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2365 Words
SERAFINA O casamento estava marcado para o final da tarde. Eu escolhi um vestido estilo Boho sem pérolas ou um corpete. A parte de cima era costurada com um decote em V e a saia fluía livremente ao redor do meu corpo, tocando o chão em ondas suaves. Meu cabelo estava solto e caia em cachos indomáveis ao redor dos meus ombros. Eu me permiti outro momento para observar meu reflexo. Este dia parecia muito diferente do dia do meu último casamento. Naquela época eu estava com medo do desconhecido, mas determinada a fazer o que era esperado de mim, contente em me casar com um homem que eu m*l conhecia e definitivamente não estava apaixonada. Hoje eu estava absolutamente certa do meu amor pelo meu futuro marido. Remo segurou meu coração com força, e eu não queria de outra maneira. O amor pode florescer no lugar mais escuro, e o nosso o fez descontroladamente, livremente, indomável. Eu não achava que era possível sentir isso por alguém; ocasionalmente sonhava com isso ou, tolamente, esperava por isso, mas sabia que era um presente raro em nossos círculos. Saí do nosso quarto e andei pelos corredores silenciosos da mansão, um lugar que se tornara meu lar e um refúgio seguro para Greta e Nevio. Falcone. Um nome que todos nós carregaríamos com orgulho. Um nome que nossos filhos sempre seriam capazes de falar de cabeça erguida. Adamo esperava por mim na sala de jogos e sorriu quando me viu. As janelas francesas estavam abertas e uma suave brisa entrava, quente e reconfortante. Adamo vestia calça social e camisa branca e cortara o cabelo para domar seus cachos selvagens para a ocasião. Lágrimas surgiram nos meus olhos e meu peito se contraiu dolorosamente. Este deveria ser Samuel. Eu o queria ao meu lado em um dos momentos mais importantes da minha vida. Ele deveria me guiar pelo corredor. Sempre foi destinado a ser ele, mas ele não estava aqui. Adamo estendeu a mão e eu coloquei a minha nela. Ele apertou. — Um dia sua família vai entender. Um dia haverá paz. Eu olhei para ele, o seu sorriso gentil e seus olhos calorosos, depois abaixei meu olhar para a marca de queimadura em seu antebraço, os cortes curados. Ocasionalmente, eu ainda via o brilho assombrado em seus olhos e me perguntava se ele escondia o pior de sua luta de nós. Ele m*l parava em casa. Tanta dor e sofrimento em nome da vingança e honra. — Você quer paz depois do que minha família lhe fez? — Você vai se casar com o homem que te sequestrou. Eu ri. Ele me pegou. Se alguém tivesse me dito no dia do meu quase casamento com Danilo que me tornaria uma Falcone, eu teria rido na sua cara. Tanta coisa mudou desde então. Eu m*l conhecia a garota daquela época. Ela foi substituída por alguém mais forte. Adamo puxou levemente minha mão e indicou os jardins. — Vamos. Estão todos esperando, e você sabe como é o Remo. Paciência não é o seu forte. Não, não era, mas ele esperou por mim mais de uma vez. Adamo me conduziu para fora da mansão e passou pela piscina em direção à pequena congregação no gramado. Meus pés descalços tocaram a grama quente, e então avistei Remo no final do corredor sob um arco de madeira branca, e uma sensação de justiça me encheu. Rosas vermelho sangue percorriam o arco, contrastando lindamente com o branco. Kiara tinha organizado tudo com a ajuda de Leona. Não era um grande banquete com centenas de convidados, a maioria dos quais sem importância nenhuma. Éramos só nós, os irmãos de Remo, Fabiano, Kiara, Leona e os gêmeos, e parecia perfeito assim. Ao não convidar cada subchefe da Camorra, Remo arriscou insultar muita gente, mas como sabíamos ele não dava a mínima e seus soldados provavelmente sabiam que não deveriam manifestar seu descontentamento caso sentissem isso. Em sua calça escura, camisa preta e colete vermelho-sangue, Remo era um espetáculo para ser visto. Alto e moreno e brutalmente bonito. Seus olhos me queimaram de longe, e um canto de sua boca parou naquele sorriso torcido, sempre à beira da escuridão, que aprendi a amar. — Pronta? — Perguntou Adamo quando chegamos ao ponto inicial do longo corredor de pétalas brancas. Eu nem queria saber quanto tempo Kiara e Leona tinham gasto organizando-as em uma trilha, mas elas insistiram em fazê-lo. — Sim, — eu poderia dizer sem dúvida, sem hesitação. Todos se reuniram em ambos os lados do arco. Kiara segurava Greta em seus braços e Nino segurava