Capítulo 13

1344 Words
Samanta: Tava lá debaixo do chuveiro, esfregando os braço, resmungando sozinha. — Mas num é um príncipe sem coração, viu? Pegou eu pelo braço e me jogou pra fora da sala dele! Como se eu fosse um... um... um cão sarnento. Fechei os olhos e botei a cara na água quente, tentando esquecer a raiva. — E ainda me chamou de inva... inva... sei lá o quê! Deve ser coisa r**m, porque ele falou cuspindo fogo! Passei o sabão no cabelo, sentindo a espuma cair no olho. — Ai! Esse troço num pode ser bom pra usar, não! Terminei o banho, me enrolei na toalha e saí do banheiro, me sacudindo igual cachorro molhado. Para igual estatua na porta do banheiro. Tinha um monte de gente dentro do quarto. Dei um pulo pra trás, agarrando a toalha.— CRUZ CREDO, O QUE É ISSO?! Me benzi três vezes, pronta pra sair correndo. Cacilda segurou meu braço, rindo como se aquilo fosse normal. Cacilda — Esqueceu que seu Rodolfo mandou um pessoal para arrumar você? Pisquei. — Arrumar o quê? Eu quebrei? O homem de roupa colorida bateu as mãos, animado. — Vamos transformar essa menina! Franzi a testa. — Num vai, num. Saí pra lá. Nem sei o que isso. Em quê? Ele revirou os olhos. — Em uma diva, querida! Fiz cara de quem não entendeu nada. — Isso dói? Cacilda me empurrou pra uma cadeira e falou para eu ficar quieta. O cheio das frescuras pegou no meu cabelo e fez uma cara esquisita. — Meu amor, o que você passa nisso aqui? — Água. Às vezes sabão. Ele botou a mão no peito, dramático. — Ah, meu Deus! Isso explica muita coisa! Aí veio outro homem, com um monte de troço, já tacando coisa na minha cara. — Ei, ei, peraí! Esse troço aí é o quê? — Base. Arregalei os olhos. — Mas base num é de botar no chão pra casa não cair? Ele respirou fundo, como se não tivesse paciência. — Querida, só confia. Bufei, mas fiquei quieta. A vida já tinha me ensinado que brigar com gente de rica só dava dor de cabeça. Depois de um tempão mexendo na minha cara e puxando meu cabelo com um ferro quente que quase me queimou viva, me botaram dentro de um vestido que parecia mais pano que roupa. Olhei no espelho e... Parei. Pisquei. Olhei pra Cacilda, desconfiada. — Num ficou r**m, não, viu? Mas isso aqui serve pra andar mesmo ou é só de enfeite? Ela riu. Cacilda — Serve, mas com cuidado. Respirei fundo. — Ah, então já vi que eu vou dar com a cara no chão. O homem de roupa colorida bateu palmas. — Prontíssima para brilhar! Levantei a mão. — Mas pera aí, brilhar com a barriga roncando num dá! Arranja um prato de comida primeiro, que eu num vou pra canto nenhum sem forrar o estômago! O pessoal riu. Eu não. Gente rica tem cada ideia b***a. Como é que arruma gente sem dar comida primeiro?! Depois de muita briga, empurra-empurra e gritaria, finalmente pararam de me encher de troço. Passei a mão no cabelo, sentindo ele liso, escorregando entre os dedos. Que bruxaria fizeram em mim? — Agora, madame, o gran finale! Disse o tal Personal Stley, sei lá como fala, ajeitando a gola da minha roupa e pegando um espelho grande. Ele me olhou com um sorrisão e virou o espelho pra mim. — E então, o que achamos? Quando vi meu reflexo, meu coração deu um pulo. Eu pisquei umas três vez, botei a mão na boca e quase engasguei com o ar. — Puxa… sou eu mesmo?! Cheguei mais perto do espelho, apertando os olho. Vi minha cara, mas era diferente. O cabelo brilhava que nem coisa de moça chique. A pele parecia lisa, limpinha, sem poeira nem nada. E a roupa? Nem sabia que esse tanto de pano chique cabia tudo em mim. — Caramba… tô bonitona mesmo! O pessoal riu, e o Personal Stley estalou os dedos. — Bonitona, não, meu bem. Você está deslumbrante! Eu ainda tava tentando acreditar que era eu ali no espelho. Me virei pra Cacilda, segurando no braço dela. — Cacilda… me belisca pra vê se num tô sonhando? Ela riu e deu um beliscão fraquinho no meu braço.