Maike:
Eu sabia que a noite estava indo de m*l a pior. A casa estava quieta, muito quieta, e não tinha mais ninguém por perto. Era o momento perfeito. A cabeça ainda estava girando por causa da bebida, mas a visão dela, deitada na cama como se fosse dona da casa, foi o suficiente pra me fazer levantar com raiva. A maldita Samanta. O que ela tava fazendo ali, na minha casa? Por que o velho tinha que fazer isso comigo? Só para me provocar? Eu não ia deixar essa garota continuar assim, mofando na minha casa.
Caminhei devagar pelo corredor, tentando não fazer barulho, mas a raiva não me deixava em paz. Eu já não aguentava mais a presença dela. Ela tinha invadido meu espaço, e o pior, meu pai parecia gostar disso.
Quando cheguei na porta do quarto, resolvi invadir. Não pensei duas vezes. Eu estava bêbado, mas não completamente fora de mim. Eu sabia exatamente o que estava fazendo quando entrei no quarto dela.
Ela tava lá, deitada, como se tudo estivesse bem. Parei por um momento, analisando a cena. Ela parecia tão... Ela parecia tão frágil deitada assim, tão inocente. O rosto dela, tão tranquilo, como se o mundo todo não a incomodasse.
Algo em mim, mesmo sendo um i****a arrogante, fez eu hesitar. Era tudo fachada. A raiva foi crescendo de novo, logo tomou conta de mim. Samanta estava ali, onde não devia estar, e a raiva por ela ter invadido o meu espaço se revirava dentro de mim. Eu me aproximei.
Quando estava prestes a agarra-la, algo me fez parar. Ela começou a se mexer, grunhindo baixinho, com a mão no peito.
Ela se debatia na cama, como se estivesse presa em algum pesadelo. Eu fiquei observando, sem saber o que fazer, até que ela disse, quase em um suspiro:
— Nãão... não pegue... socorro, mamãe... Ela se debatia, e aquilo me deixou paralisado por um segundo. O que diabos ela tava sonhando?
Aquelas palavras me congelaram por um segundo. Eu parei. Não sabia o que fazer. Um pedaço de mim até quis recuar, mas a raiva voltou. E, antes que eu pudesse pensar mais, fui em frente. Só que, no momento exato em que fui colocar a mão nela, ela acordou de repente, os olhos arregalados de pavor ao me ver.
A reação dela foi instantânea. Ela pegou o jarro de água que estava na mesa e me jogou, de uma vez. Fiquei todo molhado, sem entender nada.
— Ôh, seu babbum! Ela gritou, e já senti o impacto da água fria. — Aff!
Ela se levantou rápido, olhou ao redor e, em um piscar de olhos, pegou a escova de cabelo. Antes de eu poder reagir, ela me acertou com a escova bem na testa.
— Que merda é essa? Gritei, tentando me recompor, mas não conseguia entender como ela tinha tanta coragem.
— E você, o que tá fazendo aqui, cara? Seu quarto não é aqui, não! Seu babbum safado! Sai daqui antes que eu te dê uma sapatada agora! Ela gritou, e já me empurrava pra longe com força.
Eu tentei me aproximar, mas ela não me deixou. Ela me empurrou de volta e logo colocou a mão no nariz, fazendo uma careta.
— Você fede, que bafo! Fede a cachaça! Sai pra lá! Ela gritava, me empurrando mais uma vez.
Eu não aguentei e gritei de volta.
— Tá se fazendo de difícil, né? Nenhuma de vocês presta! Só quer o nosso dinheiro enquanto se diverte com outro a nossas custas!
Ela riu, debochada, e me olhou como se fosse a coisa mais i****a que ela já tinha visto.
— Do que você tá falando, cara? Tá parecendo o chapeleiro maluco das histórias da dona Cotinha!
Ela disse, fazendo cara de quem tava achando tudo muito engraçado.
Eu não aguentei, me aproximei de novo, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, ela me acertou com o sapato, bem na testa. Fiquei tão atordoado que quase caí pra trás. Não esperava por isso.
Eu parei, em choque. Eu sabia que ela não era como as outras, mas o impacto disso... Ela tinha me ferido. Ela tirou sangue de mim. Pela segunda vez, eu fiquei paralisado.
— Sua maluca, selvagem! Gritei, mas ela não ligou. Nem um pouco. Só deu de ombro e foi embora.
— Foi você que veio pra cima de mim, igual cachorro! Tá pensando o quê, meu filho? Que sou igual essas dondocas de nariz empinado, metida a b***a e facinho, facinho? Não sou, não! Tenta me agarrar de novo, que eu te dou outra sapatada. Pensa que porque tem dinheiro pode fazer o que quiser? Seu ricaço metido a b***a, cheio das frescuras!
Eu fiquei parado, olhando pra ela, sem saber como reagir. Ninguém nunca me falou assim comigo. E, por algum motivo, ela tinha razão.
Ela virou as costas e foi embora, me deixando com um monte de coisas para pensar. Eu fiquei ali, olhando para porta, sem saber o que fazer, sem entender nada.