pausa. — Eu suponho que você não quer que Remo descubra por enquanto. Eu balancei a cabeça. — Se possível. — É um segredo que não me importo em manter do meu irmão. Como prometido, Nino preparou tudo em um quarto de hóspedes em sua ala. Eu estava nervosa apesar das minhas melhores intenções de não estar. Nino escorria calma enquanto eu me esticava de bruços na cama. Ele desinfetou meu pescoço antes de tocar a agulha de tatuagem na pele, e eu estremeci com a primeira picada. Logo me acostumei com a sensação de queimação. Nino se movia rapidamente, meticulosamente, e eu não falei enquanto ele trabalhava, não querendo distraí-lo. Quando ele finalmente terminou, sentei-me e aceitei o espelho que Nino me ofereceu. Ele segurou um segundo espelho atrás do meu pescoço. O resultado foi mais impressionante do que eu poderia imaginar. Eu não sabia que era possível pintar uma obra de arte tão complexa com uma agulha. As penas das asas pareciam tão reais que eu esperava que elas se agitassem ao vento. — É lindo, — eu admiti. Nino assentiu. — Remo vai apreciar a mensagem. — Você sabe que ele me chama de Angel? — Eu o ouvi dizendo isso, sim, e você é a contrapartida do anjo caído em suas costas. — Você tatuou também? — Sim, — Nino murmurou. — Por que as asas quebradas e chamuscadas? O anjo caído está ajoelhado e as pontas das penas estão tortas e queimando. Nino me olhou de perto. — O que Remo lhe contou sobre o nosso passado? — Ele me disse que sua mãe tentou matá-lo e que você quase queimou até a morte. O rosto de Nino se apertou e ele assentiu. — Remo se queimou para nos salvar. Eu nunca perguntei a Remo sobre os detalhes do porquê ele queria fazer a tatuagem, mas acho que tem algo a ver com aquele dia. — Obrigada, Nino. Nino deu uma pequena sacudida de cabeça. — Não precisa agradecer. Esconder minha tatuagem de Remo se mostrou difícil. Eu tinha coberto com o meu cabelo, mas quando movia minha cabeça, muitas vezes tive que me impedir de estremecer. Naquela noite, depois de levar os gêmeos para a cama, Remo me puxou contra ele em nosso quarto, suas mãos apertando minha b***a antes que se movessem mais para cima. Ele me beijou e tocou meu pescoço. Eu recuei com um estremecimento antes que pudesse me impedir. Seus olhos se estreitaram. — O que há de errado? Eu considerei inventar alguma coisa, mas Remo era muito bom em detectar mentiras, e faltava apenas duas horas para o seu aniversário. — Este deveria ser seu presente de aniversário, — eu disse suavemente quando levantei meu cabelo e me virei para que ele pudesse ver meu pescoço. Remo estava quieto e eu arrisquei um olhar para ele por cima do meu ombro. Lentamente ele levantou os olhos das minhas asas com um sorriso estranho. — Asas. Eu sorri. — Porque você me deu asas. Ele balançou a cabeça, seus olhos escuros se suavizando. — Angel, — ele disse baixinho, roçando os dedos sobre a minha pele macia. — Você tinha asas o tempo todo. Você só precisava de um pequeno empurrão para espalhá-las e voar. Eu me virei para encará-lo. — Talvez, mas eu não teria feito isso sozinha. Nós nos beijamos devagar no começo, mas Remo rapidamente aprofundou nosso beijo, e de repente estávamos na cama puxando nossas roupas e acariciando cada centímetro de pele nua que poderíamos alcançar. Empurrei Remo de costas, sorrindo, e seu sorriso de resposta, todo desejo e dominação, enviou uma pontada de excitação através de mim. Inclinando-me para reivindicar sua boca em um beijo, eu me abaixei em sua ereção, gemendo com a sensação de plenitude. Remo levantou-se em uma posição sentada, trazendo-nos peito a peito, batimentos cardíacos acelerados a batimentos cardíacos acelerados. Eu engasguei com a mudança dele dentro de mim, com a sensação de sua força enquanto seus braços pendiam nas minhas costas. Eu rolei meus quadris, dirigindo-o profundamente em mim enquanto nos beijávamos. Mantivemos o olhar um do outro como sempre fizemos, e os olhos escuros me cativaram como haviam feito desde o começo. Tão frequentemente cruéis e impiedosos, mas apaixonados e reverentes quando descansavam em mim, carinhosos e cuidadosos quando observavam nossos gêmeos. Quando nós dois encontramos a nossa libertação, ficamos envolvidos um no outro