Samanta:
Saí do quarto e fui procurar um lugarzinho pra dormir longe daquele bebum com aquele bafo de gambá. Que eca! Eu pensei que ele fosse um príncipe, mas não! Ele é mais é um sapo, inchado e fedendo. Não dá nem pra beijar ele.
A primeira porta que eu achei, entrei. Era um lugar com umas pinturas bem bonitinhas. Tinha até umas fotos de uma mulher bem chique que a dona Cotinha mostrava pra mim, mas falava que era segredo, não podia contar pra ninguém.
Achei um sofá e deitei. Fiquei lá, bem longe daquele gambá. Não quero nem saber mais dele.
[...]
Maike:
Acordei do nada, com um balde de água gelada na minha cara. Fiquei sem entender nada. Aí vi meu pai me olhando com uma cara de quem queria me matar. O que tava acontecendo?
Rodolfo – Onde está ela, Maike? O que você fez com ela?
Eu tava sem entender. O que ele queria dizer? Cacilda tava na porta, com a cara de assustada como se eu tivesse cometido um crime.
Cacilda – Não encontrei, seu Rodolfo. A Samanta não está em lugar nenhum.
Meu pai me olhou com raiva. Merda. A Samanta não podia ter sumido assim. Ele ia saber de tudo. Eu tinha que encontrar aquela garota logo.
– Eu não sei onde ela se meteu, papai. Sou babá dela agora? Já não basta aturar ela na minha casa?
Rodolfo – Se você fez alguma coisa com ela, juro que eu mesmo mando te prender.
Ele saiu do quarto, furioso, e eu senti o peso de tudo nas costas. Levantei e fui procurar aquela garota, porque não podia ser que ela tivesse invadido meu estúdio, era o único lugar que ela podia ter ido neste andar. Não ia deixar isso acontecer.
Quando cheguei na porta do meu estúdio, parei. Ela tava lá, se metendo onde não devia. Olhei pra ela e minha raiva aumentou ainda mais.
Eu – O que você tá fazendo aqui? No meu estúdio? SAI AGORA!
Ela tava dormindo, mas acordou assustada. E não demorou para me soltar aquela.
Samanta– Que cara chato, num me grita não. Seu bebum tarado.
Aquilo me deixou louco. Avancei pra cima dela, peguei no braço, mas do nada ela me mordeu e ainda me deu um chute na perna.
Eu – SAIA DA MINHA CASA, AGORA! VÁ EMBORA. OU...
Samanta – Ui, tô morreno de medo.
Ela deu aquele tremor no corpo, como se estivesse se cagando de medo. Quando eu ia partir para cima dela de novo, papai entrou na sala. Merda, ele ia ver tudo. Agora era hora da verdade. Ele ia descobrir tudo por causa dessa menina.
– EU QUERO QUE TIRE ESSA MENINA DA MINHA CASA OU NÃO VOU ME RESPONSABILIZAR PELOS MEUS ATOS.
- Vem, vem que te dou uma surra daquelas bem dada.
Meu pai olhou pra Samanta, e ela olhou pra ele com aquele jeitinho, como se fosse a filha dele. Eu quase morri. Não sabia o que fazer. Se ela contasse o que aconteceu, eu tava ferrado.
Rodolfo – Por que você está aqui, Sam? Como veio parar nesta sala?
Samanta me olhou com cara de quem não sabia como explicar. Mas, de repente, ela soltou uma.
Samanta – Desculpa, tio Dolfo. Eu me perdi, acabou a água do meu quarto e como tava escuro, acabei entrando no lugar errado. Num conheço a casa direito.
Rodolfo – Tudo bem, não foi nada. Quero avisar que logo mais algumas pessoas virão te arrumar. Levarei você para a festa hoje. Quer ir?
Samanta – Eu, tio? Mas eu num sei me comportar direito...
Rodolfo – Mas sabe se defender muito bem, confio em você.
Samanta – Tá bom, então. Toca aqui.
Meu pai levantou a mão, e ela tocou, toda feliz. Eu olhei e percebi que ela tava mais bonita do que eu pensava. Cabelos longos, encaracolados e castanhos. Magra, com os lábios finos e um sorriso encantador. Ela era bonita, não tinha como negar.
Rodolfo – O Eduardo virá te buscar, pelo menos um dos meus filhos gosta de você.
Samanta – Agora vou escovar os dentes, tô com bafo.
Meu pai a abraçou, como se fosse uma criança. E eu, aqui, morrendo de raiva.
Ela saiu correndo, toda animada.
Rodolfo – O que você fez para ela vir dormir aqui, Maike?
– Nada, eu não fiz nada pra sua protegida.
Ele me olhou com cara de desgosto, virou as costas e saiu. Agora eu só tinha uma certeza: meu pai estava ainda mais decepcionado comigo, olhei para as fotos e saí do estúdio.