REMO
Serafina, Leona e Kiara estavam ocupadas na cozinha, fazendo bolos de aniversário para os gêmeos cujo primeiro aniversário era hoje. Já estava perto do meio dia. Eu duvidava que elas preparassem o bolo a tempo para a tarde, mas não disse nada.
— Parece um desperdício de esforço criar bolos elaborados na forma de um unicórnio e um carro quando o único propósito deles é ser comido, — Nino comentou quando saímos da cozinha para dar às mulheres seu espaço. Elas haviam encontrado imagens de bolos complicados na Internet e estavam determinadas a recriá-las para Greta e Nevio.
— Eu não dou à mínima, mas Serafina está tão animada com os bolos, então acho que vale a pena o trabalho. Eu duvido que as crianças se importem muito. Eles só vão esmagar suas mãos no bolo e se empanturrar, — eu disse, olhando para Greta, que eu embalava na dobra do meu braço. Ela se sentia completamente confortável na minha presença agora, e parecia um dos maiores triunfos da minha vida ter seus grandes olhos negros olhando para mim com confiança. E pela minha p***a de honra e tudo mais que importava, eu nunca faria nada para trair essa confiança. Quando ela era cautelosa comigo no começo, parecia uma punhalada no coração. Eu sempre saboreei o medo nos olhos dos outros, com exceção dos meus irmãos, mas com meus filhos e Serafina, nunca mais queria vê-lo novamente.
— Eu nunca considerei casamento uma opção para nós dois, — disse Nino pensativo quando paramos ao lado da piscina.
— Eu nunca pensei que encontraria uma mulher que não gostaria de matar depois de algumas horas.
Greta me deu um sorriso cheio de dentes e eu acariciei seu cabelo para trás. Tinha ficado comprido e ligeiramente ondulado como o cabelo de Adamo.
— Hmm, mia cara, pronta para o seu primeiro mergulho?
Nevio estava aninhado no braço de Nino e, como de costume, as mãos agarradas nas tatuagens coloridas. Eu já podia adivinhar o que ele iria fazer quando fosse mais velho.
Fabiano já estava descansando no flutuador de flamingo rosa que Savio usava antes de eu ter banido qualquer tipo de p*****a na mansão. Eu revirei meus olhos para ele. — Essa é uma visão perturbadora.
Fabiano deu de ombros. — É confortável.
Savio e Adamo estavam jogando bola perto da cachoeira na piscina e brigando como de costume.
Era o primeiro mergulho dos bebês, uma vez que não tínhamos piscina aquecida antes e só a instalamos agora que os bebês faziam parte da nossa família. Nino entrou lentamente na piscina com Nevio.
Nevio soltou um grito, sorrindo para mim. Meu maldito coração inchou de orgulho. Esse menino não temia nada. Às vezes quase me preocupava o quanto ele era parecido comigo. Ele se meteria em problemas assim que pudesse andar melhor.
Nino andou até Fabiano no flutuador, e Nevio agitou as mãos, querendo montar no flamingo com Fabiano. Fabiano ergueu os olhos para os meus, pedindo permissão. Eu assenti, torcendo meu antebraço com a tatuagem. Entre nós significava mais do que apenas um juramento à Camorra, mais do que ser um homem feito. No dia em que Fabiano havia jurado por mim, pela Camorra, ele se tornara família e eu confiava nele com meus filhos. Eu nunca lhe disse, mas entendia porque ele tinha agido daquele jeito quando tentei separar Leona e ele. Ele queria protegêla, queria proteger alguém que pudesse ver além da escuridão, que o amava apesar de tudo.
Serafina mudou meu ponto de vista sobre as coisas e, se fosse da minha natureza, eu poderia ter me desculpado com Fabiano pelo modo como agira.
Fabiano estendeu os braços, e Nino entregou-lhe Nevio, que chutou alegremente com as pernas até se sentar na frente da boia, segurando o pescoço do flamingo.
— Eu espero que você tenha feito uma boa limpeza nessa coisa, — eu gritei para Savio, que me deu o dedo.