Nevio. Eu m*l podia esperar que eles fossem pais também. E então eu avistei uma cabeça loira ao lado, longe do resto, muito à margem, e minha garganta se apertou. Meu olhar se fechou com o de Samuel. Ele estava parado com as mãos enfiadas nos bolsos, sua expressão ilegível. Por um momento fiquei completamente imobilizada pelas minhas emoções. Pura alegria e um lampejo de preocupação, porque definitivamente não havia paz entre a Camorra e a Outfit. Afastei o último sentimento, concentrando-me no fato de que meu irmão gêmeo, meu Samuel, estava aqui em um dos dias mais importantes da minha vida. Adamo e eu começamos a andar pelo corredor. Eu ainda queria que Sam fosse aquele andando ao meu lado, mas entendi por que ele não podia, porque seu orgulho não permitia que ele me entregasse para Remo. Meu olhar se afastou de Samuel em direção ao homem que havia capturado meu coração com um abandono selvagem. Os olhos escuros de Remo seguraram os meus enquanto eu me dirigia para ele. Quando chegamos na frente, Greta me viu e me deu um enorme sorriso. Uma única pétala estava presa no canto de sua boca. Foi por isso que Kiara só comprou flores comestíveis. Ela era perfeita com crianças. Meu coração transbordou de amor por todos eles. Nevio estava ao lado de Nino, ou melhor, segurando sua perna, mas percebi que ele estava ficando cansado de ficar parado. Ele logo percorreria os jardins com pernas instáveis. Larguei Adamo e peguei a mão estendida de Remo. Sorrindo para Remo, eu sussurrei. — Como? Como você conseguiu que Samuel viesse? — Meus olhos dispararam para o meu irmão gêmeo por um momento, descrente, incrédula e tão incrivelmente feliz. Eu olhei de volta para Remo, tentando conter minhas emoções. Remo correu o polegar sobre as costas da minha mão, seus olhos escuros cheios de um calor que ele não dava a muitos. — Jurei que ele estaria seguro se viesse. Eu usei o seu telefone para ligar para ele. Foi um processo difícil. Engoli em seco. Eu podia imaginar quanto tempo e esforço havia custado para convencer Samuel a vir aqui, arriscar tanto. E eu sabia que Remo teve que deixar um pouco do orgulho de lado para dar um passo em direção ao meu irmão, o inimigo. Ele fez isso por mim. — Ele te torturou, quase te matou... Remo apertou minha mão. — Eu fiz pior. Eu tirei você dele. Se eu fosse ele, também não me perdoaria. — Obrigada por trazê-lo aqui, Remo. — Eu toquei seu peito, esperando que ele pudesse ver o quão ferozmente eu o amava. — O que quer que esteja aí, é seu, — ele disse com um sorriso sombrio. — E eu amo cada parte disso, de você, o bom, o r**m, a luz, a escuridão, até mesmo os cantos mais sombrios. Os olhos de Remo brilharam com afeição feroz. Nino fez a cerimônia desde que não queríamos nenhum estranho em volta no nosso dia especial. Ele conseguiu a licença para fazê-lo recentemente, o que não representa um grande problema em Las Vegas. Mantivemos a cerimônia curta, deixando de lado um longo discurso tradicional antes de proferirmos nossos votos. Cada um de nós tinha escolhido anéis para o outro que ainda não tínhamos visto. Eu peguei a mão de Remo e coloquei o anel. Era um anel de carboneto de tungstênio preto com uma incrustação em madeira de ébano. Remo ergueu as sobrancelhas, surpreso. — Carboneto é duas vezes mais forte que o aço, — eu sussurrei. — Porque você é o homem mais forte que eu conheço. — Eu sorri com o brilho de adoração em seus olhos. — E ébano porque a madeira é duradoura e porque você não só me deu raízes, mas também nossos filhos e seus irmãos. O olhar no rosto de Remo deixou claro que eu tinha feito à escolha certa e o alívio me encheu. Ele pegou minha mão e colocou um anel na forma de duas asas entrelaçadas, uma pontilhada de diamantes brancos, a outra com pedras preciosas negras. — A asa branca representa você, — disse Remo em voz baixa, inclinando-se mais perto para que só eu pudesse ouvi-lo. — Porque você é pura perfeição, meu anjo. E a asa com as safiras negras me representa, minha escuridão, que você consegue aceitar. Remo me beijou, seus dedos tocando a tatuagem no meu pescoço. — Você me libertou, — eu disse, minha voz cheia de emoção. Ele balançou a cabeça e nossos lábios roçaram, seus olhos escuros e decididos. — Eu era o único que precisava ser libertado. Eu o beijei ferozmente. Livre das algemas do seu passado. Quando nos afastamos, percebi que todos tinham dado alguns passos para nos dar privacidade. Meus