SERAFINA
Eu ainda estava na cama quando a chave girou e não tive tempo de sentar antes que Remo entrasse no quarto.
Sentindo-me vulnerável deitada na cama, empurrei-me em uma posição sentada. Remo me olhou com uma expressão atenta. Eu estava apenas de regata e short e estava ciente de quão pouco o tecido cobria. Engolindo o nervosismo, saí da cama, não querendo mostrar fraqueza. Os olhos de Remo seguiram cada movimento meu, demorandose nos meus s***s. Meu corpo me traiu quando meus m*****s endureceram no ar frio.
— Tenho quase certeza que Deus projetou seu corpo para levar os homens à insanidade, — Remo disse sombriamente.
Sufocando o entusiasmo animado que as palavras de Remo enviaram através de mim, eu respondi: — Você acredita em Deus?
— Não. Eu não. Mas olhando para você, eu poderia me transformar em um crente.
Eu bufei. — Há um lugar acolhedor e aconchegante no inferno reservado apenas para você.
— Eu já queimei antes.
Eu lancei-lhe um olhar. Ele disse as mesmas palavras antes, e me perguntei o que exatamente ele quis dizer com isso.
— Você tem uma videochamada com seu irmão em cinco minutos, então é melhor se apressar.
Eu não tinha um roupão de banho para cobrir minhas roupas, então peguei um vestido, mas Remo balançou a cabeça. — Fique como você está. — Ele agarrou meu braço, em seguida, fez uma pausa, olhos escuros vagando sobre mim.
— Eu pensei que estávamos com pressa?
— Você está. Eu não estou. Não dou à mínima se você conversar com seu irmão ou não. — Apesar de suas palavras, ele me levou para fora do quarto, pelo corredor e para o andar de baixo.
— Novamente em sua câmara de tortura? — Eu perguntei, tremendo violentamente quando meus pés descalços atingiram o primeiro degrau de pedra que levava ao porão. Eu não tinha certeza de como o chão poderia estar tão frio quando lá fora o sol estava brilhando.
Eu gritei quando Remo me levantou em seus braços. — Não quero que você pegue um resfriado. Isso seria uma vergonha. Vou ter que pedir a Kiara para comprar roupas que combinem com você.
Eu estava congelada em seus braços. — Você pode me mandar de volta para Minneapolis. Eu tenho roupas suficientes lá.
— Eu acho que Danilo quer você em Indianapolis, Angel, ou você se esqueceu?
Eu percebi que tinha. Meu casamento parecia muito distante e era a última coisa em minha mente.
Remo riu sem alegria. Suas manipulações estúpidas estavam me afetando. Como ele estava fazendo isso?
Eu não respondi a sua pergunta por que ele sabia. Meu corpo traidor lamentou a perda de seu calor quando ele me colocou de pé na cela onde gravou a última mensagem para minha família. Eu passei meus braços a minha volta, de repente, sobrecarregada pelas memórias. Meu olhar voou para minha ferida. Com o Tylenol, eu m*l notei a sua existência e estava desaparecendo. Não era a dor ou o corte que me incomodava. Era a lembrança das expressões de Samuel e papai quando me viram nas mãos de Remo. Eles estavam sofrendo mais do que eu, e essa foi a pior coisa de tudo isso.
Remo se aproximou de mim, seu corpo uma presença quente nas minhas costas, e ele pegou meu pulso, levantando-o para que pudesse inspecionar minha ferida. Seu polegar traçou levemente minha pele. Ele se inclinou. — Eu não vou cortar você de novo, Angel. Não tenha medo.
Não era isso que mais assustava. — Você não vai? — Eu perguntei intrigada, inclinando a cabeça para que pudesse avaliar seu rosto. Por que Remo diria algo assim?
Remo corta profundamente. Bate duro. Mata brutalmente.
Remo deixou cair meu pulso, algo em sua expressão mudando, suas defesas entrando em vigor. — Hora da sua chamada com Samuel.
Ele foi até a tela na mesa e ligou-a, seguido pelos alto-falantes. Eu me aproximei quando o rosto de Samuel apareceu. Meu coração se apertou violentamente com a visão. Seu cabelo estava uma bagunça, sua expressão assombrada e círculos escuros espalhados sob seus olhos. Ele provavelmente não tinha dormido desde o meu sequestro.
A culpa caiu sobre mim por não estar tão m*l quanto todos imaginavam. Eu poderia dizer que Samuel estava lutando para manter sua expressão controlada. Ele não mostraria fraqueza na frente de seu inimigo.
— Sam, — eu disse baixinho, minha voz tremendo.
