REMO
Peguei uma calça de moletom para vestir antes de descer para a sala de jogos, onde Savio, Nino e Adamo estavam sentados. Desde que Kiara se juntou a nossa família, meus dias andando nu pela casa quando me agradava haviam acabado. Meus irmãos me observavam como se eu fosse uma bomba prestes a detonar.
Eu dei-lhes um sorriso.
Adamo balançou a cabeça, mas não disse nada. Ele não tentou esconder sua aversão a mim ou sua relutância em se tornar um camorrista.
Nino se levantou devagar. — Você não deveria tê-la trazido aqui.
Eu peguei o menu de pizza. — Savio, peça pizza para nós e uma a mais para a Serafina.
Nino contornou o sofá. Meus olhos cintilaram sobre a tensão em seus membros. — Remo, leve-a para outro lugar.
— Não, — eu disse. — Ela vai ficar aqui, sob este teto, onde eu posso ficar de olho nela.
Meu irmão parou na minha frente, uma careta profunda franzindo suas sobrancelhas. Isso era o equivalente a uma explosão de raiva dele. — Esta situação pode causar outro episódio em Kiara.
— Kiara é sua esposa, não minha. Certifique-se de que ela não veja nada que não deveria ver. Onde ela está, afinal?
— Na nossa ala. No momento em que Savio me disse que você estava trazendo Serafina, eu lhe pedi para ficar lá.
— Viu? Não há problema. — Passei por ele em direção ao bar e peguei uma cerveja. Nino me seguiu enquanto Savio pedia pizza ao fundo.
— É um problema enorme. Sua prisioneira está lá em cima, livre para vagar pela casa como bem quiser. Ela pode andar pela casa e encontrar Kiara.
— Eu duvido que Serafina faça isso agora. Ela está muito abalada e provavelmente tendo seu sono de beleza enquanto falamos. Ela não pode escapar da casa, e um de vocês terá que protegê-la para garantir que ela não faça algo e******o.
Nino me avaliou. — Eu realmente espero que você saiba o que está fazendo. Isto é suposto derrubar a Outfit. Não se esqueça disso, Remo.
Minha boca se abriu. — Isso irá esmagá-los. Eles vão sangrar devagar, dolorosamente, sem nunca sentir minha lâmina. Isso irá destruí-los.
Nino deu um aceno de cabeça porque, mesmo que as emoções ainda fossem difíceis de entender, ele sabia o efeito que jogos mentais tinham em uma guerra.
— Você me enoja, — murmurou Adamo.
— Quatro dias, — eu lembrei a ele.
Ele se levantou, projetando o queixo para fora. — E se eu disser não?
Savio o empurrou. — Você seria uma p***a de desgraça, um traidor. O que você faria? Para onde você iria?
Adamo empurrou-o de volta. — Eu não dou à mínima. Qualquer coisa é melhor do que me tornar como você.
Eu andei em direção a ele. Ele ergueu o queixo. — Você diz isso porque desde o dia do seu nascimento foi protegido. Você nunca foi submetido a uma verdadeira crueldade. Você é um Falcone, Adamo, e um dia terá orgulho de ser um deles.
— Eu gostaria de não ser um Falcone. Eu queria que você não fosse meu irmão.
— Adamo, — Nino advertiu, olhando para o meu rosto.
— f**a-se! — Adamo gritou e correu para o andar de cima.
— Ele cairá em si, eventualmente, — Nino divagou.
— Quanto tempo até a pizza chegar? — Perguntei a Savio.
Ele trocou um olhar com Nino antes de responder: — Vinte minutos.
— Hora de um telefonema, — eu disse, acenando para Nino, que hesitou brevemente, mas depois pegou seu celular e percorreu os contatos.
Nino me passou o telefone com o número que eu não reconheci. — Esse é o número de Dante, se ele não mudou desde nossa última ligação anos atrás.
— Bom. Pegue algumas roupas de Kiara. Uma camisola branca se ela tiver uma.
Nino franziu a testa profundamente, mas passou por mim e desapareceu em sua ala.
— Como você vai mantê-la sob controle? Certificar-se de que ela não tentará fugir ou se matar?
— Ela tem sido protegida toda a sua vida. Ela está longe de casa, longe dos homens que a protegeram. A liberdade a assusta mais que o cativeiro.
Savio riu. — Você parece muito certo disso.