olhos foram atraídos para Samuel cuja expressão era como pedra. Eu precisava falar com ele, abraçá-lo. Remo apertou minha mão para me mostrar que estava tudo bem. Eu fui até Samuel e Remo soltou minha mão, mas meus dedos se agarraram a ele, puxando-o junto. — Angel, você teve um casamento arruinado. Você quer adicionar um sangrento à sua lista? Eu olhei para ele. — Você não vai atacar meu irmão. Seus olhos passaram por mim. — Eu não vou. — E Samuel não vai atacar você também, — eu disse com firmeza. Samuel permaneceu ereto, expressão dura enquanto observava Remo. Finalmente soltei a mão de Remo, e ele ficou alguns passos para trás enquanto eu preenchia a distância restante entre Sam e eu. Parei bem na frente do meu irmão gêmeo. Olhei para Samuel e ele baixou o olhar para o meu e, apesar de tudo o que eu fizera, tudo o que ele sabia, sua expressão suavizou-se com amor e ternura. Comecei a chorar porque não tinha percebido o quanto sentia falta dele, o quanto ansiava pelo perdão dele. — Você veio. Passei meus braços em torno de sua cintura, e ele me abraçou de volta. — Eu faria qualquer coisa por você Fina, inclusive encarar os olhos do homem que quero matar mais do que qualquer coisa neste mundo. — Nós ficamos abraçados um ao outro por alguns momentos, tentando fazer cada segundo durar uma vida porque sabíamos que haveria poucas chances assim no futuro. Eu me afastei, procurando em seus olhos azuis. — Eles não sabem que você está aqui. — Ninguém sabe. Se eles soubessem... seria considerado traição. Estamos em guerra. — Você está se arriscando muito por mim, — eu sussurrei. — Eu não arrisquei o suficiente. É por isso que estamos aqui hoje. — Ele suspirou. — Eu recebi todas as suas mensagens. Eu as li e considerei responder tantas vezes, mas fui um i****a. Eu estava com raiva e magoado. Eu toquei sua bochecha. — Me perdoe. — Fina, eu te perdoaria de qualquer coisa. Mas ele... — Samuel indicou Remo —... nunca perdoarei por tirar você de nós, de mim. Nem em um milhão de anos. Engoli. — Eu o amo. Ele é o pai dos meus filhos. Samuel beijou minha testa. — É por isso que não vou colocar uma bala na sua cabeça hoje, mesmo que tenha pensado em fazer isso no caminho até aqui. O amor de Samuel por mim o impediu de matar Remo, e o amor de Remo por mim o impediu de matar meu irmão gêmeo. Eu desejei que o amor deles também os fizesse ver além da rivalidade, passando pelo velho ódio. — Você vai estar seguro? — Não se preocupe comigo, Fina. — Ele levantou o olhar para o homem atrás de mim. — Eu não tenho que perguntar se você estará segura porque os olhos dele me dizem tudo que preciso saber. Ele é um filho da p**a assassino, mas um bastardo que vai matar qualquer um que se atreva a olhar para você do jeito errado. Olhei por cima do ombro para Remo, que estava nos observando abertamente. Ele parecia relaxado para alguém que não o conhecia muito bem, mas percebi a tensão sutil em seus músculos, a vigilância em seus olhos. Ele não confiava em Samuel. Mais abaixo ao lado do arco, Nino continuava lançando olhares de avaliação também. — Remo passará pelo fogo por mim e nossos filhos, — eu sussurrei. Samuel assentiu. Eu poderia dizer que ele precisava ir. Ele estava cercado por seus inimigos, e mesmo que eu soubesse que ele estava seguro porque Remo o havia declarado como tal, ele se sentia desconfortável. — Vou ver você de novo? Eu não posso te perder, Sam. Samuel apoiou a testa na minha. — Você não vai me perder. Eu não sei como, mas vou tentar falar com você no telefone e responder às suas mensagens. Mas eu não posso vir aqui novamente. E você não pode ir para o território da Outfit. — Obrigada por estar aqui. Ele beijou minha testa novamente. Então, com outro olhar duro em direção a Remo, ele se afastou, de lado, nunca dando as costas completamente, porque não confiava na promessa de Remo. Quando ele finalmente desapareceu de vista, soltei um suspiro agudo. Uma felicidade agridoce me encheu. Remo veio atrás de mim, seus braços envolvendo meu peito, me puxando contra ele. — Você vai vê-lo novamente. Ele não vai desistir de você. Ele é tão teimoso quanto você. Eu dei a ele um olhar indignado. — Eu não sou teimosa. — Claro que não. — Ele beijou minha omoplata, em seguida, mordeu levemente a dobra do meu pescoço, fazendo-me tremer de desejo. Eu m*l podia esperar para ficar sozinha com ele.
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