Desci os degraus da piscina. No momento em que os pés de Greta tocaram a água, seu rosto se contorceu, mas eu fiz um som baixo e suave e ela relaxou. Deslocando-a para que a cabeça dela estivesse nivelada com a minha, eu afundei ainda mais na água quente. Greta me segurou, olhando a água criticamente. Depois de um tempo ela sorriu e bateu na água com a palma da mão. Fui até o flutuador de flamingo, mas Greta me apertou quando tentei colocá-la sobre ele.
Nevio balbuciou, suas pequenas pernas se mexendo enquanto Fabiano o segurava pela cintura. Ambos Greta e Nevio eram ótimos em balbuciar, mas os dois não diziam nenhuma palavra, exceto por 'mamãe', e enquanto Nevio já estava dando seus primeiros passos, Greta apenas rastejava. Ela era uma criança cautelosa e me lembrou muito de Nino.
Nevio sorriu para mim, apertando o pescoço do flamingo antes de estender os braços com as mãos abertas. — Pai. Paaai.
Por um momento, eu congelei, minha expressão tranquila. Fabiano sorriu e Nino apertou meu ombro. Eu passei meu braço em torno de Nevio e o pressionei contra o meu peito. Greta pressionou a palma da mão molhada contra a bochecha de Nevio, rindo. Eu andei pela água com os dois, mergulhando mais fundo, fazendo-os gritar de alegria.
Serafina veio em nossa direção em um biquíni branco de tirar o fôlego e sexy, Kiara e Leona logo atrás dela.
Ela se abaixou na beira da piscina.
— Mãe! — Greta gritou, e eu entreguei nossa filha para Serafina. Fiquei por perto e toquei a coxa de Serafina. Ela ergueu as sobrancelhas. — Algum problema? Você está com uma expressão estranha.
— Nevio disse papai, — eu disse a ela.
Ela se inclinou e me beijou, sua expressão tão cheia de felicidade que encheu meu coração c***l de calor.
— Papai, — Nevio confirmou, batendo na superfície com a palma da mão novamente e enviando água por toda parte.
Serafina balançou a cabeça com um sorriso suave enquanto deslizava na água com Greta pressionada contra o peito.
— Isso está perto da perfeição, — eu disse, indicando as pessoas reunidas em torno de nós. — Todo mundo que importa está aqui.
E eu protegeria todos eles com a minha vida.
Uma sombra passou pelo rosto de Serafina e ela desviou o olhar, piscando. Envolvi minha mão em seu pescoço, aproximando nossos rostos. Ela trancou os olhos com os meus. — Eu sei que você sente falta deles, especialmente seu irmão.
Ela assentiu. — Eu sinto, e gostaria que você pudesse conhecer Sofia e minha mãe. Eu gostaria que eles pudessem vê-lo como eu vejo.
Serafina me via de um jeito que a maioria das pessoas nunca faria porque eu nunca permitiria que fizessem isso. — Eu não posso te prometer paz. Não é uma decisão só minha, e há muito sangue r**m entre a Camorra e a Outfit. Não vou recuar, não quando Cavallaro foi o primeiro a invadir meu território.
Eu ainda queria me banhar no sangue de Cavallaro e sabia que ele compartilhava o sentimento. A paz nunca aconteceria.
— Eu sei e posso lidar com isso. Esta é minha nova família agora, e estou feliz que os bebês e eu estamos aqui onde pertencemos. — Ela fez uma pausa, suspirando. — Mas não posso deixar de sentir falta da minha família, especialmente de Samuel. Sempre fomos tão próximos e agora não tenho notícias dele há tanto tempo. É difícil.
Eu estava acostumado a controlar as coisas, acostumado com as coisas do meu jeito, mas isso era uma coisa que eu não podia mudar para ela. Eu não ia propor um acordo de paz para Cavallaro, mesmo que o ataque à Roger’s Arena tenha sido orquestrado por Scuderi, o ataque à nossa corrida no Kansas definitivamente não foi. Ele torturou meu irmão. Essa era outra coisa que eu não poderia esquecer facilmente. Eu queria que eles sangrassem. Pelo menos Dante fodido Cavallaro.