Eu sorri abertamente. Nino voltou, parecendo mais perto de chateado como sempre. Ele alcançou as roupas para mim. Entre elas, uma camisola de cetim prateada. Perfeito. — Kiara suspeita que haja algum problema.
Peguei as roupas, sem me incomodar em comentar, e passei por ele em direção à minha ala, onde entrei no quarto de Serafina sem bater. Meus olhos vagaram da cama vazia para a parede atrás dela, onde Serafina tentou abrir a janela, o que ela não podia fazer sem as chaves necessárias.
Ela se virou, o lençol vermelho-sangue enrolado em volta de seu corpo, seus cabelos loiros uma juba selvagem escorregando por seus ombros. Sua pele brilhava inocentemente branca contra o vermelho dos lençóis. Eu queria correr minha língua por cima para ver se teria um gosto tão puro quanto parecia.
Não encolhida na cama como eu esperava, mas tentando escapar. Este passarinho parecia desesperado para escapar da minha gaiola, só para entrar direto na de Danilo. Seus olhos e rosto continham restos de seu pânico anterior, mas ela ergueu o queixo para cima e estreitou os olhos para mim. Determinada a brincar com os meninos grandes.
Entrei no quarto. Seus ombros se ergueram, um ato de desafio, mas sua mão voou para pressionar o lençol contra seu corpo, os dedos esticados contra o vermelho, visivelmente agitados. Sem tirar os olhos dela, coloquei as roupas na cama, pegando a sugestão de seu doce perfume. Eu peguei mais cedo, como se ela tivesse sido massageada com óleo de baunilha em preparação para sua noite de núpcias. Minhas narinas se abriram. — Tentando escapar da minha gaiola, passarinho?
Ela me lançou um olhar arrogante. — Você é muito fã de criaturas com asas.
— Eu gosto de quebrá-las.
Seus lábios se curvaram e ainda assim ela conseguiu ser perfeitamente bonita. Eu podia adivinhar as imagens que passavam por sua mente, de mim torturando pequenos animais. Isso era para covardes, para homens incapazes de enfrentar um adversário digno. — Eu não sou esse tipo de psicopata.
— Que tipo você é, então?
Eu sorri. — Você não conseguirá abrir a janela. Não desperdice sua energia tentando escapar.
— Você instalou as fechaduras especificamente para mim, ou você tem o hábito de prender as mulheres no seu quarto para que possa estuprá-las e torturá-las para seu entretenimento pessoal?
Eu andei em direção a ela, apoiei-a contra o peitoril da janela, em seguida, me apoiei contra o vidro, olhando para ela. — Não, — eu disse. — Meu pai mandou instalar para minha mãe.
Desgosto brilhou no rosto de Serafina. — Vocês, os Falcones, são todos monstros.
Eu me inclinei, respirando o cheiro dela. — Meu pai era um monstro. Eu sou pior.
Sua pulsação acelerou em suas veias. Eu podia ver o medo dela pulsando contra a pele imaculada de sua garganta. Eu dei um passo para trás, em seguida, acenei para as roupas. — Para você. Amanhã de manhã você vai usar a camisola prata.
Serafina andou até a cama de lado para ficar de olho em mim, em seguida, fez uma careta para o monte em sua cama.
Levantei o telefone ao ouvido e apertei o botão de chamada. Depois do segundo toque, a voz fria de Dante soou. — Cavallaro.
— Dante, bom ouvir sua voz.
A cabeça de Serafina se virou para mim, e ela afundou na cama, sua máscara orgulhosa quebrando quando seus dedos se fecharam em um punho, segurando o lençol.
O silêncio ecoou do outro lado e eu sorri. Eu gostaria de ver a expressão de Cavallaro enquanto ele estava sendo confrontado com as consequências de suas ações, e a percepção de que sua sobrinha pagaria por seus pecados.
— Remo.
Eu ouvi vozes masculinas no fundo e uma mulher histérica. A mãe de Serafina. — Gostaria de falar com você, de Capo para Capo. De um homem que teve seu território violado para outro. Dois homens de honra.
— Eu sou um homem de honra, Remo. Eu não sei o que você é, mas honrado não é.
— Vamos concordar em discordar sobre isso.
— Serafina está viva? — Ele perguntou baixinho.
Eu trilhei meus olhos sobre a mulher deslumbrante, segurando os lençóis vermelhos em torno de seu corpo nu.