assim, nossa respiração irregular, corpos escorregadios de suor. Passei as pontas dos dedos pelas costas de Remo, traçando o local onde as asas de seu anjo caído se espalhavam. Ele arrastou as pontas dos dedos para cima, ao longo da minha espinha até chegar à minha nova tatuagem. Estremeci ligeiramente e o toque de Remo ficou ainda mais suave. Meu coração estava pronto para sair da minha caixa torácica pelo brilho em seus olhos. Remo examinou minha expressão, as sobrancelhas se unindo. Suspirei. — Desculpa. Desde a minha gravidez eu estou mais emocional. Espero que desapareça em breve. — Limpei a garganta e descansei a palma da mão sobre sua omoplata. — Qual é o significado da sua tatuagem? Você sabe por que eu fiz a minha, mas me pergunto por que você fez a sua. Uma sugestão de cautela brilhou nos olhos de Remo, as paredes que ele costumava manter erguidas querendo voltar para o seu lugar. — Nino fez isso. Cerca de sete anos atrás. Eu balancei a cabeça para mostrar a ele que eu estava ouvindo. — É um anjo caído, como você disse. Representa a queda que Nino e eu tivemos no dia em que nossa mãe tentou nos matar. Minhas sobrancelhas se juntaram. — Queda? Você salvou seus irmãos. Como isso é uma queda? A expressão de Remo era sombria e retorcida, os olhos distantes, assombrados, zangados. — Até aquele dia, Nino e eu éramos inocentes. Depois disso, deixamos de ser. Nós já tínhamos experimentado nosso quinhão de violência do nosso pai, mas isso nunca nos afetou como naquele dia. As chamas daquele dia queimaram nossas asas e nossa queda na escuridão começou. Nos tornamos quem somos hoje. É por isso que o anjo caído está ajoelhado em poças de sangue. Eu tinha notado que o anjo caído se ajoelhava em poças de algum tipo de líquido, que algumas de suas penas chamuscadas mergulhavam nele, mas eu não tinha percebido que era sangue. Por um momento não tive certeza do que dizer, como consolar Remo. Poderia as palavras ser suficientes para tornar os horrores de seu passado melhor? — Sinto muito, — eu disse baixinho. O olhar de Remo se concentrou em mim, afastou as imagens do passado. — Não é você que deveria se desculpar. E eu não vou perdoála, não importa quantas vezes ela se desculpe. Não que ela tenha feito isso. Eu congelei. — Sua mãe não morreu naquele dia? — Não. Mesmo que eu a quisesse morta, estou feliz que ela tenha sobrevivido naquele dia ou Adamo não estaria aqui. Ela estava grávida dele. Eu balancei a cabeça, completamente perdida sobre o que a mãe de Remo tinha feito. — Onde ela está? — Em uma instituição mental. — A voz de Remo mergulhou e virou viciosa. — Estamos pagando por isso para que ela possa viver e respirar e existir, quando ela não deveria estar fazendo nada disso. — Por que você não a matou? — Com qualquer outra pessoa, eu nunca teria perguntado algo assim, mas este era Remo. Matar estava em sua natureza, e suas palavras deixaram claro que ele odiava sua mãe. Remo pressionou a boca na curva do meu pescoço. — Porque, — ele rosnou. — Por algum motivo bagunçado, Nino e eu somos fracos demais para matá-la. Nós não a vemos há mais de cinco anos... — Savio e Adamo sabem o que aconteceu? — Savio já sabe há algum tempo. E conversamos com Adamo alguns meses depois de ele ter sido iniciado. Eu acariciava o pescoço de Remo. — Você já pensou em visitá-la novamente para tentar encontrar o fechamento? Remo olhou para cima, sua expressão dura. — Não haverá nenhum fechamento até que ela esteja morta. Eu não quero desperdiçar outro segundo da minha vida com ela. Ela já está morta para mim. Você e Greta e Nevio são o que importa agora. Meus irmãos são o que importam. É isso aí. Eu o beijei para mostrar a ele que eu entendia. Eu não achei que fosse tão fácil assim. Sua mãe ainda dominava parte de sua existência, mas eu respeitava que Remo não estivesse pronto para buscar uma solução agora. Eu não tinha direito de me intrometer. Ele e seus irmãos teriam que encarar a mãe um dia, e talvez eles pudessem passar por seus demônios. Tudo o que eu podia fazer era mostrar a Remo um futuro melhor. Um futuro com uma família que o amava. Ele sempre teve apenas seus irmãos, mas agora ele também nos tinha.
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