Greta riu novamente e Nevio a acompanhou. A expressão de Serafina se iluminou e ela sorriu para mim. p***a. Esse sorriso me pegou o tempo todo.
SERAFINA
Nevio era um pequeno redemoinho e só piorara desde que começara a andar. Era um dia antes ao nosso casamento e apenas quatro dias após o aniversário dos gêmeos, e Kiara estava ocupada com os últimos detalhes, mesmo que fosse um pequeno evento. Adamo estava no serviço de babá para Nevio, que consistia principalmente em correr atrás dele e garantir que ele não quebrasse o pescoço ou colocasse as mãos em algo que pudesse quebrar.
Toda vez que Adamo erguia Nevio em seus braços, ele começava a gritar em protesto. Dei a Adamo um sorriso compreensivo quando ele soltou um suspiro. — Eu posso assumir se você quiser?
Adamo sorriu timidamente. — Eu preciso de um tempo.
Rindo, eu peguei Nevio dele e o ergui no meu quadril apesar do protesto alto. — Mãe, não. Não, não, não!
— Eu estava tão ansioso para eles falarem, — disse Remo de seu lugar em um cobertor onde ele brincava com Greta enquanto tentava fazer o trabalho em seu iPad simultaneamente. — Mas Nevio gosta demais da palavra 'não' para o meu gosto.
Não, mamãe e papai eram as únicas palavras que Nevio dominava por enquanto.
— Não! — Nevio gritou.
Eu ri.
Remo sacudiu a cabeça. — Nevio, já chega.
Nevio franziu a testa, seus lábios se transformando em um beicinho. — Não?
A boca de Remo se contraiu.
— Se você ficar quieto, eu vou te colocar no chão, — eu disse. Nevio me olhou, então para Remo, obviamente inseguro se nossa oferta valia a pena.
Greta se aproximou de Remo e ele olhou de volta para ela. Ela apoiou as mãos nas pernas dele e lentamente empurrou para cima, a b***a dela levantou, então ela tropeçou em seus pés. Remo estendeu a mão e ela envolveu a mãozinha em torno do dedo indicador e os outros dedos de Remo cobriram os dela, firmando-a e meus olhos começaram a lacrimejar.
— Bom, — Remo encorajou.
Ela olhou para ele, surpresa e ainda um pouco insegura.
Ela deu um passo hesitante e ele sorriu. — Muito bom, mia cara. — Seu sorriso se alargou e ela deu alguns passos incertos e descoordenados e tropeçou nele. Ele ficou imóvel enquanto ela se agarrava à sua camisa e ao dedo, olhando para ele com absoluta confiança.
Eu coloquei Nevio no chão porque pude ver que ele queria se juntar a eles. No segundo em que seus minúsculos pés atingiram o chão, ele cambaleou em direção a Greta e seu pai. Remo também passou um braço ao redor dele.
Greta soltou a camisa de Remo e movimentou as mãozinhas quando quis colo. Ela ainda preferia ser carregada. Remo colocou uma mão sob o traseiro dela enquanto a outra a segurou por trás e a pressionou contra o peito dele. Ele estendeu a mão para Nevio. — Colo?
Nevio assentiu com a cabeça uma vez, e Remo se inclinou para levantá-lo também. Ele se endireitou com uma criança em cada quadril e deu um beijo no topo de suas cabeças. Seus olhos encontraram os meus e não me importei que ele visse minhas lágrimas. Hoje de bom grado as daria a ele.
Remo estava além da redenção aos olhos de muitos.
Ele era o homem mais c***l que eu conhecia.
Mas com cada átomo do meu corpo, eu sabia que ele nunca machucaria nossos filhos. Ele iria protegê-los. Eles eram Falcones. Eles eram dele. Nossos.
Nós dois morreríamos por eles, um pelo outro.
Amanhã eu me tornaria oficialmente uma Falcone, assim como meus filhos. Eu sabia que todos nós carregaríamos o nome com orgulho.