— Fina, — ele murmurou. Seus olhos examinaram-me e a roupa minúscula em que eu estava. Ele engoliu em seco, um músculo em sua mandíbula flexionando. — Como você está?
— Estou bem, — eu disse. Suas sobrancelhas se uniram em descrença.
— Por quanto tempo ela permanecerá assim depende da disposição do seu Capo em atender minhas exigências, — acrescentou Remo.
O que exigências?
Samuel começou a tremer. Eu pressionei a palma da mão no meu peito, deixando-o saber que ele estava no meu coração. Ele espelhou o gesto, em seguida, seus olhos endurecendo quando se fixaram no meu antebraço. — Quão r**m está isso?
— Não muito, — eu disse.
Eu podia ver que ele não acreditava em mim. Ele pensou que eu estava tentando protegê-lo. Eu podia sentir os olhos de Remo em nós o tempo todo, mas tentei ignorá-lo.
— Como mamãe e papai estão?
A expressão de Samuel era cautelosa. Ele não podia me contar tudo com Remo por perto. — Eles estão preocupados com você.
— Como Sofia está? — Eu sussurrei, lutando contra as lágrimas.
Os olhos de Samuel voaram para Remo e eu endureci em troca. Eu não deveria ter mencionado minha irmã na frente dele.
Remo fez um som impaciente. — Eu não sequestro crianças, não se preocupe.
— Você só sequestra mulheres inocentes, — Samuel rosnou.
Remo pressionou atrás de mim e a expressão de Samuel mudou de fúria para pavor. — Quem disse que ela ainda é inocente?
Samuel levantou. Remo agarrou meu quadril em alerta, mas eu não me importei.
— Não é nada disso, — eu disse ferozmente.
Os olhos de Samuel encontraram os meus, perscrutando, e um lampejo de alívio apareceu em seu rosto.
Remo agarrou meu queixo, virou minha cabeça e me deu um beijo duro. Eu congelei em choque, incapaz de acreditar que ele estava fazendo isso na frente do meu irmão.
Ele me soltou abruptamente. — Quão inocente ela volta para você depende da sua cooperação. Diga isso ao seu tio, Samuel.
Eu me contorci nos braços de Remo e olhei para Samuel, minhas bochechas esquentando de vergonha.
— Leve-me em seu lugar. Eu trocarei de lugar com ela.
— Não! — Eu gritei desesperadamente, mas Samuel não estava olhando para mim. Eu me virei para Remo, com os olhos arregalados. Um sorriso c***l brincou em seu rosto. Eu peguei seu olhar. — Não, — eu disse com força. Seus olhos demoraram nos meus lábios, em seguida, mergulharam mais baixo antes que eles se trancassem nos meus mais uma vez e alívio passou por mim. Remo não me trocaria pelo meu irmão gêmeo. Ele não me liberaria. Não antes de conseguir o que queria. Eu não tinha certeza do que era isso, mas tinha uma sensação horrível de que não era algo que meu tio pudesse lhe dar.
— Serafina vale muito, receio. Hora de dizer adeus.
Eu me virei para o meu irmão gêmeo. — Eu te amo, Sam, — eu sussurrei. Palavras que nunca tinha dito a ele quando outras pessoas estavam por perto, porque as emoções não pertenciam a um público, mas eu não me importava mais. Deixe Remo ver o quanto eu amava minha família.
Um olhar assombrado passou pelo rosto de Samuel, e ele me surpreendeu com a rouquidão, — E eu amo você, Fina. Eu vou te salvar. — Para ele dizer essas palavras na frente de outro homem, seu inimigo, ele deve estar ainda mais preocupado com a minha vida do que eu pensava.
As lágrimas se derramaram então. Remo passou por mim e desligou a tela. Eu não as segurei. Deixei as lágrimas fluírem livremente, sem me importar se Remo as via. Remo me observou com os olhos apertados. Talvez minhas emoções o incomodassem. Eu não poderia me importar menos.
— Eu pensei que Danilo era o homem que possuía seu coração, mas agora vejo que estava errado.
Eu limpei meus olhos. — Ele é meu irmão gêmeo. Eu nunca estive sem ele. Eu andaria através do fogo por ele.
Remo assentiu lentamente. — Eu acredito em você.
REMO
Nino, Adamo, Savio e eu dirigimos juntos para a iniciação. Meus pensamentos continuaram se desviando para Serafina. Eu a tranquei no quarto de novo e Fabiano ficaria de olho nela e Kiara enquanto estivéssemos fora. Eu preferia tê-lo na iniciação também, mas alguém precisava proteger Kiara e garantir que Serafina não fizesse algo e******o. Eu duvidava que ela encontrasse uma maneira de sair do quarto, mas se alguém pudesse fazê-lo, era ela.
