Capítulo 10

768 Words
Na manhã seguinte... Acordei com a cabeça latejando. A ressaca era inevitável depois da noite anterior, mas o que realmente me incomodava não era o álcool, e sim a presença daquela garota. Minha irmã chegou cedo, seguindo as ordens de papai para levar a irritante às compras. Foi então que algo me atingiu como um soco no estômago. Ele não só a deixou aqui por bondade, mas como também para me provocar. Agora tudo fazia sentido. Papai sabia que isso me frustraria, me irritaria. Samanta era uma afronta. Ele queria me testar. Cruzei os braços, sorrindo de canto. Pois bem, se era um jogo que ele queria, então ótimo. Minha irmã se jogou na poltrona ao meu lado e me olhou com um sorrisinho. Isabela — Vai à festa do governador? Ergui uma sobrancelha. Oportunidade perfeita. — Claro, irmãzinha. Estarei lá. Ela estreitou os olhos, desconfiada. Isabela — O que está pensando em aprontar, Maike? Não me importei em responder, mas eu já tinha um plano. Antes que ela pudesse insistir na conversa, Cacilda desceu as escadas com Samanta. A garota me olhou por um instante e, logo em seguida, virou o rosto e cruzou os braços, fingindo que eu não existia. Ótimo. Melhor assim. Levantei-me e saí da sala sem dizer nada. Pude ouvir Isabella e Cacilda conversando animadas enquanto saíam, levando a garota com elas. Samanta parecia meio hesitante, mas depois de um suspiro profundo, seguiu as duas. Eu ri baixo. Vamos ver até onde isso vai. Se papai queria brincar, nós vamos brincar. ** Samanta: Desde que botamos os pés nessa loja chique, senti que era lugar de gente metida. Tudo brilhava mais que céu estrelado, e eu só conseguia pensar que um trem desses num era pra mim. E aí veio a desgraça. Isabela — Samanta, experimente esses saltos. Isabela me entregou um par de sapatos tão altos que pareciam andaimes. Olhei praquilo e já senti minhas pernas tremendo. — Aff, num dá, num! Num sei andá nisso, mulher! Cacilda — É só questão de costume. Experimente andar devagar. Ela disse, com paciência. — Num tem costume que faça isso ficá bom! Tô é caindo torta igual jaca podre! E como se fosse destino, dei um passo e tropecei feio. Por pouco não derrubei uma prateleira cheia de sapatos caros. Isabela — Pelo amor de Deus! Ela me segurou antes do desastre completo. — Tira isso logo antes que sejamos expulsas da loja! Chutei os sapatos pra longe. — Nunca mais, ouviu? Nunca mais! Mas minha tortura não acabou aí. Isabela — Agora, vamos fazer suas unhas e dar um jeito nessas sobrancelhas. Arregalei os olhos. — O quê?! Num, num, num! Num mexe nessas coisa, não! Isabela — Samanta… — Eu disse que num! Isso vai me doer! Isabela — Não vai doer nada, pare de drama. Ela riu gentilmente apertando minhas mãos carinhosamente. — Mentira! Mentira! Essas coisa puxa os pelinho tudo! Dona Cotinha sempre falava que essa coisa dói. Cacilda - Quem dona Cotinha? Balancei a cabeça negano. Antes que ela abrisse a boca. A moça do salão tentou argumentar, mas me agarrei na cadeira como se minha vida dependesse daquilo. — Sai pra lá, dona! Num toca em mim, num! No final, só aceitei porque prometeram comida e um sorvete grandão. Aí sim, a gente conversa. *** Depois desse dia puxado, tudo o que eu queria era deitar e dormir. Mas o que encontrei ao chegar na casa grandona? O ricaço de nariz empinado, sentado na área da frente, com uma garrafa na mão e cara de quem perdeu a dignidade. Cruzei os braços e encarei ele. — Ôh, num tem um dia que você num fica bebum, não? Ele sorriu torto. — E você, não tem um dia que cala a boca? Bufei, revirando os olhos. — Aff, seu ricaço de nariz empinado, metido a b***a! Tá pensando o quê? Num se mete comigo, não, viu? Ele riu, balançando a garrafa. — Você fala como se tivesse escolha de estar aqui. Mas sabe de uma coisa? Você não passa de um incômodo que logo será resolvido. Senti o sangue ferver. Abri a boca pra retrucar, mas Isabela segurou meu braço. Isabela — Não dê ouvidos ao Maike, Samanta. Vamos subir. Cacilda — Melhor não se meter com ele. Ela acrescentou. Bufei, mas deixei elas me guiarem pra dentro. Antes de sumir pela escada, olhei pra trás e sussurrei: — Homem grosso e b***a… Então subi pro meu quarto, me joguei na cama e, pela primeira vez no dia, soltei um suspiro aliviado. Pelo menos a tortura dos saltos acabou.
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