Eu ouvi uma voz furiosa no fundo. — Eu vou quebrar todos os ossos do seu corpo!
— Esse é seu gêmeo?
A dor atravessou seu rosto e ela engoliu em seco.
— Ela está viva? — Dante repetiu, sua voz tremendo de raiva.
— O que você acha?
— Ela está, porque viva ela vale mais que morta.
— De fato. Eu não tenho que lhe dizer que vou matá-la da maneira mais dolorosa que posso imaginar se um único soldado da Outfit violar meu território para salvá-la, e posso ser muito criativo quando se trata de infligir dor.
Mesmo à distância, eu podia ver o sangue dela batendo furiosamente em suas veias enquanto olhava para o punho.
— Eu quero falar com ela.
— Ainda não.
— Remo, você cruzou a linha, e vai pagar por isso.
— Oh, eu tenho certeza que você pensa assim.
— O que você quer?
— Ainda não é hora para esse tipo de conversa, Dante. Eu não acho que você esteja pronto para isso. Amanhã de manhã teremos outra chamada. Configure uma câmera. Eu quero você, o irmão, pai e noivo dela em um quarto em frente a essa câmera. Nino lhe dará instruções sobre como configurar tudo. Vou montar uma câmera para que possamos nos ver e ouvir.
Os olhos de Serafina encontraram os meus.
— Remo... — A voz de Dante continha um aviso, mas eu tirei o telefone do meu ouvido e encerrei a ligação.
Serafina olhou para mim com os olhos arregalados. Eu me aproximei e ela endureceu, mas por outro lado não demonstrou seu medo, apesar da exaustão em seu rosto. — Amanhã vamos começar a jogar, Angel.
Eu saí, querendo que ela refletisse sobre minhas palavras. Nino esperava no corredor quando fechei a porta. Eu levantei minhas sobrancelhas ao passar. — A pizza chegou?
Nino seguiu logo atrás de mim, em seguida, agarrou meu ombro. — Que tipo de vídeo você tem em mente para amanhã?
Eu o observei, tentando avaliar seu humor, mas mesmo agora ainda era difícil. — Eu vou dar a ela uma escolha.
Nino balançou a cabeça uma vez, quase desaprovando. — Essa mulher é inocente. Ela não é devedora. Não é uma prostituta que rouba dinheiro. Ela não fez nada.
— Kiara mudou você.
— Não a esse respeito. Nós nunca atacamos inocentes, Remo. Nós nunca colocamos a mão em alguém que não merecesse isso, e essa mulher, essa garota... ela não fez nada para merecer essa alternativa.
Eu segurei seu olhar. — Você me conhece melhor do que ninguém, — murmurei. — E ainda aqui estamos nós.
Nino inclinou a cabeça, os olhos cinzentos se estreitando. — Você está fazendo um jogo perigoso. Você não conhece bem o seu oponente para ter certeza de sua escolha.
— Ela vai escolher o que todas fazem, Nino. Ela é uma mulher. Ela foi mimada toda a sua vida. Ela vai pegar o caminho mais fácil. Eu quero ouvi-la dizer na frente da p***a da câmera, quero que Dante ouça a sobrinha oferecer o corpo dela para mim, que todos eles ouçam, e ela vai.
Lá embaixo, peguei uma das caixas de pizza antes de voltar para o quarto de hóspedes na minha ala. Desta vez, Serafina estava sentada na cama e não olhou para cima quando entrei. Ela segurava a camisola prata em suas mãos. — E se eu me recusar a usá-la?
— Você pode usar a camisola para o show ou ficar nua. Seu sangue ficará tão sedutor contra sua pele branca quanto contra a camisola.
Um pequeno arrepio percorreu seu corpo e ela deixou a peça de roupa cair no chão em seus pés descalços.
Eu me aproximei. — Aqui. Você não come há mais de um dia. — Coloquei a caixa de pizza na mesa de cabeceira.
Ela olhou desconfiada. Esperei que ela a afastasse, tentasse me punir pela fome, como minha mãe sempre tentara com nosso pai. Não funcionou com ele e não funcionaria comigo.
— Eu espero que esteja envenenada, — ela murmurou, em seguida, pegou uma fatia e deu uma grande mordida. Ela mastigou então levantou os olhos para os meus. Ela engoliu quase desafiadoramente. — Você vai me ver comer?
Talvez quebrar suas asas não fosse tão fácil quanto eu pensava.