Nino estava dirigindo e Savio e Adamo sentaram-se atrás. Isso me lembrou do passado, dos meses que passamos fugindo dos russos, parte da Camorra e das outras famílias da máfia. Nós estávamos na estrada quase constantemente, nunca ficando em lugar nenhum por muito tempo, e ainda assim nossos perseguidores quase nos pegaram algumas vezes.
Nino olhou para mim como se também estivesse lembrando-se daqueles dias.
Nós paramos em frente a um dos nossos cassinos nos arredores de Vegas, onde a iniciação aconteceria. O estacionamento estava lotado de limusines. Meus soldados já estavam lá. Eu saí primeiro, sem esperar que o porteiro abrisse minha porta, e entrei no cassino com meus irmãos em meus calcanhares. O local estava fechado desde ontem para a ocasião. Lá dentro, rostos familiares me cumprimentaram. Alguns dos meus homens estavam bebendo no bar. Outros estavam envolvidos em conversas entre si. Nenhum deles estava jogando pôquer ou roleta, embora os croupiers estivessem lá apenas por precaução. Eles sabiam que era um teste. Um alcoólatra não deveria gerir um bar. E meus subchefes e capitães não deveriam jogar ou usar drogas. Soldados inferiores tinham as rédeas mais soltas.
Onze subchefes e seus consiglieres foram convidados para a iniciação. A maioria deles era pouco mais velho que eu. Quando assumi o poder, removi a maioria dos antigos subchefes e escolhi seus jovens herdeiros ou bastardos ambiciosos. Semelhante a mim e meu relacionamento com meu pai, apenas alguns deles ficaram tristes ao ver seus pais partirem. Apenas três cidades ficaram sob o domínio dos subchefes mais velhos, que eram leais até os ossos.
Eu apertei suas mãos antes de nos reunirmos no centro da sala. Eu coloquei uma mão no ombro de Adamo. Ele ficou de pé, por uma vez sua expressão não traía suas emoções, mas eu podia sentir sua tensão sob a minha palma. — Hoje nós viemos aqui para iniciar meu irmão Adamo.
Os homens acenaram uma saudação a ele. Todos eles estavam usando terno para a ocasião, e meus irmãos e eu seguimos a tradição nos vestindo a rigor. — Como todo iniciado, deve ser pago com sangue.
Nino arrastou um Mason lutando em nossa direção. Fabiano havia o trancado no armário da lavanderia. Adamo ficou tenso sob a minha mão e eu apertei seu ombro levemente.
Nino jogou o babaca no chão. Ele não estava mais na escola. Um desistente, que conseguiu reunir um bando de jovens ricos e muito mais jovens ao seu redor e os apresentou às drogas. Seu pai tinha sido um homem feito antes que eu o eliminasse na minha reivindicação de poder, mas o filho era ainda mais inútil que o pai.
Sua boca estava coberta com fita adesiva e seus olhos estavam arregalados de terror. Eu entreguei a Adamo uma das minhas armas. Como iniciado, ele não podia trazer suas próprias armas. Adamo apontou o cano na cabeça de Mason. Eu estava perto o suficiente para ver o leve tremor de suas mãos. Eu apertei seu ombro novamente, um encorajamento, tanto quanto um lembrete para não mostrar fraqueza, e então ele puxou o gatilho.
Mason caiu para frente morto. Adamo estremeceu sob minha mão e abaixou lentamente à arma, sua expressão era dura, mas em seus olhos eu podia ver o sinal de conflito. Ficaria mais fácil com o tempo. Os homens acenaram com a cabeça em aprovação e Adamo encontrou meu olhar.
— É hora de fazer a tatuagem.
Nino avançou com o equipamento de tatuagem e Savio carregou uma cadeira. Adamo sentou-se, levantou a manga e estendeu o antebraço.
— Acho que é hora de algum entretenimento enquanto esperamos que Nino termine a tatuagem.
Eu bati palmas e um dos garçons abriu outra porta. Uma fileira de nossas mais belas prostitutas entrou na sala, seminuas. A maioria dos meus homens aceitou minha oferta, mas alguns escolheram beber em vez de entretenimento feminino. Eu me aproximei de meus irmãos. Nino ainda estava delineando a faca. Ele era rápido e preciso. Eu não gostava que mais ninguém fizesse nossas tatuagens. Mesmo Savio ficou ao lado de Adamo, mas seus olhos vagaram pela sala procurando uma prostituta para mais tarde. A mandíbula de Adamo estava cerrada enquanto ele observava Nino lhe tatuar. Matar o incomodava mais do que Savio, Nino ou eu, mas, como todos nós, ele superaria isso.
— Você quer uma bebida, Adamo? — Perguntou Savio.
Adamo olhou surpreso. — Claro.
— Uísque, puro?
Adamo deu um aceno de cabeça e estremeceu quando Nino começou a preencher a pupila do olho. Savio voltou com quatro copos em uma bandeja e entregou um para cada um de nós. Eu levantei meu copo. — Nós contra o mundo.
— Nós contra o mundo.
Nós bebemos o uísque, e Adamo começou a tossir, não acostumado a bebidas destiladas. Nino levantou a agulha com uma careta. — Vou estragar tudo se você continuar se movendo. — Ele largou seu copo vazio e esperou que Adamo se acalmasse antes de continuar.
Quando a tatuagem terminou, Nino se levantou e eu chamei meus homens. As prostitutas permaneciam nos fundos. Elas sabiam que não eram bem-vindas. Adamo olhou para o braço coberto pela tatuagem. Eu estendi o braço com a minha tatuagem. Adamo fechou os dedos sobre ela e eu fechei a minha sobre a dele, fazendo-o chiar de dor. — Você vai ser meu olho?
— Eu vou.
— Você vai ser minha faca?
— Eu vou.
— Você vai sangrar e morrer por nossa causa?
— Eu vou, — disse Adamo com firmeza.
— Hoje você me dá sua vida. É minha para tomar decisões até a morte te libertar. Bem-vindo à Camorra, Adamo.
Eu o soltei e recuei. Nino bateu no seu ombro e Savio fez o mesmo. Então meus soldados receberam meu irmão em nosso mundo. Ninguém prestou atenção ao cadáver deitado em seu próprio sangue no chão. Os faxineiros removeriam depois.
O álcool fluía mais livremente. Savio e Adamo sentaram-se juntos no bar. Uma visão rara. Logo, duas prostitutas se aproximaram, uma agarrou Savio, a outra se pressionou contra Adamo.
Adamo balançou a cabeça e depois de um momento, Savio desapareceu com as duas prostitutas pela porta atrás do bar.
Nino se juntou a mim onde estava apoiado contra uma mesa de roleta. Eu troquei algumas palavras com cada um dos meus subchefes. A maioria deles retornaria às suas cidades muito em breve, preocupados que Dante pudesse atacar depois de tudo.
— Estou surpreso que você não esteja fodendo uma prostituta.
Meus olhos se desviaram para as mulheres reunidas, mas nenhuma delas chamou minha atenção.
— Eu fodi todas elas antes. Está ficando cansativo.
Nino levantou as sobrancelhas, mas não comentou. — Devemos ir até Adamo.
Eu balancei a cabeça, mas nós dois paramos quando uma das prostitutas, CJ, sentou-se ao lado dele no bar e eles começaram a conversar.
— Talvez ela possa convencê-lo a perder sua virgindade, — eu murmurei.
Nino deu de ombros. — Ela é uma mulher decente. Ele poderia fazer pior na sua primeira vez.
Eu dei a ele uma olhada. — Você pode cortar a merda compassiva?
Ele sorriu. — Não tem nada a ver com compaixão. CJ é uma escolha boa e lógica para a Adamo. Ela é habilidosa e tentará agradálo. Além disso, ela vai fingir que ele é uma boa f**a. Lógica pura.
— Você gosta de me irritar com sua lógica.
— É bastante gratificante, sim.
Eu balancei a cabeça para o meu irmão. — Um dia desses, você, Savio e Adamo serão minha morte.
— A única coisa que vai te matar é a sua falta de controle.
Meus pensamentos voltaram para Serafina, a visão dela no pequeno roupão de banho, a maneira como seus m*****s enrugavam no frio. f**a-se o controle. f**a-se a paciência. Eu nunca quis nada tanto quanto Serafina, e ainda assim não poderia tê-la.
Nino sacudiu a cabeça. — Troque a garota por Scuderi antes que você vá fundo demais.
— Eu vou trocá-la no momento em que ela me deixar ir fundo dentro dela.
— Lhe dizer, ‘eu te avisei’, um dia será tão satisfatório quanto incomodá-lo com minha lógica.
— É o meu jogo, Nino. Eu sou o melhor jogador no campo. Eu vou vencer.
— Não haverá vencedores, Remo.