— Ai! Num precisava obedecer, né? O pessoal riu mais ainda, e eu, bom… eu continuei olhando meu reflexo, b***a da vida. Se esse povo soubesse como minha vida foi… se soubesse o que passei... Nunca pensei que ia me ver assim. Bonitona. Arrumada. Mas agora, olhando bem… até que num era tão r**m assim deixar esse povo mexer em mim, né? Sorri, animada. [...] Maike: Estava sentado na sala, à espera do meu irmão. Papai decretou que ele ficasse com a minha babá, já que descobriu que voltei a beber por causa daquela desgraçada da Brenda. E, para piorar, aquela invasora resolveu dormir no meu estúdio, fazendo com que papai descobrisse sobre as fotos da minha ex-noiva v***a. Respiro fundo e tomo um gole da bebida quente, enquanto penso em Samanta. Hoje pude perceber que a ida às compras e ao salão lhe fez bem, apesar de que a selvagem já era linda... Mas o que estou dizendo? Aquela ladra sonsa invadiu a minha casa, roubou minhas frutas e está conquistando minha família aos poucos. Papai pagou uma fortuna para uma equipe tentar deixá-la um pouco mais… nem sei que palavra usar. Duvido muito que tenham conseguido. Ela é selvagem por natureza. Só quero ver o show de horrores. Sorrio. Eduardo — Do que está rindo, Maike? Não me diga que está pensando em aprontar. Samanta já está pronta? Reviro os olhos, vendo sua impaciência ao entrar e se sentar. — Não posso nem rir? É proibido agora? E a coisa selvagem ainda está lá em cima, não terminaram. Talvez fiquem com ela até amanhã. Ele bufa, indignado. Eduardo — O que você tem contra a Samanta? Ela é tão doce. Dá para ver de longe a ingenuidade e ignorância dela. Como consegue tratá-la m*l? Levanto-me de súbito e grito: — Essas são as piores! Se fazem de ingênuas e esperam apenas o momento certo para dar o bote. Ele balança a cabeça, desaprovando. Eduardo — As outras mulheres não podem pagar pelo que aquela mulher fez. Espero que saiba se controlar quando a vir na festa. E pare de beber a essa hora, Maike. Papai vive preocupado com você. Reviro os olhos novamente. — Ela não me interessa! Eu a odeio. Eduardo — Espero que sim, porque ela estará com o Fernando. Aperto o copo com força. Ele n**a com a cabeça. — Espero que volte a ser quem era antes, irmão, e possa esquecer a Brenda um dia. Me levanto para sair, mas paraliso ao ver Samanta. Ela está… belíssima. Saio do meu transe quando ela diz: — O que é, meu filho? Nunca me viu, não? Tá olhando pra mim assim feito um bocó. Por quê? Antes que eu dissesse qualquer coisa, Eduardo se aproxima e diz: Eduardo — Você está divina, Sam. Linda! — O problema é esse troço aqui no meu pé, acho que vou cair, Du. Meu irmão ri como um i****a. Bufo e coloco as mãos nos bolsos da calça. — Que cena linda… A gata borralheira e o príncipe i****a. — Num mexe comigo não, sou capaz de te dar outra sapatada. Eu juro. Ela leva os dedos cruzados à boca, fazendo o juramento. E agora começo a me questionar enquanto analiso toda a sua produção. Ela me lembra alguém, mas não consigo relacionar a quem. Além disso, parece muito nova, até mais do que minha irmã. Eduardo a ajuda a descer as escadas, mas ela escorrega e quase cai. Começo a rir. — Para de rir, seu palhaço! Cachaceiro safado! — Vou amar assistir ao show. Vamos, estou louco pelo grande evento. Eduardo — Se continuar a provocá-la, irá sozinho. Reviro os olhos, levanto as mãos em rendição e saímos